Brasil aparece em doc que mostra um dia do isolamento em todo o mundo


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RIO – No isolamento em casa, cada dia que passa é um risco na parede. Espaços públicos vazios, planos adiados, solidão em alta — às vezes, seus melhores amigos são as aranhas no canto da sala. Mas, enquanto isso, o sol continua a despontar no céu toda manhã, crianças nascem, e o tempo passa entre beijos, abraços (com ou sem invólucro plástico), orações, refeições e incontáveis reuniões de Zoom: isto é “A vida em um dia”, o novo filme do escocês Kevin Macdonald (ganhador do Oscar de melhor documentário em 2000 por “Munique, 1972: um dia em setembro”), que estreia esta segunda-feira no festival de Sundance trazendo uma espécie de reflexão mundial sobre a pandemia de Covid-19.

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Produzido pelo YouTube em parceria com o diretor Ridley Scott, o doc surgiu de uma convocação para que usuários da plataforma mandassem filmagens feitas ao longo do dia 25 de julho de 2020, um sábado.

Os organizadores receberam 324 mil vídeos de pessoas de 191 países, em 65 idiomas — uma babel que, com a ajuda dos editores Mdhamiri Á Nkemi, Sam Rice-Edwards e Nse Asuquo, Macdonald conseguiu transformar em 87 minutos de filme.

Praia de Copacabana e Zoom

Renata Balthazar (à esquerda, no alto), Isis Mello, e Joana Pimenta, no papo no Zoom que entrou em “A vida em um dia” Foto: Reprodução
Renata Balthazar (à esquerda, no alto), Isis Mello, e Joana Pimenta, no papo no Zoom que entrou em “A vida em um dia” Foto: Reprodução

E, como era de se esperar, o Brasil (onde “A vida em um dia” poderá ser visto gratuitamente e com legendas em português, a partir do sábado, dia 6, no YouTube) não ficou de fora do seu corte final — uma das crianças que nascem, inclusive, é brasileira.

Do Rio de Janeiro, as amigas Isis Mello (diretora), Renata Balthazar (produtora) e Joana Pimenta (atriz) podem se ver brevemente no filme em uma sequência que reúne várias reuniões de Zoom nas quais a humanidade tentou espantar a solidão da quarentena em 25 de julho de 2020.

— Naquele dia, eu filmei o que fiz, que foi ir à praia de Copacabana bem cedo, de bike, ver as pessoas correndo de máscara, e depois entrar no Zoom para conversar com a Renata e a Jô. A gente falou muito sobre política, sobre a questão do audiovisual e sobre como a pandemia estava modificando as relações e colocando a questão da solidão em perspectiva. Um mês atrás, a produtora do filme me disse que tinha entrado essa conversa — conta Isis, que lembrará de 2020 como “um ano bem ruim para o audiovisual”. — O mercado já estava parado por causa da Ancine e, com a pandemia, a gente não pôde filmar. Foram quatro meses de paralisia geral e aos poucos a gente foi voltando a trabalhar e foram acontecendo festivais de curtas da quarentena.

Para o diretor Kevin Macdonald (também conhecido pelo longa “O último rei da Escócia”, de 2006, que rendeu a Forest Whitaker um Oscar de melhor ator), “A vida em um dia” não é, definitivamente, um filme para contar a história da Covid-19. “Estamos apenas tentando mostrar a vida das pessoas e o que é importante na sua vida — qual é a história emocional que você está contando hoje”, disse ele, antes de começar o filme, em julho de 2020, à revista “Variety”.

Medo, perda e pesar

De qualquer forma, o filme não conseguiu deixar de retratar, naquele 25 de julho, os efeitos da pandemia e alguns dos grandes desassossegos do ano — sejam desastres naturais ou os protestos do Black Lives Matter. “A vida em um dia” é, em larga medida, um filme bem mais triste do que aquele feito pelo diretor, nos mesmos moldes, em 2010 — e um dos personagens daquele filme, uma mãe, volta em uma cena particularmente tocante: chorando pelo filho, que aparecia adolescente no filme de 10 anos atrás e, em 2020, morreu de Covid.

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Ao GLOBO, Kevin Macdonald explica:

— Quando fizemos o primeiro filme em 2010, a maioria das filmagens que recebemos era muito otimista e tivemos que pesquisar muito o material para encontrar algo sombrio. Em 2020, era o oposto. Talvez sem surpresa, recebemos muitas filmagens sobre o medo, perda e pesar.

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MacDonald conta que também recebeu uma gama muito mais ampla de filmagens geográficas, tornando o conjunto mais equilibrado:

— Acho que este filme é uma representação mais precisa do mundo. E apesar do ano que tivemos, também é estranhamente alegre. Ele destaca as coisas que são mais preciosas para todos os seres humanos, em particular a conexão com os outros.

Por Silvio Essinger , em 2021-02-01 03:30:00


Fonte oglobo.globo.com

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