A esperança pede passagem: casal fala sobre a vida em dias de pandemia e com filha recém-nascida – [Blog da Solange Pereira]

 Luiz Henrique Gomes

Repórter

Quando Killa de Melo Ciríaco veio ao mundo no dia 18 de janeiro o verão aquecia o Brasil e o carnaval se anunciava com as prévias; os Estados Unidos e o Irã ameaçavam uma guerra; o meato Porta dos Fundos era censurado; e uma colunista da Folha de S. Paulo perguntava: “China põe termo à pobreza em 2020?”. Três meses depois, a pandemia do coronavírus engoliu esses assuntos e tornou as previsões vazias de sentido. Killa não tem idade para entender o que os noticiários dizem, mas os pais, Diego Ciríaco e Danielly Melo, sabem que ela é a primeira geração de um mundo novo.

O par mora em Natal e decidiu entrar em quarentena antes do coronavírus se intensificar no Rio Grande do Setentrião, na semana de 15 a 21 de março, e as autoridades recomendarem o distanciamento social. Eles estão isolados desde 11 de março, dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia do novo coronavírus. A decisão é em segmento por conta da filha, em segmento por Danielly ser asmática, o que faz ela ser do grupo de risco.

Créditos: Diego CiríacoDiego e Danielly contam que a distância dos familiares exige dos dois uma atenção integral a KillaDiego e Danielly contam que a intervalo dos familiares exige dos dois uma atenção integral a Killa

Um mês se passou desde a decisão, os casos confirmados de coronavírus aumentaram no Rio Grande do Setentrião. Os três seguem isolados e convivem pessoalmente somente entre si, com exceção de um dia que a avó materna viu Killa na cadeirinha do sege. As únicas saídas são de Diego para atividades essenciais, porquê ir ao supermercado para fazer compras ou pegar imóveis para reformar (o par é proprietário de um ateliê).

A rapariga cresce rapidamente e dia posteriormente dia aprende um tanto novo— o que, para os pais, é um conforto no meio da pandemia, mas também um lamento de não poder compartilhar de perto com a família. Esse desenvolvimento é escoltado somente através dos vídeos e fotos compartilhados com familiares e amigos. “Isso é bastante doloroso para mim porque eu queria muito que ela tivesse contato com a minha família e até com outras crianças”, conta Danielly Melo.

Diego tem 33 anos e Danielly, 36. Killa é a primeira filha do par e a intervalo dos familiares exige dos dois uma atenção integral e um aprendizagem quotidiano para eles também. Diego conta que o mais difícil são as poucas horas de sono, o pequeno espaço de tempo para atividades individuais e de lazer em lar, porquê cuidar do jardim, e as necessidades de mudanças em atividades que faziam juntos, porquê as refeições, para a bebê não permanecer sozinha.

Os dois se apegam ao sumo um ao outro para compartilhar as dificuldades de serem pais de primeira viagem e isolados e cuidar da filha. “Eu e Diego conversamos muito, somos muito amigos. Tem horas que olhamos um para o outro e conversamos muito sobre tudo que estamos passando”, conta Dany.

Por outro lado, a rotina compartilhada dos três fazem o par tirar a atenção do coronavírus e os acalma. “O bebê requer o zelo e uma rotina e isso nos ajuda muito, apesar do cansaço ser muito grande. Somos só nós dois o tempo inteiro. As vezes queríamos uma ajuda simples, porquê olhar ela enquanto a gente come. Mas agora é eu e ela e ela por mim”, diz Diego. “E nós dois pela bebê”, completa Dany.

O distanciamento social do par existia parcialmente desde o promanação da rapariga porque, por ser muito novidade, eles deixaram de frequentar shoppings e locais com muita aglomeração. Um lugar que Diego sente falta, entretanto, é da praia. Antes do isolamento, Killa chegou a ir três vezes nos horários mais amenos. Nos dois primeiros meses de vida da rapariga, antes do isolamento, poucos amigos foram visitar o par.

Quando Danielly engravidou há murado de um ano, o par não imaginava que o desenvolvimento da filha seria num momento tão frágil para a humanidade. Susto? “Existe, simples. Existe o pavor de gerar um bebê em um mundo que não sabe se vai ter amanhã, mas ao mesmo tempo fico achando que ela e outros bebês que nasceram nessa estação estão para trazer esperança e narrar a história”, relata Dany.

Asmática, a outra ponta do pavor de Dany é a filha perder qualquer dos dois por conta da pandemia. Em determinado momento, ela chegou a temer tanto por isso que sentiu falta de ar e dor de cabeça, sintomas do novo coronavírus, mas percebeu durante a conversa em uma rede social com uma amiga, que teve o vírus, que era impaciência.

Dias detrás, Dany assistia as notícias do progresso do coronavírus no Brasil e começou a se sentir triste pelos milhares de mortes que a doença causou no mundo praticamente no mesmo tempo de vida que a filha. A atenção foi distraída quando Killa, nome de uma diva inca e que significa ‘lua’ em quíchua, começou a sorrir. “É disso que eu preciso agora”, concluiu.

Trabalho

Danielly é professora de inglês e doula; Diego, massoterapeuta autônomo. Com o promanação da filha, a licença-maternidade de Dany, favor reservado às mães que se afastam do ofício nos estágios finais da gravidez ou logo posteriormente darem à luz, se tornou a principal renda da família. Diego precisou desmarcar todas as massagens de março e abril para executar o isolamento. 

“A gente fez um aperto cá e outro ali e estamos economizando muito porque não saímos, logo não gasta combustível. A principal renda é a licença-maternidade. Eu desmarquei todas as massagens, deixei de lucrar numerário já em março, porque precisava permanecer em lar com a bebê e respeitar o isolamento”, disse o massoterapeuta.

Uma outra renda é o ateliê de reforma e construção de móveis que os dois, mas principalmente Dany. Diego conta que é uma ajuda mínima, “mas é uma ajuda”. Entretanto, desde o promanação de Killa, antes do novo coronavírus chegar ao Brasil e ao Rio Grande do Setentrião, o trabalho do ateliê diminuiu e os dois aceitam somente móveis pequenos.

O par continua aceitando esse tipo de pedido. Diego passou a pegar os móveis com máscara e luva e evitar ainda mais os móveis grandes para evitar que precise de ajuda de outros para carregar. “Com móveis pequenos, esse contato que eu tenho com outra pessoa é mínimo”, disse.

Rotina, espiritualidade e angústias  Espiritualista, Dany se apega em mantras para se manter tranquila e viver com menos angústia o processo de se tornar mãe durante uma pandemia. Desde o promanação, a espiritualidade também passou a fazer segmento da rotina da filha. Todos os dias, por volta das 18h, ela coloca mantras e faz massagens na bebê até ela se acalmar.

“Eu acho que num momento de confinamento porquê esse, principalmente para a mãe, que é um processo de luto com relação ao corpo, às horas de sono, a mulher que você era antes, é preciso se apegar ao que dá suporte. O que me dá suporte nesse momento é a espiritualidade. O mantra para mim tem uma base científica, funciona para eu conseguir relaxar, amenizar dores e a gente está tentando trazer isso para a Killa”, afirma.

Pela manhã, quando Killa está dormindo, a professora de inglês e doula faz distensão, cuidar do jardim e reformar o quarto da filha, que ainda não está pronto, junto com Diego.

Um grupo de mães em situação semelhante criado no intuito de amenizar as dores também é uma saída para a professora de inglês. “Todas nós falamos sobre o processo difícil de não dormir, de não poder transpor. Falar sobre isso tem aliviado os momentos mais difíceis também.”

Comitiva médico

Sem a possibilidade de levar Killa para realizar consultas pediátricas e tomar vacinas, comuns nessa idade, a opção encontrada pelo par foi manter contato com a pediatra virtualmente. A médica acalmou os dois com relação as vacinas, já que se encontram isolados e com hábitos de higiene reduplicado. 

“Killa tem uma pediatra muito atenciosa e eu estou sempre consultando ela para ter esse suporte galeno. Com relação a isso, estamos muito tranquilos”, afirma o par.

Por , em 2020-04-12 00:00:00


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