Sem comida, estrangeiros de SP pulam refeições e já voltam para seus países – 12/04/2020 – Equilíbrio e Saúde – [Blog da Solange Pereira]




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Mal duas voluntárias chegam a uma residência coletiva de imigrantes no Bom Retiro, bairro da região medial de São Paulo, uma longa fileira começa a se imaginar para conseguir iguaria. “É para cesta básica?”, perguntam.

A desengano é nítida quando descobrem tratar-se unicamente de um cadastro, mas continuam aguardando. Unicamente naquele bairro, a lista de espera pela ajuda das voluntárias já supera centena pessoas, todas elas em procura dos mantimentos que já não têm em mansão.

Sem saber o que comerão no dia seguinte, estrangeiros que vivem na cidade de São Paulo estão pulando refeições para poupar iguaria, dependem de doações e já saem do país em ônibus de sacoleiros.

A quarentena, indicada por especialistas para reduzir a curva de contágio do novo coronavírus, também acertou em referto os imigrantes —uma vez que a Folha vem mostrando na série Míngua na Pandemia, o isolamento afetou fortemente a dieta na periferia e de moradores de rua.

Porque muitos são autônomos, os estrangeiros ficaram sem renda mais rápido, e agora racionam a alimento para fazer resistir cestas básicas que ganham de voluntários.

A indústria da costura, um motor do Bom Retiro, parou depois fechamento das lojas do varejo. Os costureiros, geralmente imigrantes de países vizinhos uma vez que Bolívia e Paraguai, viram o numerário descrito do dia a dia vanescer.

Casada com um costureiro, a paraguaia Lis Mabel Estigaribia, 24, mãe de uma rapariga de 11 meses, se viu obrigada racionar o que sobrou na dispensa. “Não estamos tomando mais o moca da manhã faz duas semanas”, diz ela, há um ano no Brasil.

Ela vive em uma moradia coletiva onde dezenas de famílias estrangeiras habitam pequenos cômodos que também servem uma vez que oficina de costura —um envolvente onde é impraticável manter isolamento social recomendado contra o coronavírus.

Nesses locais, os costureiros e suas famílias passam as longas jornadas que muitas vezes superam 14 horas por dia, uma vez que o pagamento é por peça produzida.

Boliviana, Marlene Apaza, 24, vive em situação parecida com a de Lis Mabel. Mãe de crianças pequenas e casada com um costureiro, agora parado devido à quarentena, vem repetindo o cardápio todos os dias: arroz com ovo. Se as coisas continuarem uma vez que estão, sem ajuda, logo não terá nem isso.

A cunhada dela, Ruth Ianapa, 39, diz que nunca passou por uma situação tão complicada em seus 18 anos no Brasil. Segundo ela, o pouco numerário de suplente é gasto com o aluguel. “Aí o iguaria falta”, diz.

Cristian Leguizano, 35, paraguaio e também costureiro, conta que vários conhecidos já voltaram para o Paraguai. “Hoje saiu um ônibus de Guarulhos”, diz. A reportagem ouviu vários relatos similares, de parentes e amigos de imigrantes voltando a países vizinhos.

Os paraguaios têm saído em ônibus de sacoleiros até Foz do Iguaçu (PR) para enfrentar uma longa jornada, que inclui permanecer de quarentena até poderem entrar em seu país, que fechou as fronteiras.

Filha de paraguaios, a brasileira Patrícia Rivarola, 48, é voluntária na coleta de vitualhas para ajudar essa população. “Em 13 anos atuando com eles, eu nunca vi uma situação dessa”, diz ela, que se aproximou mais da comunidade depois passar a frequentar o grupo folclórico Psique Guarani.

Com outros voluntários, Patrícia distribuiu rapidamente centena cestas a pessoas sem comida no bairro. “Primeiro foram mães solteiras e com crianças. Esses que estão cá são os que não estavam nesse critério”, diz.

Segundo levantamento feito pela Folha em base em dados da Polícia Federalista, nos últimos 20 anos, os bolivianos têm sido a nacionalidade estrangeria mais recorrente a chegar em São Paulo: quase 57 milénio deles se registraram entre 1999 e 2019, era em que se expandiu muito a indústria da costura no Bom Retiro.

São bolivianos 20% do totalidade de 281.625 estrangeiros de todas as nacionalidades registradas nesse período. O número é o duplo do segundo lugar da lista, ocupado pelos chineses, com muro de 22 milénio registros.

Morando em cubículos pouco arejados, esses bolivianos já começaram a ser vítimas do coronavírus.

Quando precisam de ajuda, é a Igreja Nossa Senhora da Tranquilidade, no Glicério, que os estrangeiros procuram. Ali, funciona a Missão Tranquilidade, da Igreja Católica, onde voluntários de cada comunidade atuam angariando e distribuindo comida.

Entre os que buscam o espaço, não há só sulamericanos. “Todos aqueles refugiados que trabalhavam uma vez que microempreendedores, com culinária, conheço vários que vieram pedir socorro. Tem do Congo, da Síria, da Venezuela, essas pessoas que tinham uma vez que se manter estão passando dificuldades”, afirma o padre Paolo Parise, que atua na Missão Tranquilidade.

A congolesa Sylvie Mutiene, 37, por exemplo, vende comida típica em eventos, que deixaram de ocorrer. Uma vez que o marido perdeu o trabalho pouco tempo antes, a família ficou sem nenhuma renda.

Formada em recta, Sylvie veio do Congo há seis anos, fugindo da perseguição política ao marido, recluso numa revelação contra o governo. Ela e os filhos acabaram sendo vítimas da violência do Estado depois o marido evadir da prisão.

Em São Paulo, uma vez que refugiada, Sylvie viveu em abrigo, trabalhou uma vez que ajudante, copeira e secretária. Teve uma filha brasileira, Beatriz, 5.

Até nascente ano, estava estabilizada financeiramente. Aí o coronavírus chacoalhou tudo. Agora, a comida que tem em mansão é resultado de doações de entidades. As crianças sentem falta do frango e da alimento típica do Congo.

Uma vez que não sabe quando conseguirá outra cesta básica, ela e o marido têm racionado o que consomem. “Eu e meu marido temos deixado de jantar”, diz.

Sylvie se inscreveu para receber o auxílio emergencial do governo brasílio. “Mas isso a gente não conta para comida, vai só com o aluguel”, diz ela, que mora na zona leste com o marido, três filhos e outros parentes.

Ela se sente tão insegura quanto nos primeiros dias no Brasil. “Parece até que não que não evoluímos zero”.

Por , em 2020-04-12 09:05:19


Natividade www1.folha.uol.com.br



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