Voluntários já produziram 11 mil máscaras e 600 jalecos em Passo Fundo – [Blog da Solange Pereira]

Desde o dia 23 de março, o laboratório de costura do prédio B3 da Universidade de Passo Fundo (UPF) ganhou uma novidade função: a de produzir máscaras e jalecos para os profissionais que atuam diretamente no combate e prevenção ao novo coronavírus (Covid-19) no município. De lá para cá, com voluntários, alunos e egressos do curso de Design de Tendência, 11 milénio máscaras e 600 jalecos já foram feitos.

Uma das mãos que ajuda a produzir as máscaras, direcionadas em sua maioria para a espaço da saúde, é a da aposentada Roseandra Spadari. Roseandra conta que soube da premência de voluntários para a confecção dos itens através de uma amiga, pelo WhatsApp. “Minha mãe costurava e eu aprendi ainda gaiato e sempre me virei no que precisava, mas nunca costurei profissionalmente, só que costurar a gente nunca esquece”, diz.

A procura por voluntários começou em um término de semana, posteriormente a professora Adriana Dickel, que também é coordenadora da Faculdade de Instrução da UPF e a professora do curso de Design de Tendência, Dulcicléia Antunes, emitirem uma nota em grupos de amigos. “Imediatamente 139 pessoas se voluntariaram no primeiro término de semana e organizamos três grupos, um pela manhã, tarde e noite”, lembra a professora Dulcicléia.

“É GRATIFICANTE”

Roseandra está há quase quatro semanas envolvida com as costuras, máquinas, linhas e a produção de máscaras. Ela lembra que no primeiro dia de voluntariado se ofereceu somente para trinchar tecido e tirar alguns fiapos. A rotina já mudou no dia seguinte. “No segundo dia me colocaram na máquina e nunca mais sai. É muito tranquilo, é muito bom estar cá. O pessoal nos ensinou e é muito fácil de aprender”, comenta.

Questionada se sabe quantas máscaras já fez, ela é rápida na resposta: “não tenho a mínima teoria, só sei que são muitas”. Mesmo sem saber o número exato, Spadari diz que poder ajudar dessa maneira é “gratificante”. “Quanto mais a gente faz, mais quer fazer, queremos ver resultado”, completa.

Roseandra Spadari, aposentada e voluntária na confecção de máscaras na UPF. Foto: Matheus Moraes | Quotidiano

“É O MÍNIMO QUE PODERÍAMOS FAZER JUNTO DA COMUNIDADE”

A professora Dulcicléia, que também coloca a mão na volume para a produção dos itens, pontua que agora a meta dos grupos é produzir duas milénio máscaras. Toda a confecção é feita com produtos dados pela Secretaria Municipal de Saúde de Passo Fundo, pois são específicos para os atendimentos médicos. A professora explica que é usado um TNT impermeável, 40 gramas, duplo, para não passar nenhuma secreção.

“Começamos muito naquele momento onde as pessoas estavam muito assustadas e inseguras pensando se iria faltar material para os agentes de saúde. Isso seria o mínimo que poderíamos fazer junto da comunidade, dar esse atendimento. O mínimo que fosse já iria ajudar”.

Depois que as máscaras e jalecos estão prontos, a Secretaria de Saúde faz a entrega para os hospitais e cais e outros órgãos que necessitem.

O mais bonito de tudo isso é ver porquê as pessoas podem se ajudar em momentos em que precisamos nos estribar, a quantidade de pessoas que se colocaram à disposição sem lucrar zero financeiramente, só um retorno de realização pessoal – professora Dulcicléia Antunes

Grupos trabalham de forma voluntária em três turnos do dia. Meta, conforme explicou a professora Dulcicléia Antunes, é produzir duas milénio máscaras por semana. Foto: Matheus Moraes | Quotidiano

Começamos muito naquele momento onde as pessoas estavam muito assustadas e inseguras pensando se iria faltar material para os agentes de saúde. Isso seria o mínimo que poderíamos fazer junto da comunidade, dar esse atendimento. O mínimo que fosse já iria ajudar

“FOI UM GRANDE DESAFIO”

Antunes diz que foi um “grande repto” fazer a transformação do laboratório do prédio B3. “Antes era usado para fazer vestuários, roupas conceituais, as roupas dos nossos desfiles. Nós nunca tínhamos produzido, mas recebemos orientação e é fácil de confeccionar”.

Além do repto, Dulcicléia argumenta que o momento de união entre a comunidade e o meio acadêmico gerou resultados positivos. “O mais bonito de tudo isso é ver porquê as pessoas podem se ajudar em momentos em que precisamos nos estribar, a quantidade de pessoas que se colocaram à disposição sem lucrar zero financeiramente, só um retorno de realização pessoal”.

“QUEREMOS PASSAR O EXEMPLO”

Dulcicléia Antunes ainda observa que um dos reflexos do trabalho desenvolvido pode ser a inspiração para outras universidades, empresas e até mesmo a população em universal. “Que outros grupos de pessoas, empresas, se reúnam e façam esse trabalho. Se conseguirmos proteger os agentes de saúde será um mercê para toda a comunidade. Os profissionais têm de estar preparados para receber os pacientes”, finaliza.



Por , em 2020-04-17 21:06:02


Natividade diariodamanha.com



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