Agulhas, a nova moda da quarentena: jovens investem em bordados e ‘salvam’ armarinhos do Rio – [Blog da Solange Pereira]

RIO – Desapoquentar o estresse, driblar o tédio, lucrar um extra. Vários são os motivos que têm levado jovens do Rio a se aventurar com linhas e agulhas durante a quarentena. Para os aprendizes de crochê, tricô e bordados, não existe preconceito de gênero nem idade. E quem surfa nessa vaga são os bons e velhos armarinhos, que vêm apostando no delivery para entregar os materiais à galera novata.

Desde janeiro, a estudante de pedagogia Hellen Barbosa, de 26 anos, planejava aprender crochê para tentar conseguir um dinheirinho a mais. Ela chegou a comprar o material, mas não teve tempo de investir no ofício. Moradora de Sepetiba, aproveitou a interrupção das atividades do escritório de advocacia em que trabalha para investir num curso on-line. Ainda não comercializa peças, mas conta que o tirocínio já lhe deu benefícios:

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— Tem sido uma terapia. A faculdade continua, à intervalo, portanto são muitos trabalhos para fazer, e a pandemia estressa. Para me acalmar, sento no sofá e pego a agulha.

Não exclusivamente novatos se viram às voltas com as linhas durante a quarentena. O estudante Alcíbano Júnior, de 22 anos, começou a bordar ainda juvenil. Autodidata, ele aprendeu a dar movimento às agulhas assistindo a vídeos no YouTube, mas a correria da vida adulta o fez deixar o hobby de lado. Foi uma bronca da mãe que o levou a retomar a antiga paixão:

— No início do isolamento social, ela ficava falando “vai arrumar esse guarda-roupa”. No meio da bagunça, achei a caixinha com meu material. Só não tinha panos. Resolvi o problema cortando duas ecobags, e voltei a bordar. Porquê sou muito ativo, tem sido bastante difícil permanecer trancado em lar, portanto é uma válvula de escape, um consolação — diz Alcíbano, que mora em Queimados.

Lojas têm investido no serviço de delivery

Enquanto uns preferem os crochês e outros escolhem os bordados, tem gente que aposta em tudo de uma vez. É o caso da tijucana Vanessa Demillecamps, de 21 anos, que, desde o prelúdios da pandemia, já aprendeu a bordar, fazer crochê e, agora, está pegando nas agulhas de tricô. E a relação com a professora é toda peculiar.

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— Minha avó sempre quis me ensinar, mas teve Alzheimer e morreu antes que eu tivesse a chance de aprender. Comentei com minha melhor amiga, que é minha vizinha, e a avó dela disse que me ensinaria. Acabei me mudando para a lar delas, e assim dei conta tanto desse sonho macróbio quando do tédio do distanciamento social — conta a estudante de veterinária.

Se, no tempo dos avós, armarinho era um paraíso físico das linhas e agulhas, em tempos do coronavírus os aviamentos estão a um WhatsApp de intervalo. Várias lojas têm investido no serviço de delivery para entregar tecidos e materiais de costura pela cidade, e há estabelecimento faturando o duplo com os pedidos on-line.

É o caso do Midala, que funciona há 19 anos na Freguesia, e cujas vendas aumentaram 100% desde que implementou as entregas em lar, um mês detrás. Na lista dos mais vendidos, evidente, estão as figurinhas do momento: linhas, elástico e tudo que é protótipo de panos de algodão, para fazer máscaras artesanais.

— A gente está até meio enrolado para fazer as entregas; são murado de 30 por dia. Todo o mundo quer confeccionar máscaras, seja para uso próprio, seja para revender. Estamos recorrendo a entregadores de aplicativos — explica uma das sócias, Alexandra Venetillo, que ontem enviou uma encomenda para o Leme, a mais de 30 quilômetros de intervalo.

Eliane Rosenthal também apostou no delivery para salvar os negócios da Ponto de Nó Artesanatos & Armarinhos, em Copacabana. E deu evidente: com a ajuda do rebento, tem levado encomendas a vários bairros.

— O volume de pedidos tem sido grande, a cada dia são pelo menos 20 — comemora Eliane.

Por , em 2020-04-17 04:33:40


Natividade oglobo.orbe.com



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