Setor de serviços reage no DF e cresce acima da média nacional – [Blog da Solange Pereira]

postado em 15/08/2020 07:00


(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Em junho, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) da Companhia de Planejamento do Província Federalista (Codeplan) apontou desenvolvimento de 6,6% no setor — o índice está supra da média pátrio, que registrou subida de 5%, segundo o IBGE. Os dados do DF mostram que, em 12 meses, o segmento apresentou queda de 5,7%. Os números são revérbero da pandemia do novo coronavírus, que afetou diversos ramos da economia. Em relação ao mesmo mês, em 2019, os serviços de informação e notícia tiveram a menor baixa. Possivelmente, a adesão ao regime de teletrabalho e a realização de aulas, cursos e consultas médicas virtuais aumentaram a procura por esse tipo de atividade.

Segundo a Codeplan, o segmento com pior performance do período foram os serviços prestados às famílias, que tiveram uma variação negativa de 55,4%. Essa atividade acumula quedas sucessivas. Os demais serviços de profissionais, administrativos e complementares; transporte, serviços auxiliares ao transporte e correios; e outros tiveram queda de 11,1%, 39,6% e 2,8%, respectivamente, no mesmo período de confrontação.

O presidente da Federação do Transacção de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio), Francisco Maia, destacou o desenvolvimento dos serviços de entrega e assistência em morada. “Muitos são profissionais autônomos, que cuidam de jardim, piscina, informática. Esse setor não sofreu tanto quanto o negócio varejista. E a retomada dele é mais rápida”, explicou. Segundo ele, o ramo de serviços é o que mais fatura no DF e tem peso na economia maior do que o a indústria. “Algumas empresas tiveram dificuldade para conseguir crédito, e vão se restaurar mais lentamente. Os outros são profissionais autônomos, que, à medida que as atividades voltam, começam a se restaurar”, afirmou Maia.

Queda

A recuperação levantada pela Codeplan, no entanto, não foi sentida pela empresária Viviane Urbano, 40 anos, dona do Viviane Urbano Cabelo e Maquiagem, no Sudoeste. Ela contou que, com a pandemia, o movimento do salão de formosura caiu 70%. O número, segundo ela, está aquém das expectativas desde a reabertura do negócio. “É terrificante. Esperávamos uma volta melhor. Sexta e sábado costumavam ser os dias com mais movimento. Agora, as clientes procuram mais atendimento em dias da semana. Acho que vai estrear a voltar quando o número de casos desabar no DF. As pessoas não se sentem seguras”, disse. O estabelecimento dela segue os protocolos de segurança, porquê atendimento com horário marcado, distanciamento das cadeiras, álcool em gel à disposição, funcionários com máscara e luva, entre outros.

Para atrair a clientela, a empresária oferece promoções. Mas, até agora, a estratégia não funcionou. “Não é isso o que as clientes estão procurando. Todas estão em procura de proteção. Quem vem pela primeira vez e vê a estrutura sente-se mais segura. Quem não vem acha que está tudo lotado”, lamenta Viviane. Antes, ela atendia a várias pessoas, simultaneamente. Agora, é uma por vez. “Nem digo que atendemos em horário mercantil, porque nos colocamos à disposição do cliente. Se ele pode às 21h, estaremos cá para atendê-lo. Precisamos de fluxo. Não tem mais feriado, zero. Precisamos trabalhar”, ressaltou a cabeleireira. A previsão dela é de que o movimento ganhe força a partir de novembro.

Em tempos normais, a Maria Joaquina Esmalteria, na Octogonal, abre todos os dias. Com a pandemia, há uma graduação. Por se tratar de um serviço não forçoso, a procura está aquém do esperado. “As pessoas estão com receio de contratar serviços em que precisem transpor de morada. A retomada será mesmo gradual. Por motivo do momento, diminuímos o atendimento para reiniciar aos poucos”, conta a empresária Tatiane Bottesini, 43. A empresa adotou o slogan “Eu Cuido e Você Cuida de Mim” para substanciar os protocolos de segurança e prometer o cumprimento das novas regras. “A gente precisa passar para as clientes que estamos seguindo tudo certinho. Fazemos isso pelas redes sociais. A minha expectativa é de que tudo comece a voltar nos próximos dois meses”, estimou.

Dados do Sindicato dos Salões, Institutos e Centros de Formosura, Estética e Profissionais Autônomos do DF (Simbeleza) mostram que o movimento dos estabelecimentos do setor é de 40% do que era antes da pandemia. “O número é grave, e isso gera insolvência. Tem estabelecimento que não consegue sobreviver com isso. Muitas não têm receita para remunerar as contas, têm contas em desimpedido. Esperamos que haja melhora do movimento nos próximos meses”, disse o presidente da entidade, Célio Paiva. No DF, tapume de 120 empresas do ramo fecharam na pandemia. “Algumas conseguem sobreviver por mais dois, três meses, no sumo, se o movimento não melhorar”, acrescentou.

Preocupação

Para a modista Maria Soares, 53, o sentimento é de insuficiência. Segundo ela, as clientes não saem mais de morada. “As minhas contas estão atrasadas. Tentei empréstimos de todos os tipos para tentar me manter, mas negaram duas vezes. Prometeram facilitar, mas não cumpriram. Infelizmente, estou quase fechando a loja. Não mudou zero de quando estava fechado”, reclamou.

Moradora da Octogonal, a aposentada Juraci Rosa de Lima, 72, não vai para a rua desde o início da pandemia. Mesmo com o funcionamento da maioria das atividades, ela prefere manter o isolamento social. “Não tenho nenhuma comorbidade, mas estou receosa. O número de casos e de mortes me assusta. Estou cuidando de tudo de morada, mesmo. Faço as minhas unhas em morada, do jeito que dá. Melhor a cutícula incomodando do que malparar a vida”, destacou.

A arquiteta Aline Morais, 30, tem visitado alguns estabelecimentos. Mas tem porquê critério os protocolos de segurança do sítio. “Eu ligo antes para saber se tem tudo que garanta minha segurança. Mede temperatura? Tem álcool em gel? Todos estão de máscara? Se a resposta for ‘sim’ para tudo, eu vou. A pandemia não acabou. Saio para o que é necessário e para onde me sinto segura. Não é hora de malparar”, afirmou.

Por , em 2020-08-15 07:00:00


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