Imigrantes se reinventam vendendo máscaras, marmitas e aulas online para driblar crise – 11/04/2020 – Mundo – [Blog da Solange Pereira]




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Acostumada a vender bonecas africanas de tecido e a dar cursos ensinando a confeccioná-las, a guianense Renee Ross-Londja, 48, se viu sem trabalho de um dia para o outro. “Minhas encomendas, as feiras e os workshops foram todos cancelados”, conta.

A situação de Renee é a mesma de muitos imigrantes que dependiam de eventos e de transpor à rua para sobreviver. Assim uma vez que os brasileiros que trabalham de forma autônoma, eles ficaram sem renda por conta do isolamento social decretado para evitar o progressão da pandemia de coronavírus.

No caso dos estrangeiros, há o agravante de que alguns são refugiados de países em guerra ou com a economia destruída, muitos não têm parentes ou rede de escora no Brasil e vários deles são provedores de sua família no exterior.

Com a ajuda de um projeto que reúne imigrantes que trabalham com economia criativa, Renee mudou temporariamente de ramo: está confeccionando máscaras de tecido, recomendadas pelo Ministério da Saúde para ajudar na prevenção contra o vírus. Uma estilista síria e uma modista boliviana também participam da iniciativa.

Cada uma em sua vivenda, elas confeccionam máscaras de algodão, com dupla categoria, uma vez que recomendam os especialistas, vendidas a R$ 10 a unidade. ”Graças a Deus estão chegando as encomendas, porque agora é a única manadeira de renda para nós”, diz Renee.

“Os imigrantes ficaram sem solo. Muitos estavam trilhando um caminho que neste momento não serve para zero. Alguns tinham reservas para 15 dias, mas já zerou o que guardaram”, conta Maria Nilda Santos, criadora do projeto Deslocamento Criativo, que deu a teoria da confecção de máscaras. “Todos vivem de aluguel e estão com terror de uma vez que farão no mês que vem, de uma vez que vão manducar, remunerar as contas.”

Maria Nilda tenta agora resolver questões práticas, uma vez que comprar tecido e elástico com as lojas fechadas (o grupo procura doações de matéria-prima) e encontrar opções viáveis de entrega. “O correio está meio parado, o motoboy fica dispendioso para quem pede pouca quantidade. Estamos sugerindo que os clientes se juntem com amigos para pedir várias máscaras de uma vez e gratificar a taxa de entrega”, afirma.

Ela também procura soluções para outros imigrantes que costumavam participar de suas aulas, geralmente nos Sescs —que agora estão fechados. Um sírio que faz perfumes personalizados está criando um curso online sobre aromas árabes. Um congolês que dá oficinas de pintura em tecidos africanos está pensando em um formato parecido.

Imigrantes que trabalham com comida típica em São Paulo também estão tendo que se reinventar. A maioria vendia seus produtos em feiras, festas e eventos para muita gente. Agora, eles focaram no delivery e criaram opções de marmitas individuais.

“Aconteceu tudo junto. Foram cancelados todos os eventos agendados para levante ano e me pediram reembolso do quantia sem possibilidade de reagendamento, porque não se sabe quanto pode persistir essa crise”, conta o peruviano Victor López, 34, que atua uma vez que personal chef com sua empresa, a Cena.

Ele criou logo menus semanais de pratos congelados saudáveis, vendidos em forma de kits e entregues na vivenda dos clientes. Os pedidos aumentaram à medida que o isolamento foi ficando mais sério, conta. “Muita gente encontrou uma limitação por não ter o hábito de cozinhar e muitos restaurantes estarem fechados”, diz. “Apesar da crise, estou contente por ter encontrado outra direção para o meu negócio.”

Além de lançar um novo cardápio de entregas para seu negócio Arepas Picatta, a venezuelana Rosalva Cardona, 37, que vendia comidas típicas de seu país em um food truck (agora parado), criou um sistema de voucher com bônus, em que o cliente adquire um cupom para ser usado quando completar a quarentena e ganha um valor extra.

A compra vale por um ano e pode ser usada em pedidos de delivery ou serviço de catering para eventos empresariais ou familiares. Uma compra de R$ 300, por exemplo, dá recta à consumação de R$ 400. “Lançamos essa campanha para amenizar essa quadra difícil, que todos vamos superar”, diz a proposta.

Rosalva também está treinando para dar aulas virtuais de culinária, uma iniciativa da organização Migraflix, que capacita imigrantes para oferecer serviços de catering, palestras e workshops culturais para empresas.

“Porquê todos os eventos foram cancelados, não estamos conseguindo gerar renda para esses empreendedores, logo estamos trabalhando em outras iniciativas”, diz Jonathan Berezovsky, fundador da organização.

Uma delas é uma plataforma de cursos online oferecidos por imigrantes, com previsão de lançamento para a próxima terça. “Criamos um treinamento para que eles aprendam a formatar um workshop cultural para levante novo mundo que estamos vivendo”, afirma Berezovsky. Gastronomia indiana, colombiana e síria, teatroterapia, verso africana e dança zulu estão entre as opções.

Outro projeto que migrou temporariamente para o meio virtual foi o Amplexo Cultural, uma escola de idiomas com professores refugiados e espaço físico em São Paulo e no Rio de Janeiro. As aulas em turma foram transferidas para um app que permite reunir várias pessoas numa conversa, e agora também são oferecidas aulas particulares.

“Fizemos uma formação com nossos professores, pois muitos nunca tinham oferecido aulas online. Compramos pacote de internet para todos, emprestamos computadores para quem precisava. Tivemos algumas desistências, mas no universal os alunos têm aceitado muito”, diz a coordenadora, Mariângela Garbelini.

A ONG também abriu um sistema de financiamento recorrente para seus projetos e está criando uma plataforma para propalar o trabalho de imigrantes e conectar refugiados a pessoas que querem fazer doações.

Para algumas profissões, porém, encontrar uma selecção que não exija presença é mais difícil. O italiano Giuliano Orlando, 34, por exemplo, é guia de turismo em São Paulo. Sem conseguir fazer os passeios, ele decidiu aproveitar a pausa forçada para dar um gás em suas redes sociais.

“Não tenho outra manadeira de renda agora, mas estou me colocando mais nas redes, produzindo teor original todos os dias. Assim me mantenho ativo, tento lucrar novos seguidores e me comunico com velhos clientes e potenciais novos clientes”, conta ele, que também testa um formato de experiências virtuais.

A falta de uma estrutura adequada em vivenda para o trabalho remoto é outra barreira para muitos imigrantes, mormente os que vivem na periferia. Por exemplo, nem todos têm um computador ou um bom celular com conexão rápida à internet para produzir cursos virtuais ou uma cozinha preparada para atender pedidos de delivery.

“Tem imigrantes e refugiados passando lazeira neste momento. Estamos fazendo campanha para receber cestas básicas, fraldas e produtos de higiene para essas famílias”, diz o sírio Abdo Jarour, da ONG África do Coração.

O próprio Abdo, que vivia de palestras, saraus e outros eventos, está sem trabalho remunerado no momento. “Não estou tendo retorno financeiro, mas continuo cuidando dos projetos a partir de vivenda e tentando ajudar.”

SERVIÇO

Amplexo Cultural

Cursos virtuais de idiomas com professores refugiados
www.abracocultural.com.br

África do Coração

Reúne doações em quantia, provisões e produtos de higiene para imigrantes em situação precária

(11) 96351-3777 (Abdo Jarour)

Arepas Picatta

Delivery e voucher de comida venezuelana

(1) 98991-3811
https://www.ifood.com.br/delivery/sao-paulo-sp/arepas-picatta-sp-perdizes/

Cena Cozinha

Marmitas saudáveis congeladas feitas por chef peruviano

(11) 97572-5421
www.instagram.com/cenacozinha

Concrete Jungles Walking Tour

Lives com guia turístico italiano
www.instagram.com/concretejungles.walkingtours

Deslocamento Criativo

Máscaras de tecido feitas por imigrantes
https://www.instagram.com/deslocamento.criativo/

Migraflix

Cursos online de gastronomia, dança e outras atividades oferecidos por imigrantes
www.migraflix.com.br

Razan Comida Sarraceno

Marmitas de comida síria

(11) 99880-8496



Por , em 2020-04-11 01:10:09


Manancial www1.folha.uol.com.br



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