Terá Fiona Apple feito o disco do ano? Conheça algumas das razões e tire suas conclusões


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RIO – Depois de oito anos sem lançar um álbum, a cantora e compositora americana Fiona Apple tinha muito o que expor. E tudo parece estar lá em “Fetch the bolt cutters”, disco que chegou ao streaming esta sexta-feira com uma receptividade poucas vezes vista: boa segmento das críticas ao álbum – dos sites Pitchfork e Consequence of Sound aos jornais “Guardian” e “Independent” – dá-lhe a nota máxima, 100 (a última vez que o Pitchfork dera tal cotação foi para “My beautiful dark twisted fantasy”, que o rapper Kanye West lançou em 2010). E razões não faltam para que Fiona receba a realce.

Surgida ainda jovem, em 1996, em meio a um monte de cantoras, com o soturno hit “Criminal”, a americana veio lançando elogiados discos ao longo de uma errática – mas sempre íntegra – curso. Agora aos 42 anos, depois de uma série de revezes na vida pessoal, ela concentra a sua vivência nas 13 canções de um disco que, segundo diz, tem porquê tema “as mulheres” e “o destemor em falar”. De indumentária, em 2020 será praticamente impossível que seja lançado um álbum tão honesto, corajoso, irônico e intenso quanto levante de Fiona, em que não existe uma só filete desnecessária.

Sem pavor de ser pessoal, íntimo, “Fetch the bolt cutters” (um pouco porquê “traga os alicates”) fala de liberdade em seus vários sentidos, e da possibilidade de se impor porquê uma mulher falante nos tempos pós-#MeToo. Com um débito simples a todas que vieram antes dela (de Patti Smith e Yoko Ono a Alanis Morissette), Fiona Apple fez um disco que pode ser lido porquê um quotidiano, em que são longamente tematizadas as relações de uma mulher com os homens e as com as outras mulheres.

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Mas a liberdade também se faz presente em termos musicais. Sem prejuízo ao texto (na verdade, muito em mercê dele e da dramaticidade), Fiona construiu um inovador instrumental, a partir da percussão, em torno da qual gravitam seu piano, vibrafone, guitarra noise e muitos coros. “Fetch the bolt cutters” foi gravado por ela em boa segmento na sua própria morada (em Venice Beach, na Califórnia), de onde ela pouco sai. Daí a ambiência muito pessoal desse disco com muitas dinâmicas, em que uma filete pode ser radicalmente dissemelhante da outra, mas sem se distanciar do concepção sonoro universal.

Capa do álbum "Fetch the bolt cutters", de Fiona Apple Foto: Reprodução
Cobertura do álbum “Fetch the bolt cutters”, de Fiona Apple Foto: Reprodução

“I want you to love me” e a jazzística “Shameika” (em que ela lembra que não tinha pavor do bullying no escola e que isso “só fez o bullying ser pior”) abrem o disco, conduzindo à faixa-título uma das mais fortes do disco. Por cima do vibrafone, da percussão e dos latidos de um cachorro, ela conta suas memórias de quando era jovem: “eu ouvia porque ainda não havia encontrado a minha própria voz / portanto tudo o que eu conseguia ouvir era o rumor / que as pessoas fazem quando não sabem porra nenhuma”.

 

Em outra das faixas fortes do disco, “Under the table”, Fiona Apple vai construindo a tensão a partir do desconforto que uma mulher provoca num jantar, ao expor o que pensa e ao reagir ao parceiro, que a fica cutucando por debaixo da mesa para que sossegue. Já em “Ladies”, que é tentadoramente soul em estilo Cat Power, ela fala da inutilidade que é duas mulheres compararem o que viveram com um mesmo varão (“não há um paixão porquê o outro”). O tema volta, de certa forma, em “Newspaper”, em que ela se dirige à novidade companheira do seu ex: “Eu vejo ele passar por cima de você, larapiar sua voz, ser ruim, e isso me faz sentir próxima de você”.

Com canções que tratam ainda de forma muito poética e rica em imagens de assuntos porquê a depressão (“Heavy baloon”), as ilusões da monogamia (“Cosmonauts”) e os abusos que o poder intérmino provoca (“For her”), “Fetch the bolt cutters” termina em grande estilo com “On I go”, uma elucubração em moldes folk sobre o vazio da vida acelerada dos dias de antes da pandemia. Eis aí um disco que promete ressoar pelo resto do ano – e os próximos.

Cotação: Ótimo

Por Silvio Essinger , em 2020-04-17 17:24:42


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