Abandonada, empresa é “vila dos rejeitados” com crack, pobreza e muito lixo – Capital – [Blog da Solange Pereira]

Ingressão no lugar, murado por desabrigo e decadência (Foto: Silas Lima)

Entre os bairros Jardim Sayonara e Vila Eliane, em Campo Grande, um portal dá entrada à “vila dos rejeitados”, entre objetos e pessoas que normalmente ficam às margens. No multíplice da Constran, empresa desativada ao menos desde a dez de 1990, dependentes químicos – viciados em crack – dividem espaço com montanhas de lixo de todo tipo. Há dois pedidos de socorro por ali: de quem não pede, mas se deteriora escondido nas ruínas da empresa, e dos moradores dos bairros, que sobem os muros de mansão para evitar os furtos e a visão do cenário decadente.

A referência é a rua Teófilo Otoni, ingressão da antiga empresa. Por ali os odores competem logo na ingressão, uma espécie de portal, com entulho decorando a passagem. Animais mortos em dissolução intensificam o odor e é até perigoso caminhar, em meio ao sarça e as paredes caindo, pela certeza de que ratos e animais peçonhentos rastejam ali.

Resíduo orgânico de queimadas e atrás, concreto e verde invadindo as paredes que caem (Foto: Silas Lima)
Resíduo orgânico de queimadas e detrás, concreto e virente invadindo as paredes que caem (Foto: Silas Lima)

Dentro, uma mansão em ruínas. Quartos de lixo, emprestando da escritora favelada Carolina de Jesus, levante nome. Colchões velhos e sujos, latinhas para uso do crack, sofás velhos e uma imagem simboliza o que se pode considerar a morte do viver muito: pedaços de uma penosa, carbonizada, incluindo patas e cabeça, repousam sobre uma “grelha” improvisada, iguaria do desespero de quem não tem o que manducar.

Quem tem fome não tem escolha (Foto: Marcos Maluf)
Quem tem miséria não tem escolha (Foto: Marcos Maluf)

Em outro lugar, muro furado de balas dá o tom de que na pobreza, consumo de drogas e violência andam sempre juntos.

Rosana Maciel mora na Vila Eliane, tem 51 anos e não trabalha fora de mansão. Vive há cinco anos no bairro junto com os três filhos. Desde que chegou à Vila que a situação é a mesma, conforme relata.

Muro para treinar tiro ou algo mais? Imagem não responde, só questiona (Foto: Marcos Maluf)
Muro para treinar tiro ou um tanto mais? Imagem não responde, só questiona (Foto: Marcos Maluf)

“Desde que moro cá é assim e ninguém faz zero. Primeira coisa que eu percebi quando mudei pra cá foi isso. Essa fábrica abandonada faz com que juntem lixo, usuários de droga e a prefeitura não faz zero”, critica ela.

Na instabilidade, a vigilância comunitária é ativada. Ela e outros vizinhos criaram grupo no Whatsapp para que um cuide da mansão do outro quando não há ninguém. Rosana aprendeu com a experiência, já que conta terem entrado no quintal da mansão onde vive para furtarem a mansão da vizinha.

“A noite é muito geral sairmos e encontrarmos eles fumando, eles pedem moeda, comida, não tem o que fazer. A gente já foi detrás, já denunciamos e ninguém resolve”, explica.

“Temos que recontar com Deus”, diz Rosana.

Um dos quartos dos dependentes químicos que frequentam o local (Foto: Silas Lima)
Um dos quartos dos dependentes químicos que frequentam o lugar (Foto: Silas Lima)

A modista Débora Salles, 40, mora há oito anos na Vila Eliane. “Faz muito tempo que pedimos, mas ninguém se importa. Tem de tudo”, conta ela, sobre o lugar.

“Tudo de ruim as pessoas jogam ali”, afirma Débora.

“Durante o dia é tranquilo, mas a noite é que a gente não tem tranquilidade, um vem pede moeda, outro vem e pede comida. Eu tenho uma neta, porquê vou fabricar uma moço em um lugar desse? Essa situação não tem jeito. A empresa foi destruída e cada dia junta mais usuário, pessoas diferentes.   Queremos que o poder público tome uma providência, porque se eu deixo o meu quintal sujo, eles vem cá e eu levo uma multa, e aí, de quem é a responsabilidade? Quem cuida e quem multa? Eu acho que é uma falta de interesse do poder público, cá se tornou uma superfície esquecida”, diz ela.

Débora teme pela segurança (Foto: Marcos Maluf)
Débora teme pela segurança (Foto: Marcos Maluf)

“A minha proteção são os meus cachorros”, conta a moradora, dona de três.

Negrume – Marcos Aranda, 40, trabalha porquê autônomo e mora na região há mais de 20 anos. Ele classifica porquê “cenário de muita trevas” o que há anos tem se formado ali.  “O cenário é de muita trevas, é muito nóia. Tive que mudar o trajectória, a situação é feita a noite ali”, conta.

Um dos sofás abandonados nas ruínas e no lixo (Foto: Marcos Maluf)
Um dos sofás abandonados nas ruínas e no lixo (Foto: Marcos Maluf)

“A gente denunciava muito antes, mas nunca ninguém fez zero, sempre ficou na mesma. Temos terror de assalto, de deixar a nossa mansão sozinha. Graças a Deus cá nunca ninguém mexeu, aumentei o muro e tenho cachorros. Eu acho que o poder público tinha que vir cá limpar, finalizar com essa superfície abandonada, fazer loteamento, superfície de lazer, alguma coisa. Está muito esquecido”, comenta.

A assessoria de prelo da Guarda Social Metropolitana afirmou que agentes da base Imbirussu, localizada no Jardim Panamá, “fazem rondas dia e noite” e que, se necessário “abordam”. A Guarda disse, ainda, que a orientação é vincular para o número 153.

Procurada por meio da assessoria de prelo, a Prefeitura de Campo Grande não respondeu até a desenlace da reportagem.

Por , em 2020-06-23 13:22:00


Manancial www.campograndenews.com.br



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