Agora obrigatórias, cresce demanda por venda e por ações de doação de máscaras de proteção – [Blog da Solange Pereira]

Com o uso obrigatório no Rio desde esta quinta-feira, as máscaras de proteção vêm se tornando um item principal no rosto de quem precisa transpor às ruas em meio à luta contra o coronavírus. Seja em versões caseiras ou confeccionadas pela indústria, a demanda pelo secundário, que segundo especialistas ajuda a diminuir as chances de contágio da doença, vem sendo cada vez maior. Aliás, o libido de ajudar quem não pode comprar o item vem inspirando a solidariedade de quem entende de traço e costura.

Moradora da comunidade Tavares Bastos, no Catete, a modista Adejane Gomes, começou a confeccionar em lar o item de proteção pessoal no início do mês em seguida ver as encomendas de acessórios para noivas, sua especialidade até portanto, minguarem com a pandemia. Segundo ela, em seguida a publicação do decreto de obrigatoriedade, os pedidos de máscaras dispararam.

— De uma semana para cá, dobraram os pedidos. Tenho encomenda agendada para entrega até a próxima semana — diz Adejane, que vende exemplares personalizados, com estampas ou lisas, a R$ 4 a unidade.

Máscaras confeccionadas pela jornalista aposentada Hilka Telles: doação para moradores da Maré
Máscaras confeccionadas pela jornalista aposentada Hilka Telles: doação para moradores da Maré Foto: Divulgação

Doação de provisões

Desde o início do mês, a autônoma diz ter vendido tapume de 370 máscaras. Os pedidos, segundo ela, partem de dez unidades e são feitos, em grande segmento, por clientes interessados em doar o item para quem não possui. E não é só a clientela da modista que é solidária. Secção do moeda obtido por Adejane com as vendas é revertida em doação de provisões.

— A cada pedido que entra, eu troco o valor de duas máscaras por qualquer manjar. O que eu arrecado, vai para três famílias conhecidas que estão em situação complicada com essa crise — diz a modista, que vende o secundário através do telefone 96410-9220.

Foram as sobras de tecidos, acumulados durante um ano e meio do curso de galanteio e costura, que inspiraram a jornalista aposentada Hilka Telles a encetar um movimento de confecção de máscaras para doação. Além dela, outras quatro mulheres, todas na lar dos 60 anos, se juntaram à jornalista — e também modista — a trabalhar em prol da saúde de moradores de favelas que não podem gastar com o secundário.

Sobras de tecido, uma vez que linho, viscose e tricoline, garantiram a confecção de 50 máscaras, que serão doadas nos próximos dias na comunidade da Maré e em uma igreja de Vila Isabel, que as incluirá em uma cesta básica. Com o término das sobras, Hilka fez um pedido público em seu Facebook por doações de material para que possa seguir na missão.

— Não quero doações em moeda e sim que as pessoas comprem os tecidos pela internet e mande entregar cá em lar. Não tenho uma vez que arcar sozinha. Aliás, sou do grupo de risco, não posso transpor para comprar — diz Hilka. — O intuito é ajudar essas comunidades que não tem chegada à distribuição por segmento do do estado e do município. O que a gente faz é uma pingo no oceano da premência real.

Costureiras em rede pelo estado

Mesmo antes do decreto que torna obrigatório o uso de máscaras de proteção, a Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil (Amebras), instituição que capacita empreendedoras para o mercado de trabalho através da economia criativa, já havia organizado uma força-tarefa de costureiras para a confecção do item — cada trabalhadora, em sua própria lar. Pela iniciativa, que engloba profissionais de diferentes municípios do estado, a cada máscara vendida, uma é doada a moradores de comunidades.

Célia Domingues, presidente da Amebras, nascida e criada no Morro da Mangueira, explica que o projeto funciona a partir de doações de matéria-prima e de moeda, que será usado para remunerar a mão de obra das costureiras. Vendidas a empresas por um preço unitário que varia entre R$ 2,80 e R$ 4,20, segmento do valor arrecadado com as vendas é repassado para quem coloca a mão na volume.

Costureira participante de projeto da Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil (Amebras)
Modista participante de projeto da Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil (Amebras) Foto: Divulgação

— A maioria das costureiras é de mulheres chefes de família, que complementam o orçamento da lar e precisam trabalhar. Temos conosco gente de Belford Roxo, São João de Meriti e bairros da Zona Setentrião, uma vez que Tijuca, Méier, Madureira — detalha Célia.

Aumento no preço de tecido e elástiico

Ao todo, 800 máscaras já foram doadas pelo projeto da Amebras e outras 1 milénio seguem em confecção para serem doadas na próxima semana. Feitas a partir de algodão ou TNT, as máscaras são laváveis e seguem o padrão do Ministério da Saúde. Embora esteja esperando um aumento na procura pelo item em seguida o decreto, a presidente da associação labareda a atenção para o aumento do preço da material prima.

— Tem muita gente fazendo máscara, mas ao mesmo tempo, a premência é grande. O problema é que começa a faltar material, uma vez que elástico, TNT na cor branca e tricoline. Quase não se encontra mais, e quando encontra, o preço está um sem razão.

A união de voluntários

Comunidade que registrou até o momento o maior número de casos e de óbitos por Covid-19, a Rocinha foi o lugar escolhido pelo Sesc-RJ para receber gratuitamente milhares de máscaras de proteção artesanais confeccionadas por artesãos voluntários participantes do programa Sesc+ Criativo. Ao todo, serão 23 milénio máscaras, itens de segurança que também chegarão a comerciantes de feiras livres da cidade e profissionais de saúde da capital e do interno para uso fora do envolvente hospitalar.

Metade da produção começa a ser distribuída ainda esta semana. Elas são feitas de TNT e tricoline, matéria-prima adquirida e fornecida pelo Sesc RJ aos voluntários, que produzem em suas residências, no Rio e em mais nove municípios do estado.

Distribuição de 1,8 milhão de máscaras

Segundo a prefeitura, nesta segunda-feira foi realizado o aporte de recursos para a contratação de 600 costureiras que vão confeccionar 1,8 milhão de máscaras de proteção para serem distribuídas em estações de transporte público para quem precisa transpor para trabalhar. A previsão é que as profissionais, maior segmento delas moradoras de comunidades, comecem o trabalho de produção ainda nesta semana.



Por , em 2020-04-24 09:28:58


Nascente extra.orbe.com



Clique aqui e saiba mais sobre o Super Kit de Moldes + Curso de Costura do Zero. Clicando agora você ganha mini kit gratuito para imprimir + aula grátis.

Deixe um comentário