Imigrantes driblam crise vendendo máscaras, marmitas e aulas online – [Blog da Solange Pereira]




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Máscaras caseiras podem combater coronavírus

Máscaras caseiras podem combater coronavírusFoto: André Rodrigues (FramePhoto/Folhapress)

Acostumada a vender bonecas africanas de tecido e a dar cursos ensinando a confeccioná-las, a guianense Renee Ross-Londja, 48, se viu sem trabalho de um dia para o outro: “Minhas encomendas, as feiras e os workshops foram todos cancelados”. A situação de Renee é a mesma de muitos imigrantes que dependiam de eventos e de transpor à rua para sobreviver, generalidade a tantos brasileiros na pandemia de coronavírus.

No caso dos estrangeiros, há os agravantes de que alguns vêm de países em guerra ou com a economia destruída, muitos não têm parentes ou rede de suporte no Brasil e vários são provedores de suas famílias no exterior.

Com a ajuda de um projeto que reúne imigrantes que trabalham com economia criativa, Renee mudou temporariamente de ramo: confecciona máscaras de tecido, recomendadas pelo Ministério da Saúde para combater o vírus, com uma estilista síria e uma modista boliviana.

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Cada uma em sua lar, elas confeccionam máscaras de algodão, com dupla estrato, vendidas a R$ 10 a unidade. “Graças a Deus estão chegando as encomendas, porque agora é a única nascente de renda para nós”, diz Renee.

“Os imigrantes ficaram sem solo. Muitos estavam trilhando um caminho que neste momento não serve para zero. Alguns tinham reservas para 15 dias, mas já zerou o que guardaram”, conta Maria Nilda Santos, criadora do projeto Deslocamento Criativo, que deu a teoria da confecção. “Todos vivem de aluguel e estão com terror de uma vez que vão manducar, remunerar as contas.”

Maria Nilda tenta resolver questões práticas, uma vez que comprar tecido e elástico com as lojas fechadas (o grupo procura doações de matéria-prima) e encontrar opções de entrega. “O correio está meio parado, o motoboy fica custoso para quem pede pouca quantidade. Sugerimos que os clientes se juntem com amigos para pedir várias máscaras de uma vez e gratificar a taxa”, afirma.

Ela também procura soluções para outros imigrantes que costumavam participar de suas aulas, geralmente nos Sesc –que agora estão fechados. Um sírio que faz perfumes está criando um curso online sobre aromas árabes. Um congolês que dá oficinas de pintura em tecidos está pensando em formato parecido.

Imigrantes que trabalham com comida típica em São Paulo também se reinventam. A maioria vendia seus produtos em feiras, festas e grandes eventos. Agora, focam em delivery e marmitas individuais.

“Aconteceu tudo junto. Foram cancelados todos os eventos agendados para leste ano e me pediram reembolso do numerário sem possibilidade de reagendamento, porque não se sabe quanto pode porfiar essa crise”, conta o peruviano Victor López, 34, personal chef com sua empresa, a Cena.

Ele criou logo menus semanais de congelados saudáveis, vendidos em kits e entregues em lar. Os pedidos aumentaram à medida que o isolamento foi ficando mais sério, conta. “Muita gente encontrou uma limitação por não ter o hábito de cozinhar e muitos restaurantes estarem fechados”, diz. “Apesar da crise, estou contente por ter encontrado outra direção.”

Além de lançar novo cardápio de entregas para seu negócio Arepas Picatta, a venezuelana Rosalva Cardona, 37, que vendia comidas de seu país em um food truck (agora parado), criou um sistema de voucher com bônus: o cliente adquire um cupom para usar quando perfazer a quarentena e ganha um valor extra.

A compra vale por um ano e pode ser usada em pedidos de delivery ou catering para eventos. Uma compra de R$ 300, por exemplo, dá recta a consumação de R$ 400. “Lançamos essa campanha para amenizar essa quadra difícil, que todos vamos superar”, diz a proposta.

Rosalva também treina para dar aulas virtuais de culinária, iniciativa da organização Migraflix, que capacita imigrantes para serviços de catering, palestras e workshops culturais para empresas.

“Sem eventos, não estamos conseguindo gerar renda para esses empreendedores, logo trabalhamos em outras iniciativas”, diz Jonathan Berezovsky, fundador da organização.

Uma delas é uma plataforma de cursos online oferecidos por imigrantes, com previsão de lançamento na próxima terça (14). “Criamos um treinamento para que eles aprendam a formatar um workshop cultural para leste novo mundo em que estamos vivendo”, afirma Berezovsky. Gastronomia indiana, colombiana e síria, teatroterapia, verso africana e dança zulu estão entre as opções.

Outro projeto que migrou temporariamente para o meio virtual foi o Amplexo Cultural, escola de idiomas com professores refugiados e espaço físico em São Paulo e no Rio. As aulas em turma foram transferidas para um app que permite reunir várias pessoas numa conversa, e agora também são oferecidas aulas particulares.

“Fizemos uma formação com nossos professores, pois muitos nunca tinham oferecido aulas online. Compramos pacote de internet para todos, emprestamos computadores para quem precisava. Tivemos algumas desistências, mas no universal os alunos têm aceitado muito”, diz a coordenadora, Mariângela Garbelini.

Para algumas profissões, trabalho que não exija presença é mais difícil. O italiano Giuliano Orlando, 34, é guia de turismo em São Paulo. “Não tenho outra nascente de renda agora, mas estou me colocando mais nas redes, tento lucrar novos seguidores e me comunico com velhos clientes”, conta.

A falta de estrutura em lar é outra barreira para muitos. Nem todos têm conexão rápida para fabricar cursos virtuais ou cozinha para delivery. “Tem imigrantes e refugiados passando lazeira neste momento. Estamos fazendo campanha para receber cestas básicas, fraldas e produtos de higiene para essas famílias”, diz o sírio Abdo Jarour, da ONG África do Coração.



Por , em 2020-04-11 11:33:00


Natividade www.folhape.com.br



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