Passageiros passam sufoco no Rio em ônibus com janelas lacradas e ar-condicionado desligado | Jornal Nacional – [Blog da Solange Pereira]

A pandemia dificultou a rotina de quem depende de ônibus. Mas, no verão, piorou muito.

Um calor de deserto. No Rio de Janeiro, a prefeitura determinou que ônibus, vans, táxis e serviços por aplicativo só podem rodar com janelas abertas durante a pandemia.

“Caço uma janela. De preferência duas”, diz o empresário Leonardo Souza.

Para o infectologista Marcos Lago, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, a ventilação dentro dos ônibus é importante.

“O benefício de diminuir a transmissão viral dentro do ônibus é maior do que o malefício do calor. O vento ajuda a levar o coronavírus para fora do ônibus, a espalhar o coronavírus para o ambiente todo e aí você dilui a partícula viral e faz com que a chance de infecção seja menor”, explica.

Só que 70% dos ônibus do Rio são climatizados e muitos têm as janelas lacradas. Alguns ainda circulam com o ar-condicionado ligado, outros deixam todo mundo no calor mesmo.

Dona Lúcia, passageira de ônibus no Rio, tenta abrir as janelas, mas não consegue. “Não pode circular assim com essa pandemia, esse vírus”.

Ao embarcar em um ônibus na capital fluminense, logo se percebe o calor intenso dentro do veículo. Até mesmo a barra de apoio fica quente, o ar abafado e as janelas fechadas, lacradas, com passageiros sem opção, passando calor do começo ao fim da viagem.

Em um ônibus lotado, o risco é muito maior, como reforça Marcos Lago: “Com a janela fechada, a chance de um poder passar para dois, três ou quatro é maior, então, aumenta a chance de contaminar um número maior de pessoas. Com esse abafamento, é muito mais fácil alguém resolver tirar a máscara porque você se sente sufocado, encalorado, e a máscara faz com que a gente sinta mais calor”.

O vigilante Luciano descreve a sensação da viagem: “Calor demais. A gente passa mal e fica realmente sufocado”.

Em Belo Horizonte, os ônibus articulados têm janelas lacradas e andam com o ar ligado.

“É mesmo um risco, por estar fechado. Se tem que ser ventilado, a gente tem que higienizar a mão”, diz a costureira Vera Lúcia da Silva.

O infectologista explica que, além de garantir ventilação nos ônibus, o poder público precisa aumentar a oferta de transporte coletivo. “Quando o ônibus está lotado, independentemente de estar com janela aberta ou não, o índice de contaminação dentro ônibus é alarmante, absurdo. Isso não poderia estar acontecendo de maneira nenhuma. Ônibus lotado é de fato o paraíso do coronavírus”, afirma Marcos Lago.

Por , em 2021-02-04 22:52:00


Fonte g1.globo.com



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