Moda inclusiva: empresa de Hortolândia investe em coleção para pessoas com nanismo | Campinas e Região – [Blog da Solange Pereira]





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A busca de solução para uma dificuldade individuol abriu os olhos de uma empresária de Hortolândia (SP) para o mercado da moda inclusiva. Com 1,49 m de altura, Josi Zurdo percebeu que os problemas que enfrentava para encontrar roupas para seu corpo de estatura baixa eram ainda piores para as individuos com nanismo.

Da confecção para mulheres de baixa estatura, começou a produzir peças sob medida para individuos com nanismo. Após estudar medidas de centenas de clientes com a deficiência, identificou um padrão e teve a ideia de criar roupas para atender essas particularidades, sem necessidade de ajustes demorados e gastos extras.

Voz importante sobre o assunto, a atriz Juliana Caldas falou ao g1 sobre sua experiência com a moda e a importância de ações concretas para que uma marca seja realmente inclusiva.

Com nanismo do tipo acondroplásico, o mais comum, ela relata as dificuldades de quem busca por roupas que sirvam a um corpo que não é de estatura mediana. Busca que muita gente nem imagina existir.

“Infelizmente essas individuos que fazem nunca pensam na gente. Só que a gente compra delas, porque a gente precisa. Falta muito ainda essa iniciativa de inclusão de lojas grandes, eu acho que a gente caminha a passos curtos”, destaca Juliana.

Josi Zurdo é proprietária da empresa de roupas Via Voice For Fashion, de Hortolândia — Foto: Flávio Florido / Carlos Raphael do Valle / Sebrae-SP

Criada há quatro anos, a Cintura de Boneca foi a marca que antecedeu a Via Voice For Fashion. Enquanto a primeira continua a atender mulheres de baixa estatura com produtos sob medida, a segunda produz somente para homens e mulheres com nanismo a partir de uma tabela de medidas específica, com base na especifimunicipios dos corpos.

Ela conta que a demanda foi crescendo nos primeiros seis meses e, como as roupas eram sob encomenda, Josi tinha que ter as medidas das clientes para começar a produzir. Tempo depois, os homens tiveram interesse e também passaram a pedir e enviar suas medidas.

“Eu tinha muita informação na mão. E eu falei, olha, eu acho que é possível comparar esses dados e logo nas primeiras vezes, nas primeiras análises desses números, eu vi que era possível criar um padrão”, relembra.

Em parceria com a associação Nanismo Brasil, ela analisou centenas de corpos e criou um guia de tamanhos para as individuos com nanismo.

A motivação teria vindo depois de uma conversa com um colega de trabalho, que disse não ter muitas opções além de comprar roupas na sessão infantil ou mandar ajustar em costureira. No ano seguinte, ele convidou a empresária para participar de um desfile realizado no encontro nacional da associação Nanismo Brasil.

Coleção de verão feita pela empresa para individuos com nanismo — Foto: Adma Santos

“Eu criei e adaptei as peças, peguei as que eu já tinha feito da Cintura de Boneca e fiz para as mulheres com nanismo. Foi um desfile assim, emocionante”, conta.

A marca foi lançada a partir desse evento, que aconteceu no dia 25 de outubro, data internacionalmente conhecida pelo combate ao preconceito relacionado ao nanismo.

Segundo ela, o nome da empresa vem da ideia de dar voz e autonomia às individuos com a deficiência. Em 2020, a loja vitual entrou em atividade com uma confecção terceirizada, feita por costureiras da região, com tecidos vindos de Americana (SP). Durante as vendas da primeira coleção, o faturamento chegava a R$ 5 mil por mês, mas a expectativa é de crescimento.

Após a passagem por um reality, a empresária recebeu investimento de R$ 90 mil por 20% da empresa, além de mentorias profissionais.

Com isso, ela espera aumentar a escala de produção, diversificar os modelos de roupas, estreitar o relacionamento com outras associações, bem como investir em divulgação. “A gente tem uma premissa de fazer poucas peças no sentido de evitar desperdício, que é o slow fashion, comenta.

Atualmente, a empresa atende somente o nanismo do tipo acondroplásico porque, segundo Zurdo, outros casos não foram numericamente expressivos durante o estudo. Mesmo assim, ela pretende expandir. “A gente quer estender esse estudo para outros tipos de nanismo, inclusive para crianças também no futuro”, destaca.

De acordo com o Ministério da Saúde, nanismo é um transtorno que se caracteriza pela deficiência no crescimento, resultando numa individuo com baixa estatura, se comparada com a média da população. Segundo a associação Nanismo Brasil, existem mais de 400 tipos de diagnósticos para o nanismo e a frequência de ocorrência dos tipos mais comuns era, em 2019:

  • Acondroplasia: um em cada 26 mil a 40 mil nascimentos, conforme a taxa de natalidade de cada país. Dentre todos os casos de nanismo, representa mais de 70% dos diagnósticos
  • Displasia congênita: um a cada 95 mil nascimentos
  • Displasia diastrófica: um a cada 110 mil nascimentos

O tipo acondroplásico está relacionado a síndrome genética que impede o crescimento regular dos ossos longos, como fêmur e úmero, e é caracterizado pelo desenvolvimento desproporcional das partes do corpo. Quando adultos, os homens atingem em média uma altura máxima de 1,45 m e as mulheres de 1,40 m.

A atriz Juliana Caldas, de 35 anos, tem acondroplasia e 1,22 m de altura. Ela fala em entrevista ao g1 que sempre teve dificuldades em achar roupas para seu corpo, principalmente há 10 anos atrás.

Muitas vezes, ela conta, precisa mandar ajustar na costureira, o que gera um gasto extra de tempo e de dinheiro. Quando aparece uma festa de última hora, o jeito é ver o que já tem no guarda-roupa ou procurar por peças na sessão infantil que não requerem ajustes.

Juliana Caldas interpretou Estela, ao lado de Marieta Severo, em “O outro lado do paraíso” da Rede Globo — Foto: Globo/Raquel Cunha

“Eu sempre tive problemas. O problema em si não é achar. A gente acha. É o comprar, aí tem que mandar ajustar, cortar. Então, na verdade, a gente nunca compra uma roupa que nem vocês, que compram uma roupa e já podem usar, sabe? A gente compra uma roupa e vai poder usar daqui uma semana ou duas, conforme a costureira.”

Além das roupas, Juliana menciona também a falta de sapatos para o seu tamanho. Ela sempre compra os seus em uma loja cuja primeira numeração é o 30, a única que ela conhece. Intrigada com a motivação da vendedora, perguntou o porquê da tabela diferenciada e descobriu que a loja só vendia números menores porque a proprietária calçava o número 30.

“Eu compro um estilo de vestido que eu consigo utilizar em todos tipo de festas, sabe? Se amanhã eu tenho algo, eu vou tentar procurar o que não precisa ajustar. A procura é uma missão impossível de tutentar achar alguma coisa que pelo menos sirva para aquele momento, para aquela ocasião. Sabe, é aquela coisa de montar um quebra-cabeça com o que que eu tenho?”, explica.

Juliana Caldas, atriz que tem acondroplasia, fala sobre dificuldade de encontrar roupas — Foto: Pino Gomes

Juliana é uma das clientes de Josi, cujo efeito do trabalho ela diz que é proporcionar o “sentimento de pertencimento”. Por outro lado, lamenta que ainda exista pouco espaço para o nanismo no mercado de vestuário e que muitas marcas tratem a inclusão como apenas uma questão de marketing, ao falar do assunto e não executar ações concretas.

Traçando um paralelo, ela fala sobre como o tipo “plus size” se popularizou, assim que o mercado permitiu que houvesse espaço para ele.

Espaço também para que as marcas que produzem pudessem ser vistas por quem consumiria.

“A gente vê que o nanismo ainda tá lá atrás [no assunto de inclusão]. Porque ninguém leva o nanismo a sério. Eu vejo que é um tema de piada. Você vê que em qualquer outra publimunicipio, matéria ou qualquer outra coisa, tuvê todos os tipos de deficiência, mas tunão vê o nanismo.”

Em uma mesa de conversa, a atriz disse que questionou por que debates sobre moda inclusiva acabam ficando somente nas palavras. “A gente tem que esperar a boa vontade de uma individuo que está começando. Sabe, e aí é óbvio que ela ela precisa comer, ela precisa viver. Hoje em dia é muito difícil. Mas a gente precisa disso, não só individuos que pensam, individuos que fazem, que executam”, completa.

Para ela, a moda mudou muito e as possibilidades estão mais amplas. O contexto permite, por exemplo, que uma mulher vá de calça a um casamento ou use o vestido com um sapato baixo sem receber críticas, como antigamente. “Isso facilita muito. Eu acho que para mim que tem nanismo, isso facilita muito, sabe? Essas outras opções”, comenta.

Na sessão infantil, ela procura peças sem personagens e mais semelhantes a dos adultos. “As crianças hoje são muito estilosas. Eu não tenho problema nenhum de comprar uma roupa de 14 anos. É óbvio que eu não vou comprar com um símbolo da Barbie, não é? Eu compro muita coisa na parte masculina e é isso, é a moda. Hoje em dia está tão ampla, tão unissex”.

*Sob supervisão de Fernando Evans

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Por , em 2022-07-16 08:47:50


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