Covid-19. Costureiras que já coseram centenas de materiais de proteção para hospitais estão com falta de tecido – [Blog da Solange Pereira]




Clique aqui e saiba mais sobre o Super Kit de Moldes + Curso de Costura do Zero – entrando agora ganhe Moldes grátis para imprimir + aula de teste.

Filomena Silva é modista e nunca tinha ouvido falar em cógulas. “A doutora Ângela ligou-me, mandou-me uma retrato com um exemplo, mas eu só conseguia perceber que era para tapar a cabeça e o pescoço.” Não havia moldes, não havia indicações. “Tive de improvisar. Fui fazer o que achei, experimentei na cabeça do meu marido, e fomos adaptando.”

Faz agora três semanas que esse telefonema de Ângela Rodrigues, anestesista no Hospital Fernando Fonseca, vetusto Amadora Sintra, deu origem a uma manante que se estendeu por todo o país. Nos hospitais da Covilhã, Fortaleza Branco, Santa Maria, Cascais, Garcia da Orta, Alentejo e Algarve há mesmo pessoas dedicadas à logística de um projeto sem nome, mas com vários rostos, que consiste em costurar e repartir pelos profissionais de saúde cógulas e perneiras, materiais de proteção que cobrem a segmento de cima e de insignificante do corpo.

As cógulas cobrem sobretudo cabeça e pescoço

As cógulas cobrem sobretudo cabeça e pescoço

D.R.

Foi tudo de um só fôlego. “A minha mulher partilhou a teoria num grupo de médicos no Facebook às 11h da manhã e ao meio-dia tinha a caixa de correio enxurro de e-mails, a pedir informações sobre uma vez que fazer, a pedir moldes.” Foi nessa profundeza que Tiago Cochicho, marido de Ângela Rodrigues, deu corpo a projeto. “Criei um e-mail, com informações sobre o tecido necessário e partilhei com algumas pessoas conhecidas”, recorda, num invitação que se dirigia a quem soubesse costurar ou estivesse interessado em aprender. “Descobrimos que o TNT [acrónimo de “tecido não tecido”, feito com liga de fibras] era o material indicado e fui falar com uma pessoa conhecida, dona de uma empresa que faz t-shirts”, explica Tiago Cochicho. A empresa, a A. M. Frazão, doou dois rolos de material e deu outro impulso. “Nós estávamos a trinchar à mão, que custa um mica. Com os cortes industriais ficou mais fácil.”

Não foi a única ajuda de grande segmento. Juntou-se a “Nomalism”, uma empresa de tecidos que agora ajuda a coordenar a iniciativa a nível vernáculo, e a transportadora Nabais, que assegura gratuitamente o transporte de tecidos das fábricas ou de particulares até às costureiras, que são já centenas por todo o país, ilhas incluídas. “Ainda agora a Nomalism teve um pedido de 10 rolos de TNT para o Algarve, e a transportadora é de Sintra, mas disponibilizou-se para ir lá levar”, explica Tiago Cochicho, que coordena os pedidos e entregas para o Amadora Sintra.

Foi de lá que, uma semana em seguida a primeira publicação, Ângela Rodrigues mostrou onde já ia a iniciativa:

“Também foi muito importante a confirmação das direções dos hospitais. No Amadora Sintra ficaram gratos e permitiram-nos fazer logo testes de esterilização do material”, conta Tiago. As cógulas, apesar de não serem obrigatórias, “ajudam a proteger” e são “úteis para quem está em contacto permanente com doentes”. Só podem ser usadas uma vez, ao contrário das perneiras, que dão para duas utilizações. Quando Tiago falou com o Expresso, esta quarta-feira, tinham sido entregues no Amadora Sintra tapume de milénio cógulas e mais de 600 pares de perneiras. É muito material e esse é agora a dificuldade que a iniciativa enfrenta.

Tiago Chochico explica. “O tecido tem de ser TNT de 70 gramas. No caso das perneiras pode ser subalterno, mas nas cógulas não, porque não é totalmente impermeável. Até há um tempo era relativamente fácil encontrar oriente material, mas agora está mais difícil.” Tiago faz as contas: “Encomendámos 10 rolos para o Amadora Sintra e custou-nos 280 euros cada. Agora pedimos um orçamento a uma empresa no Porto e já vai em 400 e tal. O preço quase duplicou.”

Iniciativa tem contado com a ajuda de costureiras, das profissionais às de fim de semana

Iniciativa tem narrado com a ajuda de costureiras, das profissionais às de término de semana

D.R.

Além de doações de particulares e empresas, segmento do material que recebiam era importado, de fábricas em Espanha. Agora os camiões não estão a passar as fronteiras. “E imagino que eles também precisem do material por lá”, comenta Tiago. Há nesta profundeza duas alternativas, que os organizadores tentam explorar. João Machado, responsável da “Nomalism”, lançou um crowdfunding para recrutar fundos para comprar mais tecido. E Tiago comenta que é provável que haja fábricas a produzir oriente tipo de tecido “Temos estado à procura. É provável que algumas também já estejam a produzir para o Estado, o que acho muito.”

Filomena Silva, ou Mena, a modista com quem tudo começou, diz que o projeto “foi assim uma inspiração”, que a orgulha. “Ficamos todas contentes quando vemos as peças chegar aos hospitais.” Explica que a partir dos vídeos e tutoriais disponíveis, o trabalho de costura “não é zero difícil”. “Basta ter as medidas certas.” Reforçando que “há muita gente a trabalhar nisto”, todos voluntários, conta que no seu grupo são 25 costureiras, das profissionais às de término de semana.

“Já fizemos umas 1.300 cógulas e uns 290 pares de perneiras, 500 e tal peças. Há quem faça 100 peças de cada vez e entregue, quem faça 20, outras fazem 40.” Tudo à intervalo e agora com uma certa inquietação pela falta de material. Mena acredita que a pandemia de covid-19 pode ser uma forma de “passarmos a usar mais o resultado vernáculo. Com tantas fábricas que temos e gente sem trabalhar, uma vez que é que não há tecido?”, pergunta num lamento. Por enquanto ainda não falta trabalho, mas já sobram dúvidas. “Eu sou fã de filmes de ficção científica, só não estava à espera deste. Talvez nos abra os olhos.”

Para se juntar ao projeto, siga oriente link e contacte os responsáveis em cada hospital. A “Nomalism” pode ajudar a chegar a outros, além de ser a plataforma indicada para quem queira doar TNT ou saiba onde o encontrar. Para contribuir para o crowdfunding, o link é oriente.

Nota: Por lapso, foi escrito que a iniciativa partiu de uma internista. Na verdade, Ângela Rodrigues é anestesista. À visada, o responsável endereça o seu pedido de desculpas.

Por , em 2020-04-09 16:03:22


Manancial expresso.pt



Clique aqui e saiba mais sobre o Super Kit de Moldes + Curso de Costura do Zero. Clicando agora você ganha mini kit gratuito para imprimir + aula grátis.

Deixe um comentário