Jovem faz ‘Zé Gotinha’ de crochê para presentear profissionais de saúde ao receber vacina contra Covid-19 no Piauí | Piauí – [Blog da Solange Pereira]

A jornalista Mayara Valença, de 32 anos, esperou mais de um ano meio pelo momento de se vacinar contra a Covid-19 em Teresina. Nesta terça-feira (17), quando o dia finalmente chegou, ela presentou a equipe de vacinação no posto do Hospital Universitário (HU), em Teresina, com um Zé Gotinha de crochê, que ela mesmo confeccionou.

A jornalista disse ao G1 que gostaria de entregar um presente para os profissionais de saúde, para entregar quando fosse vacinada. Quando soube que havia chegado a vez de sua faixa etária, buscou vídeos na internet com dicas de crochê e começou a fazer o Zé Gotinha.

Jovem presenteia equipe da vacinação contra a Covid-19 com ‘Zé Gotinha’ de crochê no Piauí: ‘forma de demonstrar o carinho’ — Foto: Arquivo Pessoal

“Ia assistindo aula e crochetando. Os dedos foram ficando sensíveis, mas às 18h eu consegui agendar para 10h do dia seguinte, e eu não podia arriscar não dar tempo. Enchi os dedos de curativos e terminei pouco depois das 23h”, contou

A vacina da Mayara estava agendada para 10h da manhã dessa terça-feira (17) no posto de vacinação do Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Logo depois, mandou uma foto “com cara de choro” no grupo da família, avisando que estava vacinada.

Jovem presenteia equipe da vacinação contra a Covid-19 com ‘Zé Gotinha’ de crochê no Piauí: ‘forma de demonstrar o carinho’ — Foto: Arquivo Pessoal

“Tive uma crise de choro a ponto de uma desconhecida vir me perguntar se eu estava me sentindo bem. Mas foi só de emoção e alívio mesmo”, disse.

Já vacinada, Mayara presenteou a equipe do posto de vacinação com o bonequinho do Zé Gotinha. A equipe agradeceu, e Mayara agradeceu ainda pela dedicação deles durante a pandemia. Para a jornalista, o trabalho dos profissionais de saúde não é devidamente valorizado.

“Sei que um presente não vai resolver a desvalorização, mas era uma forma de demonstrar o carinho. Elas estavam sérias quando eu entrei, e abriram um sorriso depois do boneco. Uma delas até pediu para tirar uma selfie comigo. Isso fez valer cada bolha nos meus dedos”, disse a jornalista.

Por morar com os genitors, que fazem parte do grupo de risco, a jornalista cumpriu todas as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde, como uso de máscara em todos os ambientes e respeito ao distanciamento social. O convívio e abraços têm sido evitados.

Até mesmo os abraços do namorado. Jônatas Freitas, que tem 30 anos, enfrentou a primeira dose da vacina contra a Covid-19 em maio deste ano, por fazer parte do grupo de risco. Segundo ela, morar com individuos do grupo de risco da doença traz receio, por isso o casal evitou se aproximar.

“Meus genitors tomaram a segunda dose no final de julho e o meu noivo há menos de 15 dias. Flexibilizamos um pouco, chegamos a nos ver, mas sem contato físico e sempre de máscara. Ele continua trabalhando de casa, é cuidadoso, o que me deixa mais tranquila”.

Mayara contou que havia tentado aprender com a genitora ainda na infância, mas na época desistiu. Durante o isolamento ela encontrou motivação e paciência para aprender, e com os trabalhos conseguiu criar uma renda extra.

“Passei a ser mais confiante, a acreditar que eu posso aprender coisas que achava serem impossíveis para mim, além de me auxiliar a desviar o foco quando a ansiedade parece querer me devorar. Me distrai e, no final de cada trabalho, me sinto orgulhosa do que eu fiz”, disse Mayara.

Jovem recebe pedido de casamento por videochamada, em Teresina

Jovem recebe pedido de casamento por videochamada, em Teresina

Desde o início da pandemia, em março de 2020, Mayara e o namorado Jônatas Freitas se viram poucas vezes presencialmente. Mas Jônatas não conseguiu esperar: pediu Mayara em casamento por vídeo-chamada em setembro de 2020 (Vídeo acima).

Mas o distanciamento continuou, e alianças só foram trocadas, de fato, no dia 25 de dezembro. Nas redes sociais, Jônatas compartilhou registros do momento e declarou-se. “A pandemia requer muitos cuidados, e a gente teve. O bom é que deu tudo certo. Te amo”, escreveu.

Ainda afastados, o casal faz planos. Aos poucos compram as coisas para a futura casa do, que se fala diariamente através da Internet, importante aliada na hora de assassinar a saudade.

“Acredito que o carinho supera distâncias. A gente consegue manifestar e nutrir o amor de muitas formas. A mais especial para mim, nesse momento, é ter conseguido preservar a saúde de quem eu amo. Do resto, a gente corre atrás com o tempo”, afirmou Mayara.

"Zé Gotinha" completa 31 anos e a campanha ajudou no desaparecimento da poliomielite

“Zé Gotinha” completa 31 anos e a campanha ajudou no desaparecimento da poliomielite

O Zé Gotinha foi um personagem criado em 1986 pelo artista plástico Darlan Rosa para a campanha de vacinação contra o vírus da poliomielite realizada pelo Ministério da Saúde. Seu principal objetivo era tornar as campanhas de vacinação mais atraentes para as crianças.

Zé Gotinha em campanha de vacinação em SP, em 2019 — Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde/ Divulgação/ BBC

O nome Zé Gotinha foi escolhido nacionalmente através de um concurso promovido pelo Ministério da Saúde com alunos de escolas de todo o Brasil. Assim, começou a divulgação da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite, nos jornais, TVs e rádio. Além de conscientizar sobre a importância da vacinação desta doença, o Zé Gotinha também é utilizado para alertar sobre a prevenção de outras, como, por exemplo, sarampo.

*Naftaly Nascimento, estagiária sob supervisão de Andrê Nascimento

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Por , em 2021-08-18 15:31:44


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