Mais de 800 solicitações de abertura de empresas em 2020 – [Blog da Solange Pereira]

Gelson Valdeci Pereira abriu uma lanchonete, no mês passado, pois o outro ramo no qual atua sofreu queda de procura com a pandemia. (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Por Eduarda Wenzel e Taiane Kussler

Muitas pessoas foram e estão sendo economicamente afetadas com a pandemia. Em 2020, a crise em decorrência da Covid-19 gerou um aumento do número de desempregados e a consequente procura por outras alternativas de renda. Muitos profissionais buscaram oportunidade financeira investindo no próprio negócio.

Em Venâncio Aires, o número de pedidos de abertura de empresas ao longo de 2020 foi quase o dobro do que os de fechamento. Dados da Central do Empreendedor mostram que foram 809 para abertura, dos quais 305 são na categoria Microempreendedor Individual (MEI), enquanto solicitações de baixa de inscrições – para fechamento – foram 431. O número de pedidos de abertura em 2020 é 10% maior do que em 2019, quando 735 empresas iniciaram as atividades.

Conforme a Central do Empreendedor, esses pedidos não significam que a empresa realmente está ativa, pois o indivíduo pode solicitar e não realizar a abertura efetivamente. Da mesma forma, pode fechar o estabelecimento e não dar baixa.

De acordo com o professor de Administração da Universidade do Vale do Taquari (Univates), Sandro Faleiro, de modo geral, muitas pessoas começaram a desenvolver uma outra atividade para gerar fonte de renda para a família, ao longo de 2020. Ele observa que a pandemia trouxe uma outra visão para quem foi diretamente prejudicado com a crise. “Algumas pessoas foram demitidas dos seus empregos e utilizaram o valor da rescisão para criar o seu próprio negócio ou loja e-comerce, fazendo lanches, trabalhos de costura e marcenaria, usando das habilidades como alternativa”, cita o professor.

Novo ramo

Gelson Valdeci Pereira, 51 anos, está entre as pessoas que abriram o próprio negócio em 2020. Há cerca de um mês, ele administra uma lanchonete no Centro do município. O microempreendedor atua também na área de despachante previdenciário, porém, com a pandemia do coronavírus, teve queda de demanda e precisou se reinventar.

Pereira já havia trabalhado com o ramo de alimentação há alguns anos, quando teve um restaurante, mas, como era mais burocrático o cotidiano, acabou fechando o empreendimento. Desta vez, ele avalia que ficou mais fácil abrir o negócio próprio, principalmente pelo processo de MEI. “Foi bem mais fácil que da outra vez, precisou de menos documentos e não teve aquelas taxas altas”, frisa.

Ele também comenta que a ajuda da Central do Empreendedor foi fundamental, pois assim teve orientação e conseguiu abrir a lanchonete em um dia. “Fui bem atendido, foi tudo rápido, simples e fácil. Gostei muito.”

O microempreendedor afirma que decidiu pelo ramo de alimentação porque, além de ser algo que gosta e conhece, tem bastante procura, principalmente para delivery – entrega de lanches. “Procurei fazer um espaço simples com lanches rápidos para os clientes buscarem, nada para comer aqui, assim evita aglomeração e facilita para eu trabalhar sozinho”, acrescenta.

Outra facilidade do novo negócio, conforme Pereira, é continuar com o escritório e também cuidar do filho, já que tem a lanchonete na frente de sua casa, em uma sala comercial. “Foi difícil quando o ramo previdenciário começou a sofrer com a crise, mas sempre há uma alternativa, por isso procurei outra coisa que gosto de fazer e consigo conciliar as duas profissões.”

Setores favorecidos

O setor de alimentação foi um dos que se manteve em alta, durante a pandemia. De acordo com o professor de Administração, Sandro Faleiro, com a distribuição do auxílio emergencial, houve um impacto no consumo de alimentos. “As pessoas contempladas com o benefício consumiram o valor em farmácias e supermercados”, observa. Já as pessoas de melhor poder aquisitivo, que tiveram que mudar o comportamento e deixar de gastar em viagens, por exemplo, investiram em reformas em casa, fazendo com que a construção civil se mantivesse aquecida.

Cautela na hora de investir

Investir no negócio próprio pode ser uma saída para ‘driblar’ os problemas financeiros, mas deve haver cautela e planejamento antes de qualquer decisão, pois há riscos que podem comprometer a manutenção familiar. O professor de Administração, Sandro Faleiro, observa que não é indicado fazer mais dívidas ou abrir créditos em agências bancárias com o objetivo de receber um capital maior no negócio, porque a iniciativa pode não ser assertiva. “Há exemplos de empreendedores que apostaram um valor mais significativo em um novo negócio e se deram muito bem. Mas as estatísticas mostram que, a cada um que dá certo, quatro dão errado”, alerta.
Por isso, o professor orienta que as pessoas tenham um olhar para o que está acontecendo em volta, para identificar a principal demanda e solucionar o problema, que pode estar no próprio bairro ou comunidade. “É preciso avaliar o mercado e observar onde as pessoas estão gastando dinheiro, levando em consideração a experiência que se tem no ramo e a concorrência”, destaca.

Segundo a Central do Empreendedor de Venâncio Aires, as solicitações de inscrição para abertura de empresa ocorrem em diversos ramos em 2020, mas as áreas de alimentação e construção civil predominam.

No Brasil

Segundo uma pesquisa do Sebrae, realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em 2019, 52 milhões de brasileiros possuem negócio próprio, sendo que, deste total, 9,031 milhões são MEIs. Dados de 2020 indicam que o Brasil caminha para recordes em número de empreendedores, com esta parcela correspondendo a 30% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB).

Qualificação

  • Antes de investir no negócio próprio, o professor de Administração Sandro Faleiro orienta que as pessoas busquem por conhecimento na área.
  • Se não houver dinheiro para investir, a dica é aproveitar o tempo livre para fazer cursos on-line gratuitos de especialização ou buscar por mais informações em associações comerciais, no Sebrae ou apoio nos setores públicos de cada município, como a Central do Empreendedor, em Venâncio Aires. “Novos saberes e conhecimentos aumentam o potencial de empregabilidade”, afirma.
  • Ele esclarece que o início de novos negócios não deve ser classificado como empreendedorismo. “O empreendedor é um conceito mais amplo, ele faz algo mais inovador, por exemplo, uma prestação de serviços diferente ou lança um produto que ainda ninguém tem”, explica.

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Por , em 2021-01-09 10:00:00


Fonte folhadomate.com



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