Refugiada eritreia sobrevivente de abuso sexual recebe apoio para recomeçar vida na Suécia – [Blog da Solange Pereira]

A refugiada eritreia Samrawit, de 20 anos, foi torturada, espancada e estuprada por quase dois anos na Líbia. Samrawit deixou a Eritreia depois a partida de um parente próximo que, temendo por sua vida, fugiu do lista militar. Sem família no país, ela também decidiu fugir. Mas foi sequestrada e levada por traficantes de pessoas para uma cidade no Sudão, perto da fronteira com a Líbia.

Em outubro de 2019, Samrawit foi levada para Ruanda junto com outros 123 refugiados que estavam detidos na Líbia. Hoje, Samrawit está reassentada na Suécia e faz segmento do programa de reassentamento do ACNUR para refugiados altamente vulneráveis. Leia a reportagem completa.

A refugiada eritreia Samrawit* trança os cabelos de sua amiga no Meio de Trânsito de Emergência do ACNUR em Gashora, Ruanda. Foto: Alissa Everett/ACNUR

Samrawit* olha para longe enquanto uma ligeiro brisa agita o lenço ao volta de seu rosto. Ela se abraça com força enquanto uma rajada de vento sopra do Lago Mirayi, em Ruanda.

A refugiada eritreia, de 20 anos, está em um envolvente pacífico e relaxado – muito distante dos horrores que sofreu enquanto estava em cativeiro nas mãos de contrabandistas na Líbia, país onde foi torturada, espancada e estuprada por quase dois anos.

“Não consigo mourejar com a memória do que vivi na Líbia”, diz. “Às vezes, fico muito estressada por culpa do que eu passei”.

Samrawit foi levada para Ruanda em outubro pretérito, junto com outros 123 refugiados que estavam detidos na Líbia. Muro de 258 solicitantes de refúgio – em sua maioria eritreus, somalis e sudaneses – estão atualmente abrigados no núcleo de trânsito de Gashora, a respeito de 55 quilômetros de Kigali, capital de Ruanda.

Samrawit deixou a Eritreia depois a partida de um parente próximo que, temendo por sua vida, fugiu do lista militar. Sem família no país, ela se sentiu ameaçada e, diante da verosimilhança de recrutamento forçado, ela mesma decidiu fugir. Em sua procura por segurança,  foi sequestrada e levada por traficantes de pessoas para uma cidade no Sudão, perto da fronteira com a Líbia.

“Primeiro eles nos pegaram à força, e depois nos estupraram”, ela diz, chorando. “Eles nos ameaçaram com facas. Uma vez que eu poderia me salvar?”

Samrawit foi mantida por dois meses em um acampamento de traficantes em Kufra, no sudeste da Líbia, onde seus captores exigiram inicialmente 6 milénio dólares por sua liberdade. Ela foi comprada e vendida por diferentes grupos de traficantes e contrabandistas, antes de finalmente terminar em Bani Walid, no noroeste do país, onde foi mantida por mais oito meses.

Seus olhos se enchem de lágrimas enquanto se lembra das condições terríveis que os prisioneiros enfrentaram lá.

“Era tão lotado, que você tinha que dormir de lado. Eles nos davam um prato de macarrão mal cozido por dia. Estávamos sempre com míngua”.

Ela contou que eles mal tinham chuva suficiente e que os banheiros eram horríveis. “Era tão sujo e tão ruim, principalmente para as mulheres, porque durante nosso período menstrual, não podíamos nos lavar”.

Ela acrescentou que os traficantes exigiam verba e depois os espancavam e torturavam. “Eles fizeram coisas terríveis. Eles nos batiam com tubos de borracha e violavam as mulheres a firmamento crédulo ou sob carros”.

Samrawit torce suas mãos enquanto se lembra de porquê torturavam os prisioneiros homens. “Eles derretiam o plástico e queimavam as mãos. Às vezes, os amarravam e mergulhavam suas cabeças debaixo d’chuva”.

Um relatório publicado pela Sucursal da ONU para Refugiados (ACNUR) e pelo Meio Misto de Transmigração (CMM) do Parecer Dinamarquês para Refugiados, intitulado “Nesta viagem, ninguém se importa se você vive ou morre” (em tradução livre), detalha porquê centenas de refugiados e migrantes estão morrendo a cada ano em viagens desesperadas da África Ocidental e Oriental para e através da Líbia e Egito.

Milhares de pessoas sofrem abusos e violações extremas de direitos humanos, incluindo assassinatos, tortura, roubo, violência sexual e trabalho forçado nas mãos de contrabandistas, traficantes, milícias e algumas autoridades do Estado.

Em uma lista de recomendações, o ACNUR e o CMM estão pedindo aos Estados que façam muito mais para identificar e proteger os sobreviventes de abusos nas rotas e para responsabilizar os perpetradores desses atos, inclusive através de processos criminais e sanções.

Samrawit foi forçada a procurar familiares distantes, que por sua vez entraram em contato com seu irmão mais velho. Juntos, eles levantaram um totalidade de 12 milénio dólares, valor que cobriu seu resgate e garantiu um espaço em um navio para a Europa.

Enquanto fala, Samrawit puxa distraidamente uma pulseira colorida em seu pulso. “Recebi isto de um camarada na Líbia. Ele a fez para mim”, contou, acrescentando que ele permaneceu em um dos centros de detenção. “Eu realmente me preocupo com ele porque sei porquê a situação está ruim lá”.

Ela contou que, em julho de 2019, os contrabandistas finalmente levaram 350 deles para a costa do Mediterrâneo para tentar a travessia para a Europa. “Saímos à meia-noite e depois de algumas horas o navio começou a soçobrar”.

Muro de 150 pessoas morreram no incidente – um dos naufrágios mais graves dos últimos anos. De todos os sobreviventes, unicamente quatro eram mulheres, incluindo Samrawit.

“Por sorte, eu consegui nadar, mas não posso expor que foi por culpa disso que sobrevivi. Foi Deus que me salvou”, disse, acrescentando que nadou por mais de oito horas, acabando de volta à costa Líbia.

Lá, os sobreviventes foram encontrados pelas autoridades líbias e eventualmente mantidos em um núcleo de detenção solene ao qual o ACNUR teve aproximação.

Cansados, assustados, sujos e famintos, eles foram registrados pelo ACNUR e receberam primeiros socorros. Em seguida, foram conduzidos a um processo de avaliação para identificar os mais vulneráveis. Devido ao número restringido de locais disponíveis para reassentamento, geralmente são feitos esforços para dar prioridade aos mais necessitados, muitas vezes incluindo crianças desacompanhadas, sobreviventes de tortura e outros abusos e pessoas que necessitam de tratamento médico urgente.

Samrawit estava entre aqueles identificados porquê altamente vulneráveis e transportados para Ruanda, onde o ACNUR e agências parceiras fornecem assistência para salvar vidas, incluindo alimento, chuva, assistência médica, pedestal psicossocial e colocação.

A coordenadora de ensino e subsistência do Comitê Americano para Refugiados, Margaret Mahoro, explicou a valor deste trabalho. “Identificamos suas necessidades e os conectamos a assistentes sociais para comitiva. Quando eles precisam de tratamento privativo, os encaminhamos aos médicos, incluindo psiquiatras.”

Os recém-transportados recebem o status de solicitantes de refúgio em Ruanda, à medida que seus casos são avaliados e outras soluções são buscadas.

Desde dezembro de 2018, o ACNUR já tirou quase 2.000 refugiados e solicitantes de refúgio da Líbia. Muro de 2.500 refugiados e migrantes permanecem extremamente vulneráveis dentro dos centros de detenção oficiais do país.

Desde sua chegada, Samrawit falou duas vezes com seu irmão para confirmar que estava em segurança. “Estou aliviada porque não engravidei ou contraí uma doença sexualmente transmissível”, comentou ela sobre sua longa provação. “Agora tudo está dissemelhante. É porquê a intervalo entre o firmamento e a terreno”.

Enquanto espera o reencontro com o irmão, ela está se concentrando em sua trato e já teve aulas de inglês e está considerando um curso de costura. “Preciso ocupar minha mente em vez de me preocupar e lembrar das coisas ruins que aconteceram”.

A Samrawit foi reassentada na Suécia, porquê segmento do programa de reassentamento do ACNUR para refugiados altamente vulneráveis.

*Nome mudado por razões de segurança.

 




Por , em 2020-08-03 15:56:57


Manancial nacoesunidas.org



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