Saiba como assistir a 20 novelas clássicas no streaming, de ‘Tieta’ a ‘O Rei do Gado’ – 07/01/2021 – Cinema – [Blog da Solange Pereira]

Se ao longo da pandemia os serviços de streaming têm se mostrado fiéis companheiros dos que só querem distrair a cabeça depois de mais um dia em casa, uma das plataformas guarda mais do que séries e filmes e tem uma centena de histórias que dão conta de garantir o entretenimento de anos —novelas, muitas delas clássicas.

Nos universos disponíveis no Globoplay, personagens falam português na Índia, o Nordeste se confunde com a Inglaterra e uma obra de Shakespeare ganha vida na São Paulo dos anos 1920.

Fica até difícil saber por onde começar, mas jornalistas da Folha ajudam com seus achados preferidos a seguir. Aperte o play e boa maratona.

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ALEXANDRA MORAES

Bom Sucesso

2019. Autores: Rosane Svartman e Paulo Halm. Com: Antônio Fagundes, Grazi Massafera e Rômulo Estrela. 12 anos

Surpresa recente, a novela entrelaça a vida da costureira pobre Paloma, papel de Grazi Massafera, e do editor rico Alberto, vivido por Antônio Fagundes. Com bons diálogos, bons atores e vilões devidamente detestáveis, é um folhetim cativante que consegue, além do mais, a proeza de incorporar pequenas citações literárias sem se fazer insuportável.


O Cravo e a Rosa

2000. Autores: Walcyr Carrasco e Mário Teixeira. Com: Adriana Esteves, Eduardo Moscovis e Leandra Leal. Livre

Adaptação de “A Megera Domada”, de Shakespeare, para o Brasil dos anos 1920, a novela narra o romance cheio de arranca-rabos entre a modernete Catarina, papel de Adriana Esteves, e o caipira Petruchio, vivido por Du Moscovis. Penúltima novela de Walter Avancini, em parceria com Denis Carvalho, extrai sua graça de um elenco impecável —Leandra Leal, Suely Franco, Drica Moraes, Eva Todor, além da dupla inspirada formada por Ney Latorraca e Maria Padilha.


Kubanacan

2003. Autor: Carlos Lombardi. Com: Marcos Pasquim, Adriana Esteves e Danielle Winits. Livre

Trama-irmã de “Uga Uga”, de 2000, é a primeira novela de Carlos Lombardi a entrar na plataforma, que se beneficiaria muito de outros clássicos do autor, como “Bebê a Bordo”, “Perigosas Peruas” e “Quatro por Quatro”. Neste aqui, acompanhamos as aventuras do Pescador Parrudo e sua turma de descamisados numa república bananeira dos anos 1950. Cheia de reviravoltas caóticas, a novela é um ótimo programa de humor, coroado pela presença da dupla Nair Bello e Lolita Rodrigues.


Meu Pedacinho de Chão

2014. Autor: Benedito Ruy Barbosa. Com: Bruna Linzmeyer, Irandhir Santos e Osmar Prado. 10 anos

Uma joia de Luiz Fernando Carvalho e Benedito Ruy Barbosa, com direção de arte e cenografia primorosas. A novela se passa na Vila de Santa Fé, em que se misturam o visual escapista e os bem brasileiros desmandos do coronel Epaminondas Napoleão, vivido por Osmar Prado, que vão ser desafiados com a chegada da professora Juliana, papel de Bruna Linzmeyer.


Top Model

1989. Autores: Walther Negrão e Antônio Calmon. Com: Malu Mader, Taumaturgo Ferreira e Nuno Leal Maia. Livre

Na esteira da popularização da figura das top models no final dos anos 1980, a novela sobrevoava o universo da moda com a história de Duda, papel de Malu Mader, escolhida para dar cara e corpo à grife de Alex Kundera, vivido por Cecil Thiré. A paixão da modelo pelo encrencado Lucas, papel de Taumaturgo Ferreira, acaba eclipsada pelo verdadeiro sucesso da novela –o núcleo familiar do pai solo Gaspar, vivido por Nuno Leal Maia, irmão de Alex, com cinco filhos e uma praia permanentemente à sua disposição.


LAURA MATTOS

Brega & Chique

1987. Autor: Cassiano Gabus Mendes. Com: Marília Pêra, Glória Menezes e Marco Nanini. 12 anos

A abertura da novela, com um homem desfilando nu de costas, ao som de “Pelado”, do Ultraje a Rigor, dá o tom de comédia dessa trama antológica das 19h. Duas mulheres, uma socialite, vivida por Marília Pêra, e outra humilde, papel de Glória Menezes, tinham, sem saber, o mesmo marido. Ele dá um golpe que faz com que a rica empobreça e a pobre enriqueça, gerando confusão e cenas hilárias, como a de Marília Pêra andando toda esnobe na feira, até que alguém acerta uma laranja podre em seu casaco de vison.


Caminho das Índias

2009. Autora: Glória Perez. Com: Juliana Paes, Rodrigo Lombardi e Márcio Garcia. 10 anos

Português virou a língua da Índia, e o Brasil passou a falar “are baba”. Herdeira do estilo de Janete Clair, para quem a verossimilhança era um detalhe, Glória Perez mescla os dois países nesse enredo que parte do dilema amoroso de Maya, vivida por Juliana Paes, dividida entre o homem escolhido pelos pais para ela se casar, Raj, papel de Rodrigo Lombardi, e a paixão por um dalit, que, no sistema de casta da Índia, é considerado impuro. Destaque para as cenas de Tony Ramos, no papel de um comerciante indiano, reverenciando vacas, sagradas no país.


Celebridade

2003. Autor: Gilberto Braga. Com: Malu Mader, Cláudia Abreu e Fábio Assunção. 12 anos

O universo de celebridades de todos os escalões é o pano de fundo dessa história marcada por um delicioso antagonismo entre Malu Mader, no papel da ex-modelo e empresária Maria Clara Diniz, e Cláudia Abreu, que vive com sangue nos olhos a invejosa Laura Prudente da Costa. Depois de sofrer por capítulos e mais capítulos, Maria Clara estapeia Laura no banheiro, em uma cena memorável. Boas risadas ficam por conta de Darlene, papel de Deborah Secco, manicure que faz de tudo para ficar famosa.


Laços de Família

2000. Autor: Manoel Carlos. Com: Vera Fischer, Carolina Dieckmann e Reynaldo Gianecchini. 12 anos

Mãe e filha se apaixonam pelo mesmo homem, vivido por Reynaldo Gianecchini, médico jovem e de bom coração. Clássica Helena de Manoel Carlos –o autor dá esse nome às protagonistas–, a mãe, papel de Vera Fischer, que conheceu o rapaz primeiro e o começou a namorar, abre mão da paixão em favor da filha, Camila, vivida por Carolina Dieckmann. O tom dramático se acentua quando a moça descobre ter leucemia, e o tratamento é marcado por uma cena que se tornou histórica na TV, com Dieckmann tendo o cabelo raspado, aos prantos.


Senhora do Destino

2004. Autor: Aguinaldo Silva. Com: Suzana Vieira, Renata Sorrah e Carolina Dieckmann. 10 anos

O que dizer de uma novela com duelos, incluindo tapas, chutes e muito xingamento, entre Suzana Vieira e Renata Sorrah? Por favor, não perca. Quando jovem, Maria do Carmo, vivida por Suzana Vieira, migrou do Nordeste para o Rio de Janeiro com seus cinco filhos pequenos, e, na chegada, teve a caçula, ainda recém-nascida, sequestrada por Nazaré, papel de Renata Sorrah. A mãe passa a vida atrás da filha, até que a reencontra, já adulta, e sem fazer ideia de ter sido sequestrada. Tem de encarar o drama de conquistar seu amor como filha ao mesmo tempo que enfrenta a fúria de Nazaré.


SILAS MARTÍ

A Indomada

1997. Autor: Aguinaldo Silva. Com: Adriana Esteves, Claudio Marzo e Eva Wilma. Livre

Numa sátira da pasteurização do mundo globalizado, Aguinaldo Silva inventou um vilarejo nordestino com hábitos britânicos, levando o five o’clock tea ao sol tórrido dos engenhos de açúcar. Eva Wilma é a vilã Maria Altiva de Mendonça e Albuquerque, talvez um dos maiores papéis de sua sólida carreira. Se não se tornou um clássico como “Tieta”, o enredo é um dos mais deliciosos passados nesses microcosmos de Brasil, uma terra teimosa atolada no passado, construídos pelo autor.


O Rebu

2014. Autores: George Moura e Sérgio Goldemberg. Com: Patricia Pillar, Sophie Charlotte e Tony Ramos. 14 anos

Uma festa de gala, de convidados entretidos com drinques e flertes, para de repente quando um corpo aparece boiando na piscina. Os “whodunnits” não são novidade nas novelas brasileiras, este então menos ainda, porque é o remake de uma trama da década de 1970. A diferença está na forma como o diretor José Luiz Villamarim fez uma releitura noir e arrepiante do enredo com atores muito à vontade em papéis camaleônicos. Nesses meses de confinamento, em que sonhamos com a ideia de uma festa, vale lembrar que toda a ação dos 36 episódios se passa numa noite de esbórnia, com flashbacks elucidando mistérios ao longo do caminho. Os vestidos, a maquiagem, os cabelos permanecem impecáveis, e os drinques, na temperatura exata.


O Rei do Gado

1996. Autor: Benedito Ruy Barbosa. Com: Antônio Fagundes, Glória Pires e Patricia Pillar. 10 anos

Depois da explosão que foi “Pantanal”, na extinta TV Manchete, Benedito Ruy Barbosa se tornou o rei do dramalhão rural nas novelas. Seu rei aqui nasceu entre pés de café para trocar tudo pelo posto de chefão pecuarista, bem num momento em que Brasília ardia em discussões sobre a reforma agrária e o Movimento Sem Terra crescia. Carlos Vereza era um político honesto, Antônio Fagundes era o dono das cabeças de boi e Patricia Pillar se torna a mulher do rei. É mais um retrato de uma época que não acabou. Em tempo, na ressaca das queimadas que arrasaram nossas paisagens, a Globo promete estrear neste ano um remake de “Pantanal” escrito pelo neto do roteirista.


Sassaricando

1987. Autor: Silvio de Abreu. Com: Paulo Autran, Tônia Carrero e Eva Wilma. 10 anos

Esta novela delirante, ótimo remédio para os blues da pandemia, só pode ser levada a sério pelo talento de muitos atores que deixam saudades. Estamos na São Paulo do alvorecer da redemocratização, o trio Rebeca, Penélope e Leonora –Tônia Carrero, Eva Wilma e Irene Ravache– formam uma espécie de “Golden Girls” dos Jardins, solteironas empoderadas à procura de um milionário. Paulo Autran, no papel de Cicinho, é o tal para as três senhoritas em questão. O remake, “Haja Coração”, não chega aos pés. Veja a Tancinha original, uma Cláudia Raia no auge de sua exuberância cômica, e os garotos que a rodeiam, no auge, bem, só da exuberância física mesmo –um Alexandre Frota pré-política e pornô e Rômulo Arantes, talvez o mais belo rapaz a aparecer numa tela de TV.


Vale Tudo

1988. Autor: Gilberto Braga. Com: Regina Duarte, Glória Pires e Antônio Fagundes. 14 anos

Já na abertura, a voz de Gal Costa cantando os versos de Cazuza em “Brasil” dão a entender que nada mudou neste país desde que a maior novela de todos os tempos estreou no fim da década de 1980. Regina Duarte, antes de sua incursão bolsonarista, faz a sofrida mãe da vilã Maria de Fátima, vivida por uma Glória Pires nefasta. Mas não há vilã maior que a Odete Roitman de Beatriz Segall, aqui desfilando impropérios escritos no auge das habilidades do roteirista Gilberto Braga. É um retrato tóxico da mesquinharia da nossa elite embalado no melhor do melodrama.


ÚRSULA PASSOS

Caça Talentos

1996. Autores: Denise Bandeira, Mauro Wilson, Ronaldo Santos e Gilberto Loureiro. Com: Angélica, Eduardo Galvão e Helena Fernandes. Livre

Angélica chegou à Globo com uma novela para si. Ela é a fada Bela, que, como uma espécie de Ariel, a sereia, pode perder seus poderes e se apaixonar. Por Merlim! A novela passava logo após o programa matinal da loira, ou seja, na hora do almoço da garotada. Certeiro. Você, jovem de 30 anos, acaba de fazer o gesto de dedo de uma mão na cabeça e dedo da outra no peito para chamar a magia, não é?


O Clone

2001. Autora: Glória Perez. Com: Giovanna Antonelli, Murilo Benício e Daniela Escobar. 10 anos

Não há garota adolescente do começo dos anos 2000 que tenha passado ilesa às modas da trama de Glória Perez, como a pulseira-anel de Jade, papel de Giovanna Antonelli. A Dolly (a ovelha, e não o refrigerante) ainda estava viva e a Globo já estava clonando o Murilo Benício anos antes de um certo escritor depois laureado com o Nobel criar um romance sobre clones.


Cordel Encantado

2011. Autores: Duca Rachid e Thelma Guedes. Com: Bianca Bin, Cauã Reymond e Bruno Gagliasso. 10 anos

Gravada numa região próxima àquela onde seria feita, em 2016, “Velho Chico”, entre Sergipe, Alagoas e Bahia, a novela dirigida por Amora Mautner tinha visual deslumbrante. O tema do cangaço também está ali. E o vilão, vivido por Bruno Gagliasso, consegue despertar enorme ojeriza ao fazer de tudo para impedir que o casal protagonista, Cauã Raymond e Bianca Bin, fique junto. Dos principais aos secundários, todos os personagens são muito bem pensados e inesquecíveis, como a Ternurinha de Zezé Polessa, o turco Farid de Mouhamed Harfouch e o gago Quiquiqui de Marcello Novaes.


Tieta

1989. Autores: Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn. Com: Betty Faria, Joana Fomm, José Mayer e Reginaldo Faria. Livre

Nada melhor do que acompanhar a afrontosa Betty Faria nesses tempos em que parte do mundo parece querer viver em Santana do Agreste. Não à toa a conservadora da história escrita nos anos 1970 por Jorge Amado se chama Perpétua.


A Vida da Gente

2011. Autora: Lícia Manzo. Com: Fernanda Vasconcellos, Marjorie Estiano e Rafael Cardoso. 10 anos

O clique para o talento estrondoso de Marjorie Estiano veio neste novelão familiar de Lícia Manzo. A atriz vivia uma jovem à sombra da irmã talentosa mas que acaba ficando com seu namorado e com sua filha depois que a irmã sofre um acidente e entra em coma. Isso sem ser vilã. E, claro, a irmãzinha vai acordar. Quer trama mais gostosa que essa?

Por , em 2021-01-07 12:00:00


Fonte guia.folha.uol.com.br



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