Protestos contra novo lockdown deixam 300 feridos e um morto no Líbano – Notícias – [Blog da Solange Pereira]

Confrontos entre manifestantes libaneses e forças de segurança continuaram na madrugada desta sexta-feira (29), pelo quinto dia consecutivo de protestos em Trípoli, a segunda maior cidade do Líbano. Os enfrentamentos já deixaram mais de 300 feridos e ao menos um morto. A mobilização tem como alvo o lockdown que o governo libanês impôs para tentar controlar o aumento de casos de Covid-19, piorando ainda mais a situação econômica do país, onde mais da metade da população está abaixo da linha de pobreza. 

Confrontos entre manifestantes libaneses e forças de segurança continuaram na madrugada desta sexta-feira (29), pelo quinto dia consecutivo de protestos em Trípoli, a segunda maior cidade do Líbano. Os enfrentamentos já deixaram mais de 300 feridos e ao menos um morto. A mobilização tem como alvo o lockdown que o governo libanês impôs para tentar controlar o aumento de casos de Covid-19, piorando ainda mais a situação econômica do país, onde mais da metade da população está abaixo da linha de pobreza. 

Tariq Saleh, correspondente da RFI no Líbano

O Líbano enfrenta crises política, econômica e social desde o início da revolução popular, em outubro de 2019. Desde então, a desvalorização da moeda libanesa frente ao dólar já chegou a 80%. O poder aquisitivo da população, que luta para sobreviver e comprar alimentos básicos em meio a uma alta inflação, também caiu de forma substancial.

A insatisfação de libaneses com o governo e a classe política evoluiu a um ponto insustentável depois que as autoridades impuseram um novo e severo lockdown. A medida castigou a economia e resultou na perda de mais empregos e renda, principalmente para os mais pobres. 

O governo afirma que o lockdown é necessário devido ao aumento de casos de Covid-19 e a maioria dos libaneses entende a seriedade da pandemia. Esta última quarentena teve muito mais adesões do que as anteriores porque a população sofre com os hospitais lotados e com casos e mortes em suas próprias famílias. No entanto, os libaneses cobram do governo uma ajuda financeira ou um melhor plano para que pessoas tenham algum tipo de renda e consigam viver. 

Precariedade social

Ouvindo os tiroteios das forças de segurança contra manifestantes perto de sua casa, em Trípoli, a costureira Fatima Hamedi conversou com a RFI sobre a precariedade que enfrenta devido às restrições impostas pelo governo. “Já não podemos mais sair para comprar alimentos, não podemos mais trabalhar e assim trazer o mínimo necessário para casa. Começamos a desmoronar aos poucos, a partir do início das crises, lá atrás. Agora estamos destroçados, uma ruína total. Hoje, não conseguimos nem mais assegurar o mais importante em nossas vidas: o alimento”, afirma.

A insatisfação da população não se limita a Trípoli, mas abrange de forma geral o povo libanês, depois de um 2020 de crises política, econômica, além da tragédia no porto de Beirute. Os cidadãos se mostram cada vez mais desiludidos e não veem soluções por parte dos políticos. Alguns falam em deixar o país. 

A ira dos libaneses é direcionada a um governo que veem como incapaz de gerenciar uma pandemia e minimizar seu impacto na vida da população mais pobre. Eles enxergam os governantes como opressores, que menosprezam o drama diário em que vivem os cidadãos.

Em entrevista à RFI, o vendedor ambulante Hicham Mahmoud ressalta sua desilusão com o país. “Este não é um país normal. Este é um país impossível de se viver. Se eu pudesse ir embora, eu o faria, mas não tenho essa opção. Diante da pandemia de coronavírus, o governo também pressiona a gente, não nos deixa respirar. De verdade, estamos muito sufocados”, desabafa.

Reação dos políticos 

A reação das autoridades incendiou ainda mais as manifestações. O governo e seus aliados acusam os protestos de terem motivação política, e os opositores de incentivarem o uso de violência pelos manifestantes. Nas redes sociais e nas ruas, jovens ironizam as autoridades, afirmando que essa desculpa já não pode mais ser sustentada.

Como resposta, manifestantes fazem vigílias diante de casas de deputados que moram em Trípoli, inclusive em frente à residência do ex-primeiro-ministro Najib Miqati, bilionário e a personalidade mais rica do país. A repressão violenta das forças de segurança só aumenta a desconfiança na classe política dominante.

Na quinta-feira (28), manifestantes atiraram coquetéis molotov contra o prédio da prefeitura da cidade, provocando um grande incêndio. “Queremos queimar a casa deles como eles queimaram os nossos corações”, afirmou o desempregado Omar Qarhani, de 42 anos, pai de seis crianças. 

Por , em 2021-01-29 08:15:29


Fonte www.bol.uol.com.br



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