O que é a coleção Métiers d’Art da Chanel? – Revista Marie Claire – [Blog da Solange Pereira]

Desfile Chanel Métiers d’Art 2019/2020, o primeiro de Virginie Viard (Foto: Divulgação)

Temporada de coleções Cruise, semanas de moda bianuais pelas principais capitais do mundo, os desfiles de alta-costura. O calendário anual de moda é cheio de acontecimentos já conhecidos de muitos. No entanto, no final do ano, meses depois das apresentações de verão no hemisfério Norte, uma única marca arma um dos desfiles mais especiais e únicos do ano: é a Chanel com sua coleção Métiers d’Art. 

Mas afinal, o que são os “métiers d’art”? Em francês, “métiers d’art” significa “profissões de arte”, o nome dado ao desfile da coleção pre-fall da Chanel, apresentado todos os anos em dezembro, que homenageia os ateliês que a marca começou a comprar em 1984, com o objetivo de preservar a expertise e artesanato de moda de luxo.

Detalhe dos botões feitos pelo ateliê Desrues (Foto: Divulgação)

Detalhe dos botões feitos pelo ateliê Desrues (Foto: Divulgação)

Bordados do ateliê Montex, que entrou para Paraffection em 2011 (Foto: Divulgação)

Bordados do ateliê Montex, que entrou para Paraffection em 2011 (Foto: Divulgação)

Esses ateliês se tornaram fornecedores da marca e produzem desde botões, chapéus, sapatos, plumas, flores de tecido, cashmere, entre outros componentes das roupas e acessórios da Chanel. Um dos mais famosos é o ateliê Lesage, de bordados, que fornece para grandes maisons e já trabalhou com estilistas como Cristobal Balenciaga e Elsa Schiaparelli. Mas há também outros como o Desrues, que produz botões personalizados e bijoux. Por mais que a maioria esteja localizada na França, há outros muito longe do QG da maison como é o caso do Barrie, especializado em cashmeres, na Escócia. 

Bijuterias feitas pela maison Gossens (Foto: Divulgação)

Bijuterias feitas pela maison Goossens (Foto: Divulgação)

Bordado do ateliê Lesage (Foto: Divulgação)

Bordado do ateliê Lesage (Foto: Divulgação)

Depois de comprar alguns ateliês, em 1997, a Chanel estabeleceu a Paraffection (uma flexão da expressão francesa “par affection”, que significa “com amor”), uma subsidiária que engloba todos os ateliês comprados pela marca. As oficinas especializadas continuam sendo independentes e, portanto, são livres para fornecer e colaborar com outras casas e não apenas exclusivamente para a Chanel. Hoje, ao todos, são 12 ateliês que fazem parte do grupo.

Suéter de cashmere da Barrie Knitwear, produtor escocês de cashemere da maison (Foto: Divulgação)

Suéter de cashmere da Barrie Knitwear, produtor escocês de cashemere da maison (Foto: Divulgação)

Entre couture e ready-to-wear

As criações da coleção Métiers d’Art são consideradas um meio termo entre o prêt-à-porter e a alta-costura. Embora as roupas não sejam feitos sob medida, como é o costume da couture, a ornamentação e habilidade por trás das roupas dependem de técnicas de alta costura, executadas pelos ateliês com precisão e técnicas que misturam conhecimentos ancestrais e tecnologia avançada. 

Desfile Paris-Byzance, feito em Paris em 2010 (Foto: Divulgação)

Desfile Paris-Byzance, feito em Paris em 2010 (Foto: Divulgação)

A ideia de criar uma coleção em homenagem ao ateliês e um desfile de alto luxo para apresentá-la foi de Karl Lagerfeld, então diretor criativo da marca, que armou o primeiro Métiers d’Art em 2002, em Paris, fora do calendário de coleções da moda, como uma coleção de prévia antes do outono-inverno. Karl também inaugurou uma tendência no mercado de luxo de se criar pré-coleções, hábito que perdura até hoje.

Plumas são a especialidade do ateliê Lemarié (Foto: Divulgação)

Plumas são a especialidade do ateliê Lemarié (Foto: Divulgação)

Assim como os desfiles Cruise, a cada ano, a Chanel se volta para uma cidade diferente para homenagear os ateliês, costurando com histórias do passado da maison e sua fundadora. Os desfiles já foram feitos em locais como Edimburgo, Nova York, Xangai, Salzburgo, Dallas e, claro, Paris.

As coleções sempre incorporam detalhes referentes aos locais escolhidos para o desfile, misturando tradição com inovação. É o caso do desfile Paris-Hamburg, de 2017/2018, que usou a arquitetura da cidade alemã e sua história marítima em bolsas noturnas que se assemelhavam a contêineres ou bóias. Em 2014, criou bolsas em forma de bonecas russas para o desfile Paris-Moscou.

A bolsa-contâiner do desfile Paris-Hamburgo, de 2017 (Foto: Divulgação)

A bolsa-contâiner do desfile Paris-Hamburgo, de 2017 (Foto: Divulgação)

Desfile Métiers d'Art de 2017/2018, homeageou Hamburgo. Aqui, look de tweed, carr-chefe da Chanel (Foto: Divulgação)

Desfile Métiers d’Art de 2017/2018, homeageou Hamburgo. Aqui, look de tweed, carr-chefe da Chanel (Foto: Divulgação)

Em 2019, Virginie Viard (que assumiu a Chanel depois da morte de Karl Lagerfeld no mesmo ano) apresentou sua primeira coleção Métiers d’Art como diretora criativa. Inspirada nos apartamentos de Mademoiselle Chanel, para o desfile, a marca reproduziu os cômodos dentro do Grand Palais, em Paris.

Backstage do Métiers D'art 2019, desfilado em Nova York e  inspirado nos símbolos estéticos egípcios  (Foto: Divulgação)

Backstage do Métiers D'art 2019, desfilado em Nova York e inspirado nos símbolos estéticos egípcios (Foto: Divulgação)

Karl Lagerfeld em seu último show Métiers d'Art, em 2018, em Nova York (Foto: Divulgação)

Karl Lagerfeld em seu último show Métiers d’Art, em 2018, em Nova York (Foto: Divulgação)

Neste ano, o desfile acontece no Castelo de Chenonceau, no Vale do Loire, na França, sem público por conta da pandemia na quinta-feira, dia 3 de dezembro. O evento marcará o 19o aniversário das coleções Métiers d’Art, o segundo comandado por Virginie Viard.

Chanel Métiers d'Art 2019/2020 (Foto: Divulgação)

Chanel Métiers d'Art 2019/2020 (Foto: Divulgação)



Por , em 2020-12-03 04:46:36


Fonte revistamarieclaire.globo.com



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