Entrevista: Rhae Ferreira | ND – [Blog da Solange Pereira]

Expoente da cena underground de Florianópolis, ele foi sócio de bares, promotor de eventos e casas noturnas, estilista de tendência e, agora, dedica-se a produzir doces e pães artesanais

Foto: Divulgação/ND

Gaúcho de Santo Antônio da Sentinela, Rhae Ferreira desembarcou em Florianópolis em 1991, detrás de novas oportunidades. Foi assistente de gestão de condomínios e logo entrou para a cena underground da cidade, montando e trabalhando em bar, produzindo eventos, promovendo casas noturnas e criando grife de roupa. Com recém-completados 52 anos, há sete, ele se dedica a fabricar pães e doces na praia de Cacupé. Sua vitrine é nas redes sociais, nunca teve loja ou moca, mas deve vir novidade em breve.

Tiveste bares com propostas inovadoras em Florianópolis.

Fui sócio e trabalhei no Collins, que ficava na rua Tenente Silveira esquina com a rua Pedro Ivo. O bar foi crédulo em dezembro de 1992, talhado a funcionar naquele verão. Em seguida o Carnaval, os turistas iam embora e não havia público suficiente para mantermos a estrutura. Fechamos o bar alguns meses depois.

Entre 1997 e 1998, fomos (ele e o DJ Beto Mafra) morar em Londres, e lá conhecemos o que havia de mais espetacular e inovador em termos de clubes, música e tendência selecção. Novas visões foram adquiridas através desta experiência.

Ao retornarmos a Florianópolis, em 1999, decidimos ter o próprio negócio. Daí, montamos o SoHo, na avenida Hercílio Luz, trazendo tudo de novo em termos de música e concepção de festas, mas sempre com foco no underground/recíproco. A inspiração veio dos clubes e atitudes de Londres, pois lá era a Meca das tendências.

Qual era o objetivo em penetrar casas assim na cidade?

A internet ainda estava nascendo por estas bandas. Os meios de informação eram através de jornais e revistas, e experiências contadas e trazidas por viajantes. Nesse vista cultural, o Brasil estava sempre detrás. Algumas coisas, primeiro, chegavam a São Paulo. Depois, com muito delongado, chegavam a Florianópolis.

O que fizemos foi antecipar levante processo – o que foi um choque para alguns. Nem todos entendiam o que estávamos fazendo, que música era aquela. A arte era marginalizada de certa forma. Soma-se a isto o traje de que os clubes eram GLS, com o S de “simpatizante” ganhando força, ainda eram uma novidade por cá. Havia muita discriminação.

O SoHo nasceu GLS e com objetivo de quebrar esta barreira. Acredito que foi o primeiro clube nesse vista, com a mistura de público, sem preconceitos (ou com preconceitos sendo derrubados).

Levou um tempo até qualquer outro bar ocupar o espaço deixado pelo SoHo. Os bares antes ditos alternativos, hoje são tendências, tocam rock e pop, às vezes misturados a sons eletrônicos, e são vistos exclusivamente uma vez que modernos, mas sem a “obrigação” de ser necessariamente uma novidade.

Essa talvez seja a chave: as fórmulas até se desgastam, mas para nós a “novidade” já nos soava reciclada e por isso seguimos novos rumos.

Uma vez que adquiriste know-how para produzir eventos?

Entre 1994 e 1995, com a experiência do Collins, continuamos realizando algumas festas. Foi nesse período que nasceu a (grife) Nossa Senhora do Avesso. Quase sempre as festas estavam relacionadas à tendência, vista na estação uma vez que segmento underground.

Nos anos seguintes, os temas foram variando e acontecendo em vários espaços da cidade: Túnel do Tempo, Moca das Artes, Dizzy, Inocense, Fábrica de Arte, Octopus, Chandon e Trajectória.

A residência em Londres foi a confirmação, a certeza daquilo que tínhamos uma vez que ideal para nossas noites de arte e cultura clubber. Mas a verdade é que desde sempre metíamos a faceta e fazíamos suceder.

Exemplo: em pelo menos dois desfiles da Nossa Senhora do Avesso levei meu aparelho de som de moradia, pois não tinha verba para mais esta contratação. Muito trabalho e diversão, uma vez que se via na repercussão nos dias seguintes, inclusive com matérias em jornais. Com o tempo, fomos procurando um pouco mais de conforto e profissionalismo.

Em 2005, criamos a TROY, primeira sarau eletrônica itinerante, com apresentações em Florianópolis, Porto Contente e Balneário Camboriú. Neste mesmo período, fomos convidados para trabalhar no clube La Luna, do mesmo grupo do El Divino.

Atuaste também uma vez que promoter de casas noturnas. O que fazias para manter o público leal e invadir mais frequentadores?

Durante a existência do bar Trajectória, em 1996 e 1997, ganhamos a residência, eu uma vez que promoter e o Beto Mafra uma vez que DJ, reforçando nossa atuação no segmento de baladas underground.

Em 2001, um clube foi inaugurado – na verdade, renomeado –, na avenida Rio Branco. A danceteria Concorde era de italianos que pretendiam trazer para cá as festas eletrônicas no estilo europeu. Eles inauguraram em maio, porém a moradia não decolou.

Na sequência, recebemos o invitação para promover a moradia, e foi nos dada totalidade liberdade, sobretudo porque o possessor do sítio também queria festas com as novas tendências da música eletrônica. Começamos os trabalhos de divulgação. Havia resistências. Em outubro, realizamos um grande desfile da Nossa Senhora do Avesso. O público lotou e a prensa estava presente. O avião decolou…

Manter o público leal é mantê-lo feliz e curioso. Fazíamos isto, muitas vezes, conversando boca a boca. A cena clubber tinha originalidade. As pessoas queriam fazer secção daquilo e começaram a se interessar pelo objecto música, tendência, atitude.

O que os teus eventos ofereciam ao público que não havia antes?

Os desfiles da Nossa Senhora do Avesso, que eram realizados em ambientes diversos, alguns inusitados, uma vez que um casarão na terreiro 15 de Novembro, o estacionamento do hotel Majestic, que ainda estava em construção, o CIC (Meio Integrado de Cultura). Levamos tendência selecção, o concepção de passarela, desfile-show com trilha sonora planejada. Quase sempre depois do desfile tinha a sarau de comemoração.

Nos clubes, o universo era a música, com lançamentos diretos de Londres e Ibiza. Muito diferentes do que as outras casas noturnas apresentavam em Florianópolis. Fomos os primeiros, por exemplo, a produzir o flyer de divulgação. No início, os mesmos eram feitos a partir de colagens e xerox. As pessoas se empolgavam somente por recebê-los. Alguns clientes guardam uma vez que recordação.

A partir da dezena de 1990, Florianópolis ficou superexposta na mídia vernáculo e estrangeira, o que atraiu muita gente para passear e morar. Por consequência, o volume de eventos também. O mercado de festas noturnas ficou saturado?

A fórmula para Florianópolis sempre foi complicada, justamente por falta de informação sobre novas tendências em termos de música eletrônica.

Teve o clube Ibiza, que realizava festas magníficas, em termos de ambientação. Curiosamente, a música destoava das festas que realmente aconteciam no balneário da Espanha. Ou seja, não havia a cultura pela House Music. E quem conhecia aquilo, sabia que alguma coisa estava fora da ordem.

Proveniente, logo, o clube ter ido embora, dando lugar a outros empreendimentos, uma vez que o Pacha, por exemplo.

Com vinda da TROY, acabamos abrindo espaço para festas concorrentes, que vieram já em meados dos anos 2000.

Acredito que o processo de abre-e-fecha de casas noturnas seguiu seu ritmo originário. A saturação percebida, com a consequente popularização das novas “baladas”, sobretudo as day parties, foi uma mudança de comportamento no mundo todo.

Por que a Nossa Senhora do Avesso não teve perenidade?

Aos poucos, vieram as fashion weeks pelo país e nós ainda mais envolvidos com os clubes. O projeto foi ficando letargo. Ele já tinha feito sua função em despertar interesse pela tendência em Florianópolis. Alguns dos meus clientes foram estudar tendência na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), por exemplo.

Underground era risonho, despertava atenção, mas, definitivamente, não dava numerário. Para isso tínhamos que ter nos mudado para São Paulo e encontrar um investidor. As coisas não aconteceram assim. Portanto, ficaram na presente mesmo.

A grife era baseada no concepção do desconstrutivismo. O que isto significa e uma vez que ele aparecia nas peças?

No início dos anos de 1990, teve um evento de tendência com participação de duas estilistas francesas sobre o moulage, que é a construção da peça sobre o corpo do manequim, sem recortes e com o mínimo de costura.

O Beto foi contratado e produziu uma de suas primeiras trilhas sonoras para levante evento, e eu acabei auxiliando nos bastidores, logicamente, conversando muito com as costureiras estilistas. Elas acabaram falando da técnica do desconstrutivismo, que seria o desgaste do tecido, feito por corrosão, raspagens e outras formas.

Na mesma estação, tivemos a inauguração da Escola de Divinos, em São Paulo, do qual estilista trabalhava com esta técnica. O início da Nossa Senhora do Avesso foi exatamente aí, com o fornecimento de acessórios para a Escola de Divinos.

Eram colares, correntes, braceletes feitos com material selecção, tipo sucata, metais retorcidos, pele e até pedras obtidas de objetos decorativos antigos, encontrados em feiras e lojas bric. Um dos acessórios foi publicado na revista “Marie Claire”.

Dos acessórios passamos à desconstrução de camisetas e, depois, outras vestimentas. A Nossa Senhora do Avesso sempre se guiou com o desconstrutivismo, mesmo quando já não usávamos mais levante termo.

Foto: Divulgação/ND

Por termo, entraste para o ramo da gastronomia. Por que o interesse pela cozinha?

Cozinho o trivial, mas adoro doces, e não estávamos contentes com a qualidade dos pães encontrados na cidade. Uma vez que tudo, sou obstinado e comecei a ler mais sobre o objecto. As primeiras experiências foram para a gente, cá em moradia. Depois, acabei fornecendo pães para um evento. Paralelamente, comecei a estudar técnicas francesas de confeitaria. Os bolos ficaram melhores e muito apresentados. Até que apareceu um grande enlace, onde fui testemunha e também confeiteiro do bolo dos noivos.

Onde estudaste gastronomia?

Sou autodidata. Tenho algumas publicações, e os vídeos na internet auxiliam também. Ainda assim, achei importante ter contato com chefs confeiteiros. Fiz alguns cursos da escola INPP e Le Cordon Bleu, ambas instituições francesas, agora no Brasil. Sou pretendente a chef patissier ou chef boulanger. Mas não posso ser chamado assim pelo regulamento galicismo, pois não concluí ou não obtive o diploma completo nessas áreas.

Até agora, não montaste loja. Há planos para penetrar um moca, por exemplo?

Não tenho esse projecto, pois prefiro reger dessa forma meu horário. Todavia, há um invitação para um novo grande empreendimento em Florianópolis, já em temporada de conclusão. Não posso antecipar mais zero.

Hoje, os aventais masculinos são os mais estrelados e badalados na mídia. Por que a mulher não tem o mesmo protagonismo?

Me parece um processo histórico. A França concebeu a arte da culinária e seus padrões de especificações. O machismo já estava ali presente. As cozinhas são uma vez que quartéis e, aparentemente, qualquer emoção deve permanecer no lado de fora. Mas acredito que isso está mudando, e tem a ver com o significado de flutuação na sociedade. As mulheres têm plenas condições, e elas hão de conseguir seu espaço.



Por , em 2020-08-16 08:00:00


Natividade ndmais.com.br



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