os projetos de Santa Catarina que conquistaram o Brasil – [Blog da Solange Pereira]

Entre as ações estão a de voluntários que ajudam a garantir dignidade a idosos na Grande Florianópolis e estudante de Design de Moda que ensina corte e costura no YouTube

O ano de 2020 foi de frustrações e muitos planos adiados. Mas mesmo diante de tantos desapontamentos, houve quem se dispôs a realizar algo em prol do próximo.

Em Santa Catarina, exemplos de solidariedade pipocaram através de projetos voluntários que repercutiram no Brasil e trouxeram novas possibilidades a quem não via saída diante da pandemia do novo coronavírus.

Solidariedade: Willian Ortiz criou um canal durante a pandemia em que ensina costura para ajudar famílias a complementarem a renda – Foto: ensinamento-menino-costureiro-solidariedade

O ND+ reuniu as histórias de Gustavo Maurer, Willian Ortiz e Luiz Felipe Lindenberg, todos da região da Grande Florianópolis, que ajudam a ilustrar essa onda de solidariedade.

Vontade de ajudar

A pandemia trouxe inquietação a Gustavo Maurer, de 21 anos, estudante de Ciências Econômicas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). “Estava mal e precisava tomar alguma iniciativa”, recorda.

Por isso, ele aliou a paixão pelo esporte a uma causa beneficente e criou o “Projeto Ajudar – Florianópolis”.

Um homem entrega uma doação de alimentos a uma mulher. Ele usa camiseta branca e ela um vestidoProjeto Ajudar Florianópolis angariou 150 de cestas básicas para doação a famílias de estudantes da rede pública de Florianópolis – Foto: Divulgação/ND

O estudante arrecadou doações de camisas e artigos esportivos por meio da página do projeto no Instagram, e reverteu os ganhos em cestas básicas, para distribuir a famílias de estudantes das escolas municipais da Capital.

Sentimento parecido viveu Willian Ortiz, que viu a pandemia fazer despertar a vontade de retribuir o apoio que recebeu aos 14 anos, quando começou a estudar moda. Hoje, com 22 anos, criou um canal no YouTube que ensina corte e costura.

Quando era mais novo, não tinha condições de arcar com os custos de estudo. Um dia levei meus desenhos de vestidos para a escola e uma das professoras viu e acabou pagando um curso para mim. Estudei por um ano. Depois, a dona da empresa me deu outro curso, o de Desenho de Moda”, lembra Willian.

Willian olha para a câmera e sorri. Ao lado está um manequim e uma televisãoSolidariedade: Willian quis retribuir a ajuda que recebeu quando era mais novo e criou o canal ˜Menino Costureiro”, no YouTube – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Estudante de Design de Moda na Estácio de Sá, o morador de São José, na Grande Florianópolis, lançou o projeto “Menino Costureiro” em agosto deste ano e já conta com 22 mil inscritos. Em meio as dificuldades deste ano causadas pelo pandemia do novo coronavírus, ele percebeu que poderia ajudar outras pessoas a complementar a renda.

“Lá no começo alguém me ajudou. Pensei que eu teria que retribuir de alguma forma”, ressalta.

Voluntariado desde antes da pandemia

O voluntariado acompanha o técnico e consultor em Segurança do Trabalho Luiz Felipe Lindenberg, de 45 anos, desde a sua infância. Por isso, para ele, ajudar a quem precisa tornou-se para ele algo muito natural.

De Rio Negro, no interior do Paraná, ele conta que seu primeiro trabalho voluntário foi em 1983, quando tinha 8 anos, ao ajudar famílias atingidas por uma das maiores enchentes que assolou a cidade. 

“As famílias estavam morando provisoriamente em um ginásio. Minha avó fazia dezenas de pães e eu os levava de bicicleta. Como reconhecimento, ganhei um passeio de helicóptero no batalhão do Exército. Para uma criança de 8 anos foi um prêmio sem igual”, diz. 

Durante a pandemia, Luiz Felipe organizou uma campanha de doação de fundos para o centenário Asilo Irmão Joaquim, de Florianópolis. Em pouco mais de 15 dias, e com ajuda apenas de amigos e colegas nas redes sociais, conseguiu angariar o valor estipulado.

Uma idosa pinta um desenho religiosos. Ela usa uma touca e um casacoCampanha online criada por Luiz Felipe ajuda idosos do asilo Irmão Joaquim, em Florianópolis – Foto: Divulgação/ND

A entidade sem fins lucrativos existe há 118 anos e cuida, atualmente, de 22 homens e 14 mulheres com idades entre 60 e 98 anos, apenas com doações. O objetivo é garantir segurança alimentar, saúde e dignidade aos idosos atendidos.

Repercussão

Gustavo, ao lado do amigo, o professor da rede municipal Eliomar da Rosa, conseguiram contemplar famílias de quatro escolas no Norte da Ilha de Santa Catarina. Em agosto, entregaram 150 doações de cestas básicas, que somaram uma tonelada e meia de alimentos. 

“Um mês antes da partilha, eu não estava conseguindo dormir direito. Era um número grande de cestas para buscar. Trabalhamos de forma mais intensa, bastante gente fez doação em dinheiro e somou uma importância muito grande”, conta Gustavo.

Projeto Ajudar deve permanecer após a pandemia e grupo quer ampliar as doações para outras famílias – Foto: Divulgação/NDProjeto Ajudar deve permanecer após a pandemia e grupo quer ampliar as doações para outras famílias – Foto: Divulgação/ND

A apreensão fazia sentido, afinal, era uma grande responsabilidade uma vez que o projeto ganhou visibilidade e o grupo recebeu doações de vários estados.

A “vaquinha” online realizada por Luiz Felipe para ajudar o Asilo Irmão Joaquim  também alcançou seu objetivo. Foram arrecadados os R$ 10 mil necessários para cobrir um mês de gastos com carne, leite e derivados. Por isso, a campanha permanecerá no ar até o dia 25 de dezembro.

Voluntária arruma o cabelo de uma senhora no asilo Asilo Irmão Joaquim ajuda idosos e idosas há 118 anos e sobrevive apenas com doações de voluntários – Foto: Divulgação/ND

“Como para mim sempre foi natural ajudar, não existe nenhum sentimento de dever cumprido ou realização, mas uma sensação de estar  fazendo parte de algo significativo para mim e para as pessoas que eu ajudo, mesmo que elas, muitas vezes não me conheçam”, destaca Luiz Felipe.

Comoção e apoio

A ação promovida por Gustavo também ganhou o apoio dos times Figueirense e Avaí. Cada clube doou uma camisa para contribuir. E na onda de solidariedade, outros times de fora do Estado também realizaram doações como o Internacional e o Grêmio. “Sensação de dever cumprido com sentimento de que ainda dava mais”, ressalta o estudante. 

Já na página do Menino Costureiro, Willian conta que a maioria de suas seguidoras é composta por mulheres de faixa etária acima dos 60 anos, de diversos estados do país, sempre muito carinhosas em suas mensagens.  

Uma seguidora de Willian desejando felicidades para eleWillian recebe várias mensagens por dia de apoio e admiração – Foto: Reprodução/Divulgação/ND

“Uma vez apareceu um homem que queria aprender a fazer saia kilt. Todo dia são cerca de 15 mensagens. Uma delas foi ‘vocês me inspira muito. Tenho 50 anos e você me motiva a voltar a costurar’, ler isso é muito gratificante”, completa.

Além de ensinar a confecção das peças, William detalha os tipos de tecido que usa e o valor que gasta em cada produção nos vídeos. Ele também dá dicas para auxiliar na precificação das peças, já que muitas vezes as seguidoras têm dificuldade em traçar um valor justo por seu trabalho.

Planos para o futuro

No próximo ano, Luiz Felipe pretende continuar ajudando o Irmão Joaquim, mesmo que sem campanha virtual. “Vou seguir procurando empresas e grupos dispostos a conhecer o trabalho deles e ajudar de qualquer forma”, afirma.

O Ajudar Floripa também seguirá em 2021. O projeto conta com quatro voluntários, três gaúchos e um paranaense, loucos pelo Internacional de Porto Alegre. Eles pretendem estender as doações a outras famílias de Florianópolis.

Para Willian, o impacto do seu projeto para a própria vida foi ainda maior. Ele pretende transformar o ensino em sua principal atividade.

“Eu pretendo sair do meu trabalho e fazer algo em casa, lançar um curso no futuro. Monetizar o canal e seguir criando conteúdo e ensinando, principalmente”, planeja.



Por , em 2020-12-25 08:00:00


Fonte ndmais.com.br



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