A retrosaria com “os melhores tecidos de Viseu” – [Blog da Solange Pereira]

É difícil escolher o tecido notório. Ao entrar, o olhar começa a passear por entre o puzzle de tecidos que forra as paredes. Uma cor esbranquiçada, “meia bege”, interrompe o esfolhear daquele catálogo vivo. Pousados sobre uma prateleira do fundo, “temos os linhos”. Um tecido da tendência que dava “um belo de um vestido”. É o que pensa Catarina Almeida, proprietária da Mavimodas, sempre que sai uma novidade coleção.

 

Tudo começou com José Pereira, “um senhor espargido na cidade”. Na dez de 50, a vivenda Mavimodas abriu portas na cidade de Viriato. Uma história de mais de meio século que nem sempre passou pelos tecidos. “Quando o meu pai comprou e ficou com o negócio, a loja já devia ter 25 ou 30 anos nas mãos dele. Depois, ele esteve cá durante 36 anos”, recorda a atual proprietária.

 

Há murado de dois anos, os tecidos da Mavimodas chegaram às mãos de Catarina Almeida, filha do idoso proprietário. Sem hesitar, decidiu dar perpetuidade ao negócio de família. Cresceu por entre o mundo da retrosaria e, desde cedo, mostrou vontade de preservar “estas lojas que nunca se podem perder”. “Eu cresci cá, ia para a escola e vinha para cá. Tinha que estudar cá, fiz muitos trabalhos de vivenda neste balcão”, conta, enquanto remexe nas coisas.

 

Agora é só retrosaria e fazendas, mas nem sempre foi assim. A proprietária começa a desfiar memórias. Havia tapetes, arcas que se usavam para vigilar o enxoval, “daquelas que as avós ainda têm em vivenda”. Alguma confeção já morava nas prateleiras. Os tecidos eram poucos. Zero poderia prever que iria ser “o poderoso da vivenda”.

Ao seu lado, detrás do balcão, está Maria Isabel Loureiro, com 30 anos de vivenda. As prateleiras e os balcões podem não ser os originais, mas “eu, já faço segmento da mobília há muito tempo”. Entre recordações, destaca o movimento de antigamente. “Eramos três funcionários e havia mesmo muito movimento. Era uma loja enxurrada de movimento. Um verdadeiro entra e sai”, lembra a funcionária.

Naquela estação, tudo era feito à medida. Vendiam-se metros e metros de tecido. “Uns anitos mais tarde”, a chegada do pronto a vestir arrumou muitas agulhas na gaveta. “Antigamente, não havia onde comprar, tinha que se mandar fazer. Ao longo do tempo foi aparecendo muita oferta do pronto a vestir e o mandar fazer caiu um bocadinho”, admite a proprietária.

Hoje em dia, as montras e prateleiras abrigam tecidos de todas as cores e feitios. Rendas, sedas, viscoses, algodões, linhos, materiais para bordados, crochet. Para “completar o kit”, há as linhas de costura, galões, linhas de bordar, fechos, agulhas, fita métrica. “Porquê dizem, cá é uma vez que na farmácia, cá encontra-se de tudo”, diz, entre gargalhadas.

As opções são imensas. Assim uma vez que a qualidade e boa disposição “de quem cá está”. “O que distingue cá esta loja é o atendimento personalizado e a simpatia. Acho que é a imagem de marca”, confessa, com um cintilação no olhar.

É uma vivenda onde se procura saber o cliente, o seu sabor pessoal e “ajudar a escolher a melhor opção”. Um bom resultado é o sigilo da Mavimodas. Alguns tecidos “não se encontram em mais lado nenhum. São muito bons, os melhores de Viseu”, refere.

Alguns clientes vão entrando e saindo, atraídos pelas cores que avistam lá de fora. Outros já conhecem os cantos à vivenda. “Nós temos os nossos clientes muito certos, mas temos também quem passam cá por contingência. Vêm cá muitos espanhóis. Passam por cá e ficam fascinados com os tecidos que temos. É muito satisfatório”, confidencia a proprietária.

A chegada da pandemia significou um adoçar do movimento, “mas houve sempre pessoas a entrar”. Dias antes de fechar, em março, a retrosaria não tinha mãos a medir. “Muita gente veio buscar linhas de crochet, tecido para ponto de cruz e materiais para trabalhos manuais”, revela.

No término da quarentena, a corrida foi outra. Não havia elástico e tecido para máscaras que chegasse. “Na primeira semana, o elástico vinha de manhã e à tarde já não havia”, conta.

A opção de mandar fazer à medida não se pode perder, “porque nem sempre se encontra aquilo que se quer no pronto a vestir”. Com o pensamento no porvir da retrosaria, Catarina Almeida revela o libido de passar o negócio a um dos filhos. “Ficava muito contente”, remata.

 

Por , em 2020-08-15 03:00:00


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