‘Minha casa é minha barraca’, diz peruana em Cuiabá que vive com menos de R$100 por dia | Mato Grosso – [Blog da Solange Pereira]





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Há duas semanas em Cuiabá, a peruana Madi Rosalles, de 25 anos, vive com uma renda diária abaixo de R$ 100 enquanto mora em uma barraca instalada na Praça dos Bandeirantes. Ela decidiu sair de casa com o noivo para aprendera família dele no Brasil e, desde então, parou na capital cuiabana para fazer um tratamento médico para seguir viagem.

Nascida em Huancayo, no Peru, Madi resolveu viajar para outros países após terminar os estudos em contabilidade e computação, algo que era exigido pela genitora dela. Concluído os estudos, ela acabou conhecendo o noivo em Lima, capital peruana, e se encantou com o artesanato e com a possibilidade de viajar globo afora.

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Contudo, esse sonho tem enfrentado várias dificuldades. Eles não têm onde morar e agora ela precisa urgentemente de um tratamento no dente para diminuir a dor que sente todos os dias.

Além disso, os dois vivem da renda que conseguem através das atividades de malabarismo nos semáforos de Cuiabá. Em média, ela disse que consegue R$ 50 a R$ 60 em dias com bastante movimento. Porém, de segunda a sexta-feira, o valor cai para R$ 30 ou R$ 40.

Madi também faz artesanato para conseguir renda em Cuiabá — Foto: Rogério Júnior/ g1 MT

Segundo ela, nunca passaram fome, mas precisam viver de doações e pedidos de esmolas diariamente.

“Minha casa é minha barraca. Às vezes fico sentada, tranquila e sentindo dor por causa do dente”, contou.

Para seguir viagem até São Paulo, onde vive a família do noivo, ela precisa passar por uma cirurgia no dente. No entanto, não pôde ser atendida na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) porque não tinha documentos oficiais.

“Estou tomando remédio para passar a dor, que começou no dente e já está do lado do rosto. Preciso ir na UPA, mas não tenho os papéis, então não posso ser atendida. Tenho que ver um dentista, mas não sei o preço e não posso sair e deixar a barraca e as coisas aqui, porque meu noivo também fica fora trabalhando com malabarismo na rua”, disse.

Com um português arranhado, Madi ainda consegue pedir por ajuda quando deixa a barraca sob os cuidados do noivo.

Eles precisam revezar para garantir um lugar onde possam passar a noite quando retornam dos semáforos, apesar de contar com a segurança de Lucy, uma cadela vira-lata que acompanha o casal por onde for.

Em relação à alimentação, o casal não passa fome porque acaba recebendo ajuda dos moradores da região.

“Não passo fome mais, porém, a comida é a mesma todo dia. Isso enjoa. Já no Peru tem mais variedade. Lá a gente comia muita batata. Então, eu estranho aqui comendo só feijão”, contou.

Lucy acompanha a tutora por onde vai em Cuiabá — Foto: Rogério Júnior / g1 MT

Segundo Madi, a experiência de viver na rua tem suscitado bastante medo por causa do aumento da violência.

“Eu senti que aqui é mais violento. Minha cadela estava fora e começou os tiros. Só aqui ouvi tiros. Outro dia assassinaram um homem a bala e com outro atropelaram. Você tem que saber o que fala. As individuos na rua são muito na defensiva. Então, tutem que ter cuidado”, disse.

De acordo com dados da Vigilância Socioassistencial, existem 385 famílias vivendo acampadas em Cuiabá. Os dados foram atualizados até abril deste ano com base no Cadastro Único, um programa social do governo federal.

Em relação às individuos vivendo em situação de rua, são 541 individuos na capital, segundo a Vigilância Socioassistencial. Não há menção sobre migrante ou refugiados no levantamento.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), houve uma diminuição no fluxo migratório global de 30% por causa da pandemia de Covid-19. São menos de dois milhões de migrantes do que havia sido registrado em 2019 e 2020, segundo o relatório.

Ainda de acordo com a ONU, ao todo, são 281 milhões de individuos que viviam fora do país natural, em 2020.

Conforme um levantamento feito por um órgão da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), são mais de 60 milhões de brasileiros que passaram a enfrentar alguma dificuldade em conseguir comida. O documento mostra que, na prática, três em cada dez brasileiros passaram por algum tipo de insegurança alimentar.

Por , em 2022-07-18 16:00:56


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