Ressurreio em meio angstia da pandemia – [Blog da Solange Pereira]




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Foto: Leandro de Santana/Esp.DP

 

A Páscoa deste ano chegou com um sentido dissemelhante para os brasileiros. Com o solidão social, a crise econômica e a preocupação com a pandemia do novo coronavírus, muitos vão terebrar mão de velhos costumes e se terebrar para novas formas de viver a data. Da Sexta-feira Santa, quando foi lembrada a crucificação de Jesus, ao Domingo de Páscoa, dia de comemorar a ressurreição do Cristo, pernambucanos que celebram esse período dizem que a data veio com mais reflexão, sentimento de empatia e um sentido pessoal de renascimento neste no.

Uma pesquisa online feita pelo Google com milénio pessoas entre os dias 7 de 19 de março deste ano, na semana ulterior à confirmação do primeiro caso de Covid-19 no país, aponta que brasileiros deixaram de repetir hábitos porquê comprar chocolate ou almoçar com parentes no domingo. De concordância com o levantamento, 53% deixarão de viajar neste feriado e 34% não farão almoços especiais na data.

Para o engenheiro Carlos Augusto Costa, que ficou curado da Covid-19 há poucos dias da Páscoa; Sara Araújo, pescadora de Brasília Teimosa que costura máscaras de TNT para os mais necessitados; Rafael Araújo, da ONG Samaritanos, que distribui diariamente mantimentos e kits de higiene para os que não podem permanecer em isolamento; e o médico Demetrius Montenegro, um dos profissionais de saúde do estado que estão na risca de frente no enfrentamento ao coronavírus, esta Páscoa também ganhou novos significados. 

Rafael Araújo, um bom samaritano

Desde garoto, o presidente da ONG Samaritanos, Rafael Araújo, trabalha com pessoas em situação de vulnerabilidade. A atividade nunca foi simples, mas durante a pandemia do coronavírus tem cobrado ainda mais do voluntário. Pela primeira vez a organização teve baixa no número de ajudantes e arrecadação, fazendo com que os grupos solidários tenham que se unir para conseguir estribar os necessitados. Por meio do coletivo Unificados Pela População em Situação de Rua, integrado por diversas organizações da sociedade social e grupos informais de trabalho, Rafael viu a oportunidade de fazer segmento de uma ação emergencial chamada Todos pela Rua. A iniciativa, ocasião nos últimos dias de março, distribui diariamente mantimentos e kits de higiene para os que não podem permanecer em isolamento. Neste Domingo de Páscoa, as marmitas doadas virão com peixes e chocolates, para que o período seja festejado mesmo em tempos de incerteza.

Rafael acompanhou seus pais em voluntariados na puerícia e juventude, mas há cinco anos fundou sua própria ONG, o Samaritanos. “Não tivemos nenhum momento que tenha sido tão provocador quanto tem sido agora. Dessa vez ficamos sem voluntários, coisa que nunca tinha realizado com a gente”, explica. “Os nossos ajudantes são jovens, mas convivem com público em grupo de risco e não têm muita autonomia para ir às ruas. Os próprios pais acabam proibindo por susto de que os filhos adoeçam. Logo algumas pessoas que já tinha se disponibilizado nos disseram que não poderiam mais nos ajudar”.

O grupo de Rafael está apoiando a ação Marmita Solidária, uma iniciativa da Frente Brasil Popular e da Arquidiocese de Olinda e Recife, que acontece no Arrecadação do Campo, no Meio da cidade, com a arrecadação e a distribuição de mantimentos. Por dia, 1,1 milénio refeições são entregues, divididas em moca da manhã e jantar. “Na Páscoa pensamos em fazer um dia dissemelhante, com um cardápio mais elaborado. As marmitas virão com peixe e também distribuiremos chocolates, o que é típico deste período”, explica. “Será uma distribuição normal, tomando todos os cuidados necessários. Mas promoveremos também um momento de reflexão com as pessoas que estiverem lá.”

As atividades estão sendo realizadas com o mínimo de ajudantes provável e uso obrigatório de EPIs. Os mantimentos são preparados por cozinheiros contratados e devidamente paramentados. Para quem se interessar em ajudar, doações podem ser entregues no Arrecadação do Campo, das 9h às 17h. “Ir às ruas em plena pandemia é de veste um duelo. Todo mundo está cônscio dos riscos, mas estamos tentando ao supremo, junto com nossa percentagem de saúde formada por médicos, enfermeiros e psicólogos, manter a higiene e segurança”, diz Rafael. “Mudamos a sistemática de distribuição de comida. Adotamos o perímetro de segurança para os voluntários e nas filas para as pessoas.”

As ações ocorrem diariamente, com o fornecimento de moca da manhã, das 6h30 às 8h, e jantar das 17h30 às 20h. “Sei que é um período difícil, todo mundo está com muito susto, muito assustado. Existe uma campanha, acertada, de que as pessoas fiquem em moradia, porque de veste o isolamento social é necessário. Mas precisamos ir às ruas, com todo o desvelo provável, porque estas pessoas estão nelas. Elas não têm onde se isolar. É uma questão de vida ou morte para elas.”

Além do Arrecadação do Campo, o coletivo Unificados também se faz presente em outras duas iniciativas: alguns voluntários do coletivo vão ao Ponto de Zelo no Arrecadação 14, ação articulada pelo Governo do Estado e Porto Social, para serviços de banho e distribuição de kits de mantimentos, das 8h às 12h; e outros fazem segmento da inciativa do Governo do Estado, Porto Social, Unicape Unificados pela Pop Rua realizada no prédio do vetusto Liceu. O espaço foi reformado para que possa funcionar uma lavanderia e um lugar de banho para pessoas em situação de rua. Para ser voluntário, basta procurar o Instagram @unificadospsr, onde há mais informações sobre o projeto.

“Necessitamos de arrecadação para continuar com a sustento e com os kits de higiene, mas também precisamos de pessoas que não estejam em grupos de risco, e que não morem com pessoas em grupo de risco, sem sintomas para ser voluntárias com a gente”, pede Rafael. “Espero também que essas ações tenham perpetuidade quando a pandemia passar. Precisamos continuar pensando juntos em políticas públicas para esta população que é tão esquecida no restante do tempo.”

Doações:

Banco do Brasil
Filial: nº 3243-3
Conta Fluente: nº 43787-5
Associação Católica dos Samaritanos
CNPJ sob nº: 32.589.782/0001-32

 

Foto: Rafael Ara

 

 

Máscara para quem não tem porquê se proteger

O desvelo faz segmento do dia a dia da pescadora Sara Araújo. Há cinco anos seu marido sofre de disfunção nos rins e precisa de hemodiálise três vezes por semana. Ele teve que parar com a pesca, restando à mulher de 56 anos sustentar a moradia em Brasília Teimosa, que divide com três netas e um rebento com problemas neurológicos. O carinho necessário para manter sua família é tanto que acaba transbordando para outras pessoas. Há três décadas Sara participa do Mães do Flau, associação criada para facilitar crianças e adolescentes carentes. Há pouco mais de seis meses abraçou também o movimento popular Marcha Mundial das Mulheres, pelo qual foi convidada a costurar máscaras de TNT para os mais necessitados.  

Intitulado Mãos Solidárias, o projeto de produção e distribuição deste equipamento de proteção individual conta com voluntários em Recife (Brasília Teimosa e Boa Viagem) e Caruaru. Na Rua Dagoberto Pires, Sara e mais quatro mulheres confeccionaram 600 unidades para pessoas em situação de rua. As máscaras são distribuídas diariamente no Arrecadação do Campo, no Meio, junto com marmitas.  

“Só Deus sabe a hora que eu vou dormir. Negócio cedo para pescar. Tem cliente meu que antes das 4h pergunta se vou ter siri. Cuido da sustento dos meus netos e marido, arrumo a moradia e, logo depois o almoço, início a costurar. Paro só para jantar e ver o jornal. Por dia faço 30 unidades”, explica Sara. “Acho que por conviver com tantas dificuldades, tento me destinar aos que precisam. Faria mais, se o tempo permitisse. Conheço histórias mais complicadas que a minha.”

A Páscoa era momento de alegria para Sara. Ela lucrava com a venda de pescados, que aumentam nesta era. Mas, há qualquer tempo problemas externos vêm minando o proveito de quem trabalha no mar. “Começou com o óleo. Quando aconteceram aqueles vazamentos muitas pessoas pararam de comprar peixes, tinham susto de se contaminar. Agora não é dissemelhante, ninguém quer – nem pode – transpor de moradia por conta do vírus”, comenta. “Dificuldade financeira sempre tivemos, mas está ainda mais complicado fechar as contas.”

Para lastrar a situação financeira, as máscaras também se tornaram solução. “Produzimos para doar, mas também olhamos em volta no nosso bairro, nas nossas famílias. Muitas pessoas não conseguiram comprar máscaras em farmácias, porque estão sempre em falta ou muito supra do valor que os moradores de Brasília Teimosa podem gastar. Logo tivemos a teoria de confeccionar outra remessa, dessa vez para vender. Cada uma sai por R$ 2 para os clientes e custa 30 centavos às costureiras. O lucro ajuda a manter nossas famílias”, diz Sara.

É importante lembrar que as máscaras de TNT são recomendadas a pessoas saudáveis que integrem grupos de risco, mas que não podem estar em isolamento social, porquê as pessoas em situação de rua, ambulantes e voluntários. Também serve porquê opção a máscara cirúrgica descartável, indicada exclusivamente para profissionais de saúde. Ao utilizá-la é importante se constatar a algumas regras, porquê estancar cuidadosamente a boca e o nariz; evitar tocar durante o uso e remover sem mexer no tecido, mas sim nos elásticos que passam por trás da ouvido. As máscaras não podem ser reutilizadas.

“Estamos esperando doações de tecido para que possamos fazer máscaras mais resistentes. Por enquanto temos exclusivamente TNT”, diz Sara. “Precisamos também de voluntárias para nos ajudar nas demandas. Temos muitas pessoas para ajudar e poucas para fazer. Ajudando uns aos outros, passaremos por essa mais fácil.”

 

Em seguida a trato, é hora de refletir

 A noção de renascimento da Páscoa ganhou novo sentido para o engenheiro Carlos Augusto Costa, 58. Em seguida dez dias de internação e isolamento no Real Hospital Português, ele recebeu a notícia de que estava curado do novo coronavírus. Faltavam cinco dias para a Sexta-feira Santa quando a subida médica foi assinada. “A Páscoa já era de prece, mas havia confraternização, contato com a família, distribuição de ovos. Agora, a data tem significado privativo porque eu também ressurgi. Passa pelo significado de reflexão. Será, a partir de agora, uma novidade Páscoa, um novo marco também em minha vida”, diz.

No início de março, Carlos embarcou, porquê fazia com frequência, para observar às aulas de gestão empresarial no Instituto Universitário de Lisboa, para Portugal. O país europeu ainda estava com universidades funcionando quando o engenheiro desembarcou por lá. O projecto de Carlos era comparecer às aulas de segunda a sexta-feira e voltar para o Recife no término de semana. O planejamento foi seguido até a quarta, quando foi anunciada a suspensão das atividades na quinta e na sexta. “O clima na cidade era tranquilo. Uma vez que não haveria lição, voltei e fiquei no apartamento que aluguei. Não havia recomendação de isolamento social”, conta.

No dia 11 de março, 13 universidades de Portugal, país com murado de 10 milhões de habitantes, cancelaram as aulas. Naquele dia, o país registrava 59 casos da doença, levando à suspensão de atividades em 13 dos 37 institutos de instrução superior do país. “No sábado (14 de março), organizei as minhas coisas e fui ao aeroporto. Não estava sentindo zero e voltei para o Recife em um voo com muitas cadeiras vazias”, relata Carlos, que, ao retornar, teria uma reunião no Rio de Janeiro que acabou sendo cancelada. Apesar de ter ido à cidade, retornou sem participar do encontro. No dia seguinte, começaram os sintomas da doença.

Com moleza no corpo e tosse sem intensidade, o engenheiro ligou para o médico da família. Depois, teve febre e dor de cabeça potente. “Era uma dor de cabeça porquê eu nunca havia sentido antes. Não sou de adoecer. Tenho dieta e peso equilibrados, vida ativa. Nunca achamos que pode intercorrer conosco”, afirma. Depois de uma semana sem a febre parar, o médico orientou que o paciente fizesse o teste para checar se o motivador dos sintomas era o novo coronavírus. O revista confirmou a infecção. “A rotina era de relâmpago x, exames, isolamento. A sensação é de que você está em um filme de ficção científica. Os profissionais de máscara, descartando tudo quando saem”, relata. Ao longo da semana, recebeu medicamentos, e a febre começou a ceder. “No dia 3, o revista deu porquê não detectado, mas continuei tomando remédios. Saí do isolamento totalidade e recebi a subida no domingo.”

No isolamento, sem receber qualquer visitante, Carlos costumava rezar e meditar diariamente. Recebia, pelo telefone, mensagens e orações de amigos e familiares. “Você se faz muitas perguntas, questiona o porquê de estar passando por aquilo, mas eu preenchia os meus dias com orações, meditações e missas pela TV”, conta. “Foi um período que mexeu muito comigo. Enquanto estava lá, ouvia que as pessoas estavam morrendo. Eu pensava que podia ser mais um número. Fiz uma avaliação da minha vida. Eram momentos de muita reflexão. Revivi, ressurgi, mas poderia não ter saído, porquê muitos, logo deixo uma mensagem de fé para as pessoas e peço que cada um faça uma reflexão interno e se pergunte porquê tem ajudado e porquê pode ajudar nesse momento”, define.

 

A luta diária no olho do furacão

Aos 49 anos, o infectologista Demetrius Montenegro encara um dos maiores desafios da curso no momento em que completa 25 anos de medicina. Um dos principais nomes do estado no enfrentamento ao coronavírus, vive uma rotina puxada na risca de frente. No Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), é dirigente do setor de Infectologia. Apesar de estar em um incumbência de gestão, divide com os colegas plantões nos quais tem contato com pacientes. Trabalha ainda no Real Hospital Português, unidade de saúde com o maior número de pacientes da Covid-19 na rede privada no estado.

“O primeiro grande duelo foi o H1N1 em 2009. O segundo foi a possibilidade de o ebola chegar ao Recife. Montamos toda a estrutura, mas, felizmente, ficou exclusivamente na programação. Esta pandemia atual, porém, tem sido o maior duelo para médicos de todas as especialidades e gestores”, afirma.

O H1N1 chegou ao Brasil em maio de 2009, quando foram registrados 20 casos em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. No final de junho, 627 pessoas em todo o país estavam contaminadas. A primeira morte aconteceu no Rio Grande do Sul. Neste ano, em Pernambuco, 51 foram diagnosticadas com a doença. Já a epidemia do ebola, em 2013, não chegou ao estado. Nos três países mais atingidos – Libéria, Guiné e Serra Leoa – 26.593 pessoas foram afetadas pelo vírus. De concordância com o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), 11.005 morreram.

Antes das primeiras confirmações do coronavírus em Pernambuco, Demetrius já atuava porquê um dos principais nomes do estado no enfrentamento à pandemia. “O trabalho do profissional de saúde não é só daquele que está com o paciente. Há toda uma estrutura que precisa viver para o hospital funcionar. O duelo, logo, é para todos: médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, nutricionistas. Em um hospital porquê o Oswaldo Cruz, toda uma rotina é alterada. Em dois dias, disponibilizamos para o estado 160 leitos de enfermaria e de UTI. Foi um momento histórico no hospital”, diz.

Além de atuar dando suporte à direção do hospital, porquê dirigente do setor de Infectologia, e à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), Demetrius ainda divide com outros colegas avaliação de pessoas na enfermaria do Huoc. “Temos pneumologistas, nefrologistas, hematologistas, endocrinologistas, médicos de várias áreas nessa guerra. Apesar de atuar na segmento mais burocrática, não me privei de estar no front”, ressalta.

Para os profissionais de saúde, na reparo de Demetrius, esta Páscoa será de muita reflexão. “Normalmente, acaba sendo mais uma sarau. Nessa confraternização, às vezes, não paramos para raciocinar no real sentido do que é a data. Há, na Páscoa, um sentido de coletividade, de pensar no outro, de solidariedade. Esta é, logo, uma oportunidade de as pessoas pararem para refletir sobre o quão interesseiro é pensar exclusivamente no nosso mundo privado. E isso não vai intercorrer exclusivamente no Recife, em Pernambuco, no Brasil. Será no mundo inteiro”, pontua.

Esta é, para o médico, uma chance que o mundo tem de fazer dissemelhante. “É um recado da vida, do planeta, de que precisamos fazer dissemelhante na nossa moradia, no nosso bairro, na nossa cidade, no nosso estado, no nosso país, no mundo. A oportunidade de pensar e de mudar é essa. É importante que as pessoas encarem essa situação porquê um tanto real. Às vezes, quando saio do hospital para moradia e de moradia para o hospital, que são os únicos trajetos que faço atualmente, percebo que muita gente parece não confiar no que estamos vivendo. Esta é uma guerra real, e cada um precisa fazer a sua segmento ficando em moradia”, enfatiza.

 

 

 



Por , em 2020-04-12 10:47:00


Manadeira www.diariodepernambuco.com.br



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