Como o bordado ajuda a aproveitar o tempo em casa | Vida & Arte – [Blog da Solange Pereira]


Iara Reis: bordado é uma terapia

Iara Reis: bordado é uma terapia (Foto: Fábio Lima)

Pelas tramas invisíveis feitas de cores, linhas e relevos, o gesto de bordar revela um importante ensinamento: o de saber esperar. Em meio à verdade da quarentena, que tem exigido particularmente o estabelecimento de uma ainda estranha relação com o próprio tempo, a antiga prática manual tem sido redescoberta para dar novo significado à solitude e ao isolamento social por meio do tecer. O afeto depositado no trabalho com a traço, o algodão, a seda e outros diferentes materiais tem se transformado em momento de reflexão e autoconhecimento, além de aproximar a vida real e a imaginada em um gesto inclusivo e instituidor que entrelaça a vida com a arte.

Para Juliana Farias, designer de voga e artesã, passar o tempo junto ao bordado durante a quarentena tem trazido leveza aos dias de sentimento de incerteza. “Me apaixonei pelo ofício justamente pela capacidade que ele tem de fazer olvidar de tudo. Posso estar com vários problemas, chateada… Mas a partir do momento que inicio o processo do bordado, prelúdios a relaxar mente e corpo, e parece que zero mais existe. Quando vejo, horas já se passaram”, relata. Ela criou o via do Youtube “Transbordando” em 2017, quando deixou de ser aluna de bordado e passou a ministrar cursos sobre a técnica na Cidade.

Com uma experiência de bordar trazida ainda da puerícia, o trabalho manual é, para a artesã Talita Késsia, uma das melhores maneiras de parar, se desligar do mundo e ter um momento para si. “No cenário atual de isolamento, é muito difícil mourejar com os sentimentos de ter que se manter longe de tudo lá fora e de todas e todos. Ter uma vez que ocupar a mente com um trabalho que requer do corpo também, ajuda a mudar o foco e, quem sabe, deslindar novos gostos e habilidades”, conta.

Além de ser uma atividade introspectiva, Juliana Farias considera que o bordar lhe abre caminhos para uma mergulho em um universo onde a pressa dá lugar para a ludicidade e as suas próprias memórias. “O manuseio da agulha passeando pelo tecido e aquele movimento de vai e volta, faz com que a pessoa vá descobrindo que é verosímil, sim, ter paciência, porque não é um ofício que se vai conseguir fazer de uma hora pra outra”, descreve. Talita, que aprendeu com o bordado um novo significado para o tempo, percebe na prática uma forma de não levar a vida de forma “automática”. “Eu acho que essa relação mais lenta, respeitando o tempo dos materiais e do corpo, traz toda uma novidade visão de uma vez que se levar a vida”, pontua.

Para iniciar a prática do bordado, Juliana ressalta que é importante estrear pelos passos mais simples uma vez que aprender a colocar a traço na agulha e finalizar os pontos. “Os materiais não precisam ser muito elaborados: um tecido de algodão, agulha, traço de crochê e tesoura são suficientes para estrear. Caso não tenha um tecido sobrando, pode pegar uma peça de roupa que não seja de malha. Em tecido projecto é muito melhor de estrear a bordar”, explica. Ela destaca ainda que a agulha de mão não pode ser fina demais, e que uma de n° 5 ou de tapeçaria n° 24 seria o tamanho ideal.

Embora seja muito utilizado para delinear a segmento a ser bordada, o bastidor (uma espécie de círculo feito de madeira) não é indispensável para estrear a bordar. “Podemos usar tampas, pulseiras e outros objetos para melhorar a posição do bordado”, explica Iara Reis, que trabalha com artesanato há mais de 20 anos. Ela explica que o bordado à mão pode ser praticado com materiais que quase todo mundo tem em vivenda. “Pode ser em uma almofada, em bolsas, em nossas próprias roupas, customizando e repaginando aquilo que já não estava mais em uso. O bordado é muito versátil e mesmo se tivermos só uma cor de traço podemos bordar com estilo e originalidade”, descreve a professora, que faz segmento do grupo de bordado Entrelaçadas.

Nas últimas semanas, Iara tem feito de seu perfil no instagram (@iara.reis.rococo) um espaço para ensinar alguns pontos de nível iniciante e intermediário. “Nesse momento de isolamento social, precisamos nos manter muito, e bordar à mão é uma atividade bastante prazerosa, uma espécie de terapia para passar esses tempos difíceis. O bordado é uma ótima forma de exercitar a paciência”, considera. Ela acredita, ainda, que os trabalhos manuais, em universal, têm o poder de exercitar a originalidade, a paciência e a concentração. “Se a pessoa borda por diversão, pode separar um tempo para se destinar e se desconectar um pouco desse problema que o mundo vivencia”, conclui.

Para aprender a bordar

Iara Reis (@iara.reis.rococo)

Em seu perfil no Instagram, a professora de artesanato publica diversos vídeos explicando o passo a passo de pontos muito comuns e outras técnicas específicas em bordado.

Juliana Farias (@transbordanddo)

A designer de voga e artesã compartilha em seu via do YouTube (Ducto Transbordando) tutoriais rápidos sobre pontos simples, uma vez que o chamado “ponto detrás” e técnicas mais avançadas uma vez que o ponto rococó.

Lúcia Ferreira (@debemcomobordado)

Proveniente de Itapajé (CE) a professora de bordado oferece, no seu via do YouTube “Cultura Cearense”, treze aulas de bordado gratuitas que auxiliam iniciantes e também dá dicas para quem já é veterano no artesanato.

Para iniciantes (Dicas por Iara Reis)

Ponto manante

Indicado para letras, palavras e frases. E também para riscos de traços muito definidos.

Ponto haste

Adequado para traçar contornos, curvas suaves e linhas sem ângulos muito acentuados.

Ponto caseado

Usado em contornos e bordados livres.

Por , em 2020-04-22 19:39:20


Manancial www.opovo.com.br



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