Brasília, a cidade de todas as tribos – [Blog da Solange Pereira]

Uma jovem com personalidade, caprichosamente desenhada sobre um mar de terreno vermelha, que no período amarelo da seca castiga quase três milhões de habitantes, devolvendo-lhes o frescor nos verdes meses do verão. Erguida sob um firmamento de azul desmesurado pelos braços de milhares de candangos que cá fincaram raiz, completa sua paleta de cores quando florescem em seus canteiros os ipês, flamboyants e cambuís.

Concebida no coração do planalto médio, com traçado reto e arrojado do arquiteto Lúcio Costa, não entende a dificuldade dos forasteiros em entender seus endereços numéricos. Uma vez que explicar que as quadras não são todas iguais? E que a cidade é um verdadeiro avião, com suas asas prontas para decolar? E expor para o mundo que tesourinha é um lugar por onde transitam seus carros, não para trinchar unha?

Criticada por ser pouco expressiva para o esporte, gerou em seu ventre atletas porquê o zagueiro Lúcio, o meia-atacante Kaká, a jogadora de vôlei Leila Barros, a recente contratação do Real Madrid, o ex-flamenguista Renier. É uma cidade digna de uma medalha de ouro.

Acusada levianamente de se render ao quantia de prevaricação, sempre responde com firmeza e munificência. Nos gramados da Esplanada dos Ministérios, a jovem testemunhou impeachments de presidentes e cassações de mandatos de deputados e senadores agarrados a esquemas de desvios de recursos públicos.

Também passou pelos seus momentos de vergonha. Viu ex-governadores aparecerem na televisão por meandro de recursos e custou a crer na reza da propina de deputados distritais. Sangrou, chorou, mas aprendeu. Seguiu em frente.

Ainda na sua juvenilidade, aos que duvidam de sua vocacão turística, oferece as incontáveis riquezas naturais que a cercam, com um leque superabundante de cachoeiras e parques nacionais, com fauna e flora deslumbrantes. Para os mais urbanos, exibe a ousadia curvilinea da Catedral, os ângulos do Teatro Vernáculo, e as propostas modernas dos prédios do Congresso Vernáculo, do Itamaraty, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federalista. Todos pontos de tirar o fôlego.

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Palco de manifestações culturais e artísticas, sempre foi terreno fértil para o rock pátrio, lançando para o mundo a Legião Urbana, a Plebe Rude, entre tantas outras bandas. Hoje, é diversa e inclusiva com uma consistente cena hip-hop, shows de heave metal, casas de forró e sertanejo. Tem ainda a Moradia do Cantador, lugar de repente e da literatura de cordel. Também reúne na Feira da Torre milénio pedacinhos desse nosso Brasil em forma de boa culinária e artesanato.

Brasília, parabéns pelos seus bem-vividos 60 anos. Não será uma pandemia que vai fazê-la perder seu charme, mesmo que nos force a diferir as merecidas festividades! Seus filhos orgulhosos agradecem o abrigo sempre tão hospitaleiro e te envolvem num carinhoso amplexo, ainda que em pensamento…

Gabriel Garcia é jornalista.
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Por , em 2020-04-20 23:39:48


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