Serão os desfiles 3D o futuro das apresentações virtuais? – Vogue – [Blog da Solange Pereira]

Looks do desfile 3D da marca congolesa Hanifa (Foto: Divulgação)

Quando a pandemia pegou o mundo de surpresa muitas indústrias precisaram readaptar o seu modo de trabalho, entre elas, a da voga. Desfiles e eventos de lançamento de coleções, antes sempre presenciais, tiveram que rapidamente ser repensados. Com pouco tempo e nem tanta expertise tecnológica, muitos optaram por modelos mais familiares, uma vez que streaming de desfiles ou vídeos mostrando o backstage da geração. Desde logo, Paris, Londres e Milão, semanas que tiveram versões digitais na última temporada, decidiram que os desfiles de setembro serão presenciais novamente. (A semana de voga de Novidade York pretende realizar a maior secção de sua programação virtualmente).

Paralelamente e fora dos calendários mais tradicionais, algumas marcas se destacaram investindo em desfiles 3D. Uma das pioneiras foi a Hanifa, comandada pela congolesa Anifa Mvuemba, em maio. Através de uma live no Instagram, que acabou viralizando, a coleção foi apresentada com roupas digitais em movimento. Depois do evento, estavam disponíveis para compra em versão não virtual.

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Look do desfile virtual da Another Place (Foto: Divulgação)

Já a semana de voga de Helsinki, que aconteceu no termo de julho, desenvolveu e vendeu versões digitais (em edição-limitada) das peças apresentadas – mais tarde também disponíveis para pre-order em versões físicas. Um evento privativo dentro da HFW, batizado The Fabric of Reality reuniu os desfiles 3D.

Para desenvolver esse tipo de evento, o processo criativo não é muito dissemelhante do tradicional: é preciso mandar moldes com anotações para modelistas digitais, fazer provas, editar os looks, escolher modelos, trilha sonora e locação. Simples que quando o desfile é do dedo as possibilidades são mais amplas. Durante a HFW, alguns dos cenários incluíram o fundo do mar, um envolvente com flamingos gigantes e uma igreja localizadas nas nuvens.

Cá no Brasil, quem se aventurou no formato foi a Another Place comandada por Rafael Promanação, que optou por fazer uma coleção completamente 3D com a ajuda de um artista especializado. “Além de atender todas as medidas de segurança necessárias durante a pandemia, há um fator econômico muito bem-vindo nisso ao evitar, por exemplo, o desperdício e repilotagem, já que consigo trabalhar a modelagem, caimento do tecido, estampa e cores direto no 3D, com simulações muito próximas da veras”, ele diz. No caso de sua marca, as peças estão sendo produzidas sob demanda, algumas delas já disponíveis no e-commerce próprio.

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Desfile virtual da americana Elle B Zhou (Foto: Divulgação)

Perito em modest clothing, a marca americana Elle B Zhou escalou um time de éxpert ao volta do mundo para chegar no resultado final esperado, com colaboradores na Coreia, Canadá e Ucrânia. Cada um foi responsável por uma secção específica do projeto, uma vez que a animação da protótipo ou o desenvolvimento dos tecidos. “Produzir uma coleção 3D é muito mais multíplice do que as pessoas imaginam. Cada pormenor precisa ser visto e revisto, uma vez que por exemplo, uma vez que uma estampa se movimenta quando o corpo se mexe. Se um tecido é transparente você precisa concertar o proporção de transparência, se for seda precisa do remate claro”, diz a estilista. Mas ela garante que todo trabalho vale a pena, e a marca já prepara seu próximo desfile 3D, para lançar a coleção de verão. “Vamos ainda mais longe, com mais detalhes, desta vez quero explorar bordados”, ela adianta.



Por , em 2020-08-13 06:30:00


Natividade vogue.mundo.com



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