Atividades de lazer antigas voltam à moda durante período de quarentena por causa da Covid-19 – [Blog da Solange Pereira]

RIO — Fazia um tempo que o estudante de Engenharia Ambiental Lucas Braga, de 19 anos, queria aprender a fazer os bordados praticados pela mãe, a tradutora Marcia Braga, de 55. A correria do dia a dia, porém, sempre o afastava da agulha e das linhas. Isso mudou com as recomendações de isolamento para quem pode permanecer em moradia durante a pandemia de coronavírus, quando ele se viu em procura de um tanto para distrair a mente numa situação tão atípica. Enquanto cursa secção de sua graduação on-line, o jovem tem encontrado na técnica artesanal um consolação para dias incertos.

— Às vezes, fico muito nervoso, e o bordado tem sido ótimo para me tranquilizar. Também é um jeito de passar mais tempo com a minha mãe — conta o carioca, que tem se sentado ao lado dela pelo menos três vezes por semana para aprender o trabalho manual.

Ele não está só. Desde que governos de todo o mundo baixaram normas para que as pessoas permaneçam em moradia pela maior quantidade de tempo provável, a tecnologia logo entrou em cena. Festas migraram para o envolvente virtual e chamadas de vídeo aliviaram corações. Mas, assim porquê Lucas e a mãe, muita gente tem encontrado conforto em recursos que já estavam presentes em nossas vidas muito antes dos smartphones e do 4G. Jogos de tabuleiro e até cartas feitas à mão têm voltado à rotina de muitas famílias.

Válvulas de escape

Assim porquê o rebento, Marcia também reconhece que o período tem sido de muita impaciência, principalmente depois que ela precisou se alongar dos pais, idosos.

— Aprendi a bordar há menos de dois anos no ateliê Pequena Estufa e, desde portanto, faço desenhos variados. É terapêutico e me ajuda a suportar a pressão — diz ela. — Nos primeiros dias de isolamento, estava muito angustiada e não conseguia parar para praticar. Mas aí comecei a me obrigar a tirar um tempo para os bordados, o que tem me feito muito muito em meio a essa montanha-russa de emoções.

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A mesma sensação é relatada pela fisioterapeuta Adriana Nicodemus, de 48 anos, que encontrou refúgio nos jogos de quebra-cabeças que estavam guardados em moradia. Moradora de Petrópolis, ela tem o hábito de comprá-los em viagens, porquê recordação das paisagens visitadas, mas nunca teve tempo para juntar as peças. Agora, já está indo para a terceira caixa, ao lado de seu companheiro.

— Tínhamos umas dez unidades guardadas e compramos mais duas pela internet. Já montamos duas de 500 peças e estamos terminando uma terceira, de milénio. A próxima será de 1.500. Quando finalizamos, emolduramos e presenteamos amigos – diz Adriana. — Todos os dias, ao final da tarde, a gente se senta para montar. É ótimo porque tiramos o foco da pandemia.

Adriana Nicodemus monta um quebra-cabeça Foto: Reprodução
Adriana Nicodemus monta um quebra-cabeça Foto: Reprodução

 

No sítio onde a família da estilista Olívia Aragão, de 36 anos, se reuniu durante a pandemia, os jogos de tabuleiro da puerícia já não estavam nos armários, porque foram doados pela falta de uso. Mas isso não impediu que ela reativasse um de seus passatempos favoritos do pretérito: o jogo Detetive, em que os participantes precisam desvendar um homicídio.

— Chegamos à desfecho de que só tínhamos um baralho e resolvemos fazer a reinação com as próprias mãos. Desenhamos o tabuleiro numa folha de papel-paraná e criamos as cartas em canson. Nomeamos os personagens com os nossos apelidos e usamos os próprios espaços do sítio porquê possíveis cenas do transgressão, porquê o curral e o orquidário — descreve Olívia, que tem divido a propriedade localizada em Juiz de Fora, Minas Gerais, com outros seis familiares.

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Mal a permanência em moradia por um longo período se tornou iminente, ela até cogitou produzir teor para as suas redes sociais. Mas, ao ver o excesso de informações no envolvente virtual, achou que valia mais a pena se desconectar um pouco:

– Não queria permanecer escrava da tecnologia e achei que era hora de aproveitar a minha família. E, nesse sentido, o jogo é ótimo. Temos jogado dia sim, dia não, reunidos em volta da mesa, tomando uma cerveja ou um vinho.

Em contraponto ao imediatismo dos chats, uma das formas mais antigas de informação está de volta no cotidiano da quarentena. A publicitária Mariana Loureiro, de 23 anos, viu a demanda no seu clube de cartas Envelope de Papel crescer exponencialmente nos últimos dias.

Mariana Loureiro em meio a cartas Foto: Reprodução
Mariana Loureiro em meio a cartas Foto: Reprodução

 

Com perfis no Instagram e no Facebook, além de um site, o clube reúne 1.300 pessoas que trocam correspondências. Em média, ela recebia muro de 15 novos participantes por semana. Agora, esse número dobrou.

— A tecnologia razão muita impaciência, e as cartas são uma válvula de escape — diz a jovem, moradora de Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte.

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A própria Mariana gosta de se sentar à mesa da sala, diante do jardim de moradia, para produzir sua cartas, decoradas com canetas coloridas, num ritual que costuma repetir aos fins de tarde. Segmento de uma geração que já nasceu em meio a outras formas de informação, ela se interessou pelos relatos feitos à mão ao ouvir o pai narrar sobre porquê trocava cartões- postais com pessoas do mundo inteiro entre os anos 1980 e 1990. Na opinião dela, essas correspondências proporcionam uma troca de experiências mais genuína:

— Falamos sobre nós e lemos sobre os outros sem nos saber fisicamente. Portanto, não tem porquê julgar pela semblante.

Com tanta gente se exibindo nas lives, soa porquê um treino pertinente nesses tempos.

Por , em 2020-04-19 05:33:50


Manadeira oglobo.orbe.com



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