Maria Emília largou a costura para se dedicar à pastorícia em Cinfães – [Blog da Solange Pereira]

Foto: Pedro Sá

A vida no campo é caracterizada pelo ar puro, pelo despertar disposto do cantar do galo, pelo mugir do gado ao deslocar-se para os terrenos, pelo trabalhar a terra, pelo cantar dos passarinhos nos finais da tarde, pelo guizalhar dos grilos, ou ainda pelo correr da água na ribeira.

Este é o dia a dia de Maria Emília, uma mulher do campo, com cerca de 70 anos, que vive sozinha em Cinfães. É pastora há cerca de 30 anos, mas nem sempre foi assim. Inicialmente aprendeu o corte e costura, a fazer bordados e camisolas na máquina, tendo trabalhado também numa fábrica em Cinfães.

A cinfanense começou por contar ao Jornal A VERDADE como se aventurou por estas andanças que a levaram a viver do campo, com os seus animais. Tudo começou numa feira, onde Maria Emília decidiu comprar uma “vaca turina” por 20 contos, à qual lhe deu o nome de “Bonita”. De acordo com a pastora, a vaca acompanhava-a para todo o lado. “Quando tinha de ir para a costura, ela vinha também atrás de mim, tive de acabar por a prender”, contou.

Foto: Pedro Sá

Este animal acabou por ser levado para o Porto o que deixou Maria Emília triste.“Chorei nesse dia. Aliás, eu disse que não queria mais animais”, recordou. Mal a cinfanense sabia que este era apenas o princípio da história da pastorícia na sua vida. “Passado uns tempos acabei por ir a uma feira em Cinfães e comprei uma vaca turina serrana”, acrescentou.

Segundo Maria Emília, nos tempos de costura “pagava a quem fosse para o pasto com elas, aliás todos os que tinham gado, na região, levavam os animais uns dos outros para o pasto. A mim calhava-me de mês a mês. Mais tarde toda a gente começou a vender e a assassinar o gado mas eu não, por isso comecei a fazer apenas eu esse trabalho”.

Foto: Pedro Sá

Foto: Pedro Sá

Hoje em dia, a pastora de 69 anos percorre mais de oito quilómetros por dia com a sua manada, composta por 12 vacas e um vitelo. Enquanto pasta o gado, a ex-costureira entretém-se a fazer um pouco de artesanato, rezar o terço e a cantar.

No que respeita à sua vida individuol, Maria Emília afirma estar feliz sozinha: “não podemos ser todos casados. Foi o destino que Deus quis”, refere com uma voz um pouco tremida.

Foto: Pedro Sá

Foto: Pedro Sá

Quando a questionamos acerca dos seus sonhos, do outro lado da linha telefónica fez-se silêncio. Após breves segundos murmurou duas palavras. Maria Emília não sonha com uma vida financeira melhor, nem com um pedido de casamento, muito menos com uma viagem, mas em “ter saúde”.

Foto: Pedro Sá

Foto: Pedro Sá

Texto redigido com o apoio de Carla Castro, aluna estagiária da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Por , em 2021-08-29 17:01:50


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