Marcas catarinenses apostam na produção de moda consciente | A Força de Santa Catarina – [Blog da Solange Pereira]

O cenário da indústria têxtil é favorável em Santa Catarina. É o setor que mais gera empregos no estado e o segundo maior em número de estabelecimentos, de acordo com dados do Observatório Fiesc. A indústria têxtil é responsável por um grande movimento da economia catarinense.

Cerca de 500 mil empresas existentes no estado são consideradas micro ou pequenas, de acordo com dados do Sebrae, e muitas delas surgiram com um novo propósito. Há alguns anos, muito se fala sobre consumo consciente, que nada mais é do que consumir de uma maneira que afeta menos o meio ambiente e a sustentabilidade. Desse movimento, nasceram novas marcas e estão se destacando no estado.

Co-fundadora das marcas Ohana e Alma Brava e Designer de Moda, Leticia Dal Bello, explica que a criação das marcas partiu de um desejo antigo de Thalia, sua irmã e sócia, e que, ao mesmo tempo, deu voz ao propósito de desenvolver uma moda mais sustentável e atemporal.

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“Na minha formação, aprendi sobre o quanto os processos e materiais usados na Moda podem ser prejudiciais às individuos e ao meio ambiente, por isso nossa ideia sempre foi a de trabalhar com uma moda mais limpa, justa e sustentável. A Thalia estava aderindo ao vegetarianismo na mesma época em que surgiu a ideia da Ohana e fez total sentido para nossos propósitos desenvolver uma marca vegana. Percebemos que os produtos desse segmento costumavam ter uma estética mais hippie e boho, mas notamos que nem todo o público com essa filosofia se identificava com o estilo – e aí veio a proposta de uma estética minimalista, que pudesse abranger diferentes estilos, geralmente atendidos pelo couro, em um produto com viés livre de origem animal”, explica Letícia.

Letícia Dal Bello é co-fundadora das marcas catarinenses Ohana e Alma Brava. — Foto: Divulgação

Thalia Dal Bello, co-fundadora das marcas catarinenses Ohana e Alma Brava. — Foto: Divulgação

Para dar continuidade ao processo, foi necessário encontrar o material com as características que buscavam para dar forma ao produto. Isso se deve ao cuidado que é necessário ter para que as peças fizessem jus a proposta da marca.

“A procura pelo material ideal levou um tempo considerável, pois além dos componentes do tecido, também averiguamos as práticas dos fornecedores quanto a testes em animais e origem dos materiais, além de parâmetros de qualidade e durabilidade”.

Com o mesmo intuito de criar algo que fosse sustentável e agredisse menos o meio ambiente, Maria Helena Lemmertz, que é estudante de moda e sua genitora, Andrea, criaram a Pantalones, marca que cria todas as suas peças com os materiais descartados das grandes indústrias.

“Nós iniciamos como estamos atualmente, em 2019. Eu e minha genitora, sempre costuramos e estávamos sempre fazendo alguns shorts e calças de malha para vender para conhecidos e na feirinha da UFSC. No início de 2019, eu, que faço faculdade de design de moda na Estácio de Sá, fiz um trabalho na faculdade sobre upcycling e sobre resíduos têxteis. A partir desse momento, surgiu meu interesse por tecidos de refugo, como podem ser chamados. Após isso tive a ideia de criar uma marca junto com minha genitora, feita com esses tecidos e assim surgiu a Pantalones”, relata Maria.

Maria Helena Lemmertz e a genitora, Andrea Lemmertz, são fundadoras da marca Pantalones. — Foto: Divulgação

No início da marca, eram fabricados apenas calças de modelo pantacourt e pantalonas. Com o crescimento da marca, foi necessário ampliar a quantidade de fornecedores e, também, as opções de escolha, já que, inicialmente, eram comprados pacotes fechados de tecidos, o que era uma verdadeira caixinha de surpresas.

“Com o tempo, fomos recebendo mais pedidos e fazendo mais feiras, assim tivemos que buscar novos locais para comprar esses tecidos, onde nós conseguimos escolher o que queríamos, para priorizar a qualidade desses tecidos, pois muitas vezes encontrávamos eles com muitas avarias e defeitos. Dessa maneira, começamos no processo que chamamos de garimpo de resíduos têxteis. Uma verdadeira busca pelos resíduos têxteis ideias para as nossas peças”, explica Maria.

Produção que valoriza a mão de obra local

Uma característica predominante em marcas sustentáveis que são micro e pequenas empresas é a produção. Na maioria das vezes, é valorizado o consumo de materiais e a contratação de mão de obra local. Letícia explica que, todo o processo de criação e fabricação de peças de suas marcas, prioriza o que é próximo.

“O processo criativo e a escolha de materiais são realizados por mim e pela Thalia, e a produção conta com matéria-prima nacional e mão-de-obra local terceirizada. Trabalhamos com pequenos produtores, de forma a fomentar o serviço da região e ter maior transparência das condições em que as peças são produzidas”.

A proposta é respeitar o processo, por isso as marcas apostam em moda atemporal, com mais qualidade assim, garantindo a duração do produto.

“Acreditamos fortemente em ir um passo de cada vez. Nossa proposta é respeitar o tempo da moda, sem acelerar processos e equipe. Visamos produtos atemporais de alta qualidade e durabilidade, por isso lançamos poucas coleções ao ano, evitando o consumo e descarte desenfreado”, explica Letícia.

A internet como meio de vendas

Muitas marcas se destacam no meio digital, e optando por apenas vender por eles. No ano de 2020, houve um crescimento de mais de 40% no número de lojas virtuais, de acordo com um levantamento realizado pela PayPal Brasil. Esse movimento mostra que os consumidores têm apostado cada vez mais na compra online.

As possibilidades da venda online são gigantescas, inclusive, permite a venda para o Brasil inteiro, mas é um processo.

“A comercialização é online, por meio de site próprio e alguns marketplaces parceiros. Parcerias com influenciadores e marketplaces como a Westwing foram importantes para fortalecimento e difusão da marca pelo Brasil”, relata Letícia sobre a comercialização da Ohana e Alma Brava.

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O formato híbrido nas vendas também gera um forte engajamento. A Pantalones, que iniciou as suas vendas nas feirinhas de Florianópolis, passou a vender suas peças online e marketplaces.

“Toda a produção é feita de forma bem artesanal por mim e pela minha genitora Andréa nós duas fazemos tudo. Garimpamos os tecidos, fazemos as modelagens, costura e criação das peças e das coleções. Temos o nosso ateliê que fica em nossa casa, e aqui, é onde acontece tudo. Nós vendemos principalmente pelo nosso site e também temos um ponto de vendas no sul da ilha, uma loja multimarcas que vende nossas peças, também”, explica Maria.

Economia catarinense e o consumo slow fashion

O conceito de slow- devagar, em inglês – fashion foi criado pela consultora, ativista e design inglesa, Kate Fletcher e significa consumir moda de uma maneira consciente. Enquanto o conceito de fast fashion prioriza o consumo de roupas de maneira desenfreada, o slow fashion é diferente.

“O slow fashion preza por uma moda mais lenta e por um consumo consciente, instigando a economia circular. Ou seja, respeita todos os envolvidos no processo de produção, remuneração justa pelo trabalho e uma produção muitas vezes feita por demanda, ou seja, após a compra a peça é feita para o cliente. E claro o slow fashion reforça a consciência ambiental também nos processos”, explica Maria.

Levando em consideração que, a maioria da produção têxtil catarinense é focada no pequeno produtor, apostar no mercado sustentável é uma opção, por vezes, benéficas para a economia do setor.

“A moda consciente tem como uma de suas vertentes a valorização da matéria-prima e mão-de-obra local, e com o alcance da internet, hoje se torna muito mais viável aprendernegócios da sua região. Ao comprar de uma marca local, tuinjeta dinheiro na sua própria região, fazendo circular a economia e incentivando os negócios da região como um todo”, aponta Letícia.

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Comprar de pequenas empresas permite aprendero local onde o produto é fabricado, e auxiliar na proteção do meio ambiente. Maria aponta eu, no Brasil, cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis são descartados por ano em aterros sanitários em todo o Brasil.

“(…) Os benefícios que vamos ter com essa mudança de pensamento em nossa vida, vai ser uma consciência mais limpa, evitar o descarte excessivo causado pelo consumo desenfreado ou pelo consumo por impulso (…)”, aponta.

O consumo de empresas locais auxilia no fomento da economia, garante empregos, valoriza a cultura, o meio ambiente e nos torna mais conscientes do aqui e agora.

O consumo consciente, além da busca pela proposta de “compre menos e faça durar”, também visa fomentar o comércio local de pequenos produtores, com matéria-prima nacional e ecológica e condições justas de trabalho. Ainda, reduz os impactos ambientais causados pela produção em alta escala e importação efetuadas pelas redes de fast fashion.

“Consumir conscientemente afeta sua autoestima como indivíduo levando a escolhas mais assertivas, afeta o impacto ambiental que é reduzido ao preferir materiais sustentáveis e nacionais, e afeta a economia do estado, fazendo o dinheiro continuar girando dentro da região”, finaliza Letícia.

Por , em 2021-08-10 10:40:37


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