Plataforma promete trazer o ‘frio na barriga’ do 1º encontro – [Blog da Solange Pereira]

Você se recorda da emoção que sentia quando conhecia uma pessoa ao contingência e se interessava por ela? Aquela sensação de ‘insensível na ventre’ que só a paixão instantânea proporciona? Pois a plataforma Love is in The Cloud promete gerar toda essa espontaneidade para aqueles que participam dela.

Na pandemia do novo coronavírus, nos distanciamos das pessoas e, ao mesmo tempo, nos pegamos inertes no quesito amoroso. Isabella Nardini, criadora do noção, percebeu essa carência e pensou em uma maneira de resgatar essas sensações tão esquecidas na atualidade. “Meu mundo diminuiu depois da pandemia. De repente virou a minha mansão e todas as pessoas que já eram meus amigos. Uma vez isolada, percebi que acordava, lia notícia todos os dias e estava acessando muita tristeza, dor. Comecei a pensar uma vez que conseguiria acessar as sensações boas de estar viva. Percebi que o ‘insensível na ventre’ era uma da que mais paladar. Aquele sentimento que nasce quando a gente se coloca em risco, mas um risco bom do ignoto, que vem com as possibilidades que a gente ainda não conhece, com as surpresas do contingência. Percebi que um jeito de acessar esse ‘insensível na ventre’ era através do flerte”, lembra.

Isabella comentou sobre isso com uma amiga, Roberta Tannus, no início de abril. No termo do mesmo mês, ambas já estavam lançando a plataforma. “Essa teoria só se tornou palpável quando contei para ela, que comprou a teoria e disse que era muito necessário para o mundo uma possibilidade uma vez que essa.”

Mas para participar do Love is in The Cloud não é provável se cadastrar ou remunerar para usar. Você precisa ser convidado por alguém que já tenha veterano a vivência. Os encontros, às cegas, ocorrem entre amigos dos amigos, em um envolvente de crescente conexão. “É uma experiência rápida e íntima de conexão e ‘insensível na ventre’. Durante 1h30, 16 pessoas têm a chance de ter 8 encontros com amigos de amigos, por 5 minutos cada. Para cada encontro a gente sugere uma pergunta a ser feita, por exemplo: ‘Me olha nos olhos. O que você vê?’. Tem gente que fala que cinco minutos é uma perpetuidade para alguém que não se interessou. E para quem se interessou, fica um gostinho de quero mais”, enfatiza Isabella.

A designer Denise Saito foi uma das primeiras convidadas do Love is in The Cloud e confessa que ficou ansiosa no início. “Fiquei um pouco nervosa, mas sei gerenciar e paliar muito (risos). Pra mim, além de uma experiência novidade e dissemelhante de tudo que vivi, foi um experimento de autoconhecimento. Foi curioso perceber uma vez que eu me comportei durante os cinco minutos com cada pessoa. Entrei num lugar de querer deixar os outros à vontade, porque senti que todos estavam muito mais nervosos que eu. Depois de duas ou três conversas, entendi que não ia dar pra me enamorar por ninguém em tão pouco tempo, portanto passei a ver o outro uma vez que camarada de amigos que eu estava conhecendo. Muito aquela coisa de sarau quando surge alguém novo na roda. Não necessariamente vai rolar alguma coisa, mas não custa zero ser permitido e tentar se conectar de verdade”, afirma.

A plataforma também já realizou encontros específicos, uma vez que aquele em que a antropóloga Monique Lemos participou, intitulado ‘mulher com mulher’. “Foi tudo! Fiquei ansiosa, curiosa, ri demais, muito mesmo, me apaixonei até por quem eu só encontrei no final, quando todo mundo abre a câmera. A coisa mais permitido é que elas conseguem ‘desarmar’ todo mundo. Não é uma meta ou uma missão se enamorar ou querer que alguém se apaixone, mas é justamente nessa leveza que tudo acontece. Terminei a sexta apaixonada por mim, porque tanta gente me quis e se divertiu e era tanto sorriso e risada que não tinha chance de eu não ser apaixonante”, avalia a pesquisadora.

Peter de Albuquerque, de 31 anos, participou do encontro ‘varão com varão’. Ele está há quatro meses sem se envolver com alguém presencialmente. “E isso me colocou em um entrave: uma vez que dar qualquer passo? No meu caso, também vivo sozinho. Durante essas questões internas, meu camarada comentou sobre a iniciativa e fez a indicação para que eu entrasse numa das edições do projeto, focada em LGBTQIAs. Minha experiência foi positiva e divertida. Primeiro, é preciso ter crédito no processo. É uma vivência que mistura afeto, com uma costura performática e humorada da Isabella e Roberta, que trazem uma ambiência muito amarrada, que te coloca pra rir de si e querer conversar. Músicas dos anos 1980-1990 dignas de rádio, e frases motivacionais que definiria uma vez que ‘cafona-chics’, além da presença da Isabella uma vez que uma “guru do paixão”, detrás de nuvens em movimento, dando as regras do fast-dating”, vibra.

Para ele, o projeto tem uma narrativa muito pensada, trazendo o estabilidade ideal entre adrenalina e protecção. “Desabar numa sala e ter exclusivamente cinco minutos para ver e ser visto te coloca num lugar de fazer escolhas: uma vez que se reunir? Trago fatores-chave da minha história ou trago aspectos que me definem hoje, uma vez que meu humor e qual vinho prefiro? É recomendado que tenhamos objeto que nos represente sempre ao lado para ‘quebra-gelos’, o que funciona, e na tela surge um card com uma primeira pergunta sugerida, constrangedora na medida, o que te coloca para rir com um estranho, e já vale a pena a partir desse ponto”, garante.

A curadoria de pessoas no Love is in The Cloud é diversa com idades e origens, o que pode ser positivo para se furar a novas possibilidades. Também há um recorte regional, de cidade, o que ajuda a saber alguém provável, ao alcance. “Indiferente na ventre digníssimo e que movimentou uma sexta à noite quase uma vez que em velhos tempos”, conclui Peter.

Na avaliação da psicóloga Desirée Cassado, rabi pela Universidade de São Paulo e profissional em terapias contextuais, a experiência de encontro, da forma uma vez que ela tem sido feita através dos apps tradicionais, está saturada: “Já houve um tempo – alguém se lembra? – em que dar um ‘match’ e encetar uma conversa íntima com um estranho gerava impaciência e ‘borboletas na ventre’. Mas nós nos adaptamos, acostumamos e paramos de destinar a força necessária para erigir uma experiência – através desse tipo de conexão – que seja interessante. Mas não nos esqueçamos que o formato é novo – e muito interessante -, mas as pessoas são as mesmas. Depois do primeiro encontro às cegas, voltaremos pra antiga questão: para encetar uma relação é preciso dedicação, coragem, flexibilidade e um naco de resistência à frustração, independente dos meios que usamos para nos encontrar”.

Nardini afirma que a intenção não é a construção de relação com o outro, mas resgatar a sensação de leveza, folguedo e lhaneza de possibilidades. “Sensações de surpresa e da perdão do ignoto. É sobre o que pode sobrevir ali e não o que vem depois, porque o que vem depois é surpresa. Os aplicativos de relacionamento trazem com muita força esse modo que, uma vez que aprendemos a viver em telas de ‘sim’ ou ‘não’ para uma pessoa, aquilo dita seu comportamento. Logo, vou paquerar essa pessoa só depois que ela me deu um aval, me deu um sim. E nesse mundo de sim ou não, a verdade é que a vida é muito mais complexa do que isso. Se eu dou sim para uma pessoa hoje, não quer proferir que vou erigir alguma coisa com ela. Só que a gente ficou habituado em operar nesse lugar seguro, que só vou falar com alguém se ele me deu esse sim e todo o mistério e contingência não têm mais espaço na nossa vida. Por isso, resgatamos o risco da paquera”, ressalta.

Denise Saito, uma das convidadas dos encontros, conta que começou com as expectativas muito baixas, pois nunca curtiu app de paquera. “Fui mais pela vivência e para passar por alguma coisa dissemelhante no meio desse marasmo. Logo, superou minhas expectativas porque a experiência traz sensações que têm sido raras nos dias de hoje e me diverti muito. Sem recontar que curti uma pessoa e ela me curtiu de volta, portanto, rolou um ‘match’”, comemora a designer.

Mourejar com a emoção de maneira surpreendente e ‘insensível na ventre’ propostos pela plataforma Love is in The Cloud parece ser uma boa tentativa de fazer com que os indivíduos resgatem sentimentos pré-pandemia ou saiam das interações ‘robotizadas’ dos atuais aplicativos de relacionamento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Por , em 2020-08-02 07:15:13


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