Filho de costureira, Rincon Sapiência diz que moda sempre esteve em seu ‘DNA artístico’ – GQ – [Blog da Solange Pereira]

Aos 35 anos, Rincon Sapiência se lembra de quando era apenas um garoto e morava na Zona Leste de São Paulo, capital, com a sua genitora, Dona Ivani, que costurava e criava roupas para sustentar a família. “Você imaginou que um dia a música te levaria a esse globo da moda?”, pergunto. Surpreendemente, o rapper e poeta responde sereno que “de alguma forma sim”.

Embaixador da Puma, Rincon estampa o último lançamento da linha de tênis da marca, que segundo ele, o fez reaproximar, de certa forma, com seu passado. E apesar dos sneakers não serem de fato uma genitorxão, o cantor conta que os pares de tênis são seus aliados na hora de decidir qual história vai contar através da roupa.

“Além de música, o hip hip falou muito sobre comportamento, questões sociais e raciais, e também moda. Passei a ter esse apreço. Utilizar as vestis para contar a nossa história”, diz o músico em entrevista por vídeochamada.

Com um papo fluído e sincero, a voz de ‘Ponta de Lança – Verso Livre’ e ‘A Coisa Tá Preta’ afirma gostar bastante de roupas de época e também uma mistura de estilos: social, street e esportivo.  “Uma coisa que eu exploro bastante é o lance das paletas de cor. O tênis também é um complemento para isso”, garante.

“Fluindo”, como diz ele, Rincon Sapiência abre seus versos sobre estilo, processo criativo em meio à pandemia, e suas influências, que transbordam por diversos lados, incluindo samba, hip hp norte-americano, axé e cultura afro.

Rincon Sapiência para PUMA (Foto: Marshall Farias)

GQ: Quando tucomeçou a sua carreira como rapper, imaginou que em algum momento ia ser chamado para representar marcas e estar nesse globo da moda?

RS: De alguma forma sim. Sempre fui muito influenciado por artistas como Pharrell Williams, Kanye West e will.i.am, então via que existia esse lugar para o artista, ser influente na música e na moda. Em dado momento consegui explorar mais isso nos meus clipes, capa de disco e redes sociais, e naturalmente as individuos passaram a olhar esse meu lado e se aproximar. Está no meu DNA artístico e é algo que eu procuro explorar cada vez mais.

GQ: Quais são as suas princigenitors referências de estilo?

RS: São diversas. Gosto muito do estilo esportivo e street, os dois são muito massa. Também gosto de coisas que soam antigas, digamos assim. Gosto de vestir roupas sociais de serja e linho, cores sobrias. Isso faz eu ter uma mistura enorme de referências, pensando que a roupa conta sobre a sua personalidade e de onde tuvem, gosto de consumir coisas de outras épocas.

GQ: Você quebra questões de gênero com seu jeito de vestir, como, por exemplo, pintar as unhas. Como tuchegou nesse momento de descontrução?

RS: Tem esse lado que deve ser superado e quebrado. Eu vejo como positivo cada vez mais a ausência do conceito de gênero, mas quando tupensa em moda, na minha cabeça pintar as unhas traz um pouco do rock. Eu tenho um pé no rock n’ roll. E com a influência que eu tenho hoje, passei a me sentir a vontade de representar algo baseado na minha pesquisa, e isso acontece a partir da roupa, pinhar unhas e olhos, saia, entre outras coisas. Tudo pode ser utilizado. 

GQ: Mas tuacha que a moda ainda é muito ligada às mulheres? Quer dizer, isso já mudou muito e hoje turepresenta bem esse lugar…

RS: Represento. Eu também cresci com a moda. Minha genitora era costureira, criava e passou por várias áreas da moda. Isso me influenciou muito junto com a cultura do hip hop. Além de música, o hip hip falou muito sobre comportamento, questões sociais e raciais, e também moda. Passei a ter esse apreço. Utilizar as vestis para contar a nossa história.

GQ: De que forma tuencontra a cultura black na moda?

RS: Acho que através das cores. Explorar cores é algo que me remete de alguma forma ao continente africano. No axé também tem essa ligação, principalmente no que diz respeito as cores do dia da semana, a forma como tuvai cultuar sua fé nos encontros. 

Rincon Sapiência  (Foto: Marshall Farias)

Rincon Sapiência (Foto: Marshall Farias)

GQ: Você é embaixador da Puma, queria saber qual é a sua relação com os sneakers. São itens essenciais no seu guarda-roupa? Você se considera louco por tênis, rs? 

RS: Essa ligação com a marca fez naturalmente que eu me aproximasse com a moda. Era algo que eu gostava muito quando era adolescente, principalmente roupa esportiva. Mas foi algo que eu passei a ficar mais próximo e aproveitar agora. Isso te leva naturalmente a recolocar o look… Falando de tênis, acabei conhecendo mais. Eu curto moderado, sabendo que tem individuos que são doentes por tênis e genitorxonadissimas. Mas realmente pensando em moda, uma coisa que eu exploro bastante é o lance das paletas de cor. O tênis também é um complemento para isso.

GQ: Agora falando de música… como está a sua agenda para 2021 e a expectativa para o próximo ano? Está sentindo muita falta dos shows?

RS: Eu sinto falta do contato com o público, mas acompanhando o que esté acontecendo, o momento agora é de vacinação, então procuro não ser ansioso em relação a isso. Estou entendendo outras formas de expressar a minha arte. O show mesmo, estou exercitando dia a dia ser paciente e esperar o melhorar momento pra isso acontecer. Eu tenho produzido muito, dialogado com outros produtores, fazendo parcerias e levantando material. Já fizemos três lançamentos nesse ano e a ideia é fazer mais.

GQ: Conta um pouco pra gente sobre essas parcerias que tucitou. Tem como adiantar alguma pra gente?

RS: Por enquanto ficamos aí no segredinho [risada], mas de fato temos feito muitas parcerias e procurando cada vez mais. Na grande maioria dos meus projetos tem faixas mais minhas, sem parcerias. Estou num processo de convidar individuos, tenho feito esse network, e conforme esse material ficar pronto a gente vai divulgar com certeza. O tempo é rei. 

GQ: Você é conhecido por ter letras fortes e representativas. Na sua opinião, de que forma sua arte pode ajudar as individuos?

RS: A gente pode de alguma forma tentar ser um referencial inspirador dentro das dificuldades, eu conheço todas elas. A  gente sabe dos pontos negativos da pandemia. Poderia vir de cima toda a solução, toda não, mas boa parte, mas sabendo que não é uma realidade, a gente pode ajudar quem está do nosso lado. Salvar o globo às vezes é bem difícil, a gente consegue dar força pra quem está próximo.

Rincon Sapiência  (Foto: Marshall Farias)

Rincon Sapiência (Foto: Marshall Farias)



Por , em 2021-08-31 09:16:49


Todos os direitos reservados do texto e imagens para Fonte gq.globo.com



Clique aqui e ver mais sobre o Super Kit de Moldes + Curso de Costura do Zero. Clicando agora tuganha mini kit gratuito para imprimir + aula grátis.

Deixe um comentário