Museu Têxtil, da Holanda, ensina técnica de moulage com cintos de segurança – [Blog da Solange Pereira]

Colocar o tecido sobre um manequim acolchoado e modelar a peça de roupa com as próprias mãos são reconhecidos os passos principais da técnica conhecida como moulage. Tridimensional e com origem na França, o método é usado com frequência para estruturar as criações da alta-costura. Agora, virou foco do mais novo workshop do museu holandês Textiel Museum. Contudo, a matéria utilizada na oficina é inusitada. Em vez de panos, são utilizados cintos de segurança descartados pela indústria automotiva.

Vem comigo!

A estilista francesa Madeleine Vionnet é o poderoso nome por trás da técnica, desenvolvida em meados do século 1920. O objetivo era chegar as medidas exatas de uma vestimenta. Também conhecida como Madame Vionnet, a modelista ganhou reconhecimento por aprimorar o caimento e acabamento das roupas por meio de seus métodos.

A moulage é reconhecida até hoje, sobretudo no segmento de haute couture. Como a coluna já abordou diversas vezes, a categoria imprime sofisticação e exclusividade. As peças de alta-costura exigem alto rigor técnico e são feitas à mão, sob medida e somente em Paris. Geralmente, são confeccionados vestidos, casacos ou itens de alfaiataria, usados em eventos de gala e red carpets.

Com a finalidade de ensinar a técnica e estimular a criatividade dos alunos, designers e estilistas, o Textiel Museum anunciou um workshop especial. “Moulage significa literalmente moldar. Nesse caso, representa a modelagem da roupa em um corpo ou manequim”, introduziu.

Moulage com cintos automotivos
O museu holandês Textiel Museum anunciou workshop com cintos de segurança

 

Moulage com cintos automotivos
O objetivo é reaproveitar o material que seria descartado pela indústria, ensinar as técnicas, história e, é claro, estimular a criatividade dos inscritos

 

Além de aprender as técnicas para realizar a moulage, os alunos serão apresentados à teoria básica da tecelagem. Para começar a colocar o conteúdo em prática, os inscritos utilizarão um material inusitado: cintos de segurança de carros.

A oficina será realizada presencialmente no museu holandês e as inscrições são destinadas aos estudantes de moda ou da área têxtil. Quem atender aos pré-requisitos e se interessar, pode solicitar a inscrição pelo site.

Cinto de segurança está na moda

Não é raro encontrar produtos, principalmente pequenos acessórios, inspirados em cintos de carros. Um exemplo foi o cinto industrial lançado pela Off-White. O acessório aclamado da marca de Virgil Abloh é a cara da cena urbana e entrou na lista dos itens mais vendidos de 2018, segundo a plataforma Lyst.

O modismo também chegou ao Brasil e foi lançado pela varejista Renner. O item, que fez sucesso por aqui, carrega a estética do cinto de segurança. O produto de nylon chamou atenção pela cor vermelha com a estampa “Supere”.

 

Além da estética, cintos foram reciclados pela Hyundai para coleção de moda com peças descartadas de carros. O lançamento faz parte de um projeto sustentável da empresa automobilística. Para a segunda edição, as peças foram o material base para uma bolsa. Na mesma iniciativa, um dos designers convidados em nome da marca Public School desenvolveu um colete multifuncional, feito com cintos de segurança e materiais de airbags que iriam para o lixo.

O resultado da peça tem transparência e costuras rústicas com filamento vermelho. As vendas dos produtos levantarão fundos para o Instituto de Moda Positiva, do Conselho de Moda Britânico (British Fashion Council, ou BFC, na sigla original). O objetivo é encorajar a colaboração entre indústrias e marcas para defender um novo pensamento e inovação em design ecológico.


Colaborou Sabrina Pessoa



Por , em 2020-12-18 15:30:00


Fonte www.metropoles.com



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