a saga de Sally Hemings – [Blog da Solange Pereira]

Fruto da relação forçada entre um varão branco e uma escrava, a jovem criada viveu sob constantes abusos e, com herdeiros no pescoço, lutou pela liberdade deles até o término

Na posição de um renomado legista em Virgínia, John Wayles era um varão respeitado, um tratante de escravos e o possuidor de grandes propriedades. Em suas fazendas, ele detinha todo o poder que queria e mandava em seus criados.

Betty Hemings, fruto de um relacionamento censurável entre outro senhor inglês e uma de suas servas, era uma das escravas de John e vivia nas terras do legista. Com ela, o varão branco teve seis filhos, incluindo a enigmática Sally Hemings.

Filha mais velha do relacionamento forçado entre senhor e criada, Sally era meia-irmã de Martha Wayles, uma jovem de cor livre. Muito além da rancho do pai, no entanto, as meninas tiveram suas histórias cruzadas quando Thomas Jefferson entrou na equação.

Retrato de Sally Hemings / Crédito: Domínio Público

 

Correntes eternas

Ainda que o pai de Sally fosse um varão branco, tanto ela, quanto seus irmãos foram legalmente escravizados pela lei da Virgínia. Assim, ela passou a desempenhar intensos e abusivos trabalhos forçados na rancho de John Wayles.

Em 1773, quando o patriarca morreu, todas as propriedades dele foram herdadas por Martha Wayles e seu marido, o imponente Thomas Jefferson. Não satisfeitos com as terras e plantações, o parelha ainda ficou com os 135 escravos da propriedade.

Entre os muitos criados, Sally Hemings e seus irmãos eram alguns dos servos mais conhecidos e respeitados de Monticello — se é que escravos eram muito tratados na idade. No universal, a família era composta por domésticos, cozinheiros e artesãos.

Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos Estados Unidos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Parceria perigosa

Acostumada com o trabalho que era obrigada a desempenhar, Sally viu sua vida mudar quando sua meia-irmã, Martha Jefferson, faleceu, em 1782. Não se conhece exatamente o momento da mudança, mas sabe-se que, a partir daquele ano, a relação entre a mulher escravizada e Thomas Jefferson virou de cabeça para ordinário.

Quando tinha murado de 14 anos, dona de belos cabelos castanhos e de uma venustidade angelical, Sally foi enviada até Paris, junto com uma das filhas de Thomas. Na França, o ex-presidente agora trabalhava porquê ministro norte-americano, em meados de 1787.

Posteriormente a Revolução de 1789, no entanto, o país europeu não mais aceitava a escravidão e, assim, Sally passou a lucrar US$ 2 por mês. Ainda assim, a jovem negra nunca deixou de ser vista porquê uma escrava por Jefferson, que a mantinha em correntes simbólicas.

Legado bastarda

Durante os 26 meses que ficou em Paris, Sally teve seus primeiros filhos com Thomas Jefferson. Embora a verdade sobre a relação permaneça um mistério, James Madison, um dos filhos da escrava, afirma que ela engravidou pela primeira vez aos 16 anos.

Temendo pela vida dos filhos, logo, Sally aceitou retornar para os Estados Unidos ao lado de seu senhor, mas sob uma requisito: todos os seus herdeiros deveriam ser libertados quando atingissem a maioridade. E Thomas Jefferson concordou.

De volta a Monticello, Sally trabalhou porquê companheira, nutriz, doméstica, camareira e modista. Ela brilhava em trabalhos manuais, enquanto seus filhos, porquê James, Harriet e Eston Hemings, aprenderam as artes da carpintaria aos precoces 14 anos. Todos eles, inclusive, tiveram aulas de violino, uma oportunidade bastante rara na idade.

Eston Hemings, o último rebento de Sally / Crédito: Wikimedia Commons

 

Paladar de liberdade

Entre páginas e mais páginas de nomes de escravos, Thomas Jefferson unicamente riscou seis deles por vontade própria. Cumprindo o concordância que fizera com Sally, ele só entregou as tão sonhadas cartas de emancipação para os filhos da mulher, já idosa.

Ainda que nenhuma emancipação da própria Sally tenha sido encontrada entre os documentos de Monticello, acredita-se que ela tenha sido libertada ao lado dos filhos. Assim, ela morou na lar de Eston, em Virgínia, até a sua morte, em meados de 1835.

A relação entre os filhos de Sally e Thomas Jefferson, todavia, gera polêmicas até hoje, ainda que diversos estudos tenham comprovado a paternidade. Em 1998, por exemplo, uma estudo genética demonstrou que realmente existe uma relação entre Eston, o último rebento da mulher escravizada, e o terceiro presidente dos Estados Unidos.


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