Velejadora olímpica portuguesa pega na máquina de costura e mete mãos à obra – [Blog da Solange Pereira]

O lado solidário de Mariana Lobato.

A velejadora olímpica Mariana Lobato trocou, por estes dias, os barcos pela máquina de costura e meteu mãos à obra na confeção de cogulas e máscaras para o Hospital de Santa Maria, ajudando assim no combate à covid-19.

Colocando em prática a arte de costurar, aprendida “aos oito anos com a avó”, Mariana Lobato já forneceu a primeira remessa da sua produção caseira, constituída por 30 cogulas e outras tantas máscaras, ao Hospital Santa Maria, mas pretende chegar a mais hospitais e profissionais de saúde. “Quero ajudar, não consigo permanecer paragem a olhar. Acho que todos podemos contribuir de alguma maneira e esta foi a forma que encontrei de contribuir, ficando em vivenda obviamente”, sublinha.

Para tal, em seguida o primeiro teste de produção levado a cabo durante dois dias, a velejadora pediu ajuda nas redes sociais por forma a alargar o leque de contribuições, para compra do material específico necessário, e de mão de obra. “O Hospital de Santa Maria estava a pedir ajuda na confeção de cogulas e máscaras. Agarrei na minha máquina de costura e meti mãos à obra com a ajuda da minha sogra, que também tem uma máquina”, começa por descrever à filial Lusa.

Em seguida falar com vários médicos da família e amigos também profissionais de saúde, Mariana Lobato diz ter percebido viver “muita falta de material, sobretudo de cogulas e máscaras”, sentindo-se assim ainda mais motivada para ajudar à sua maneira. “Há médicos a trabalhar desprotegidos e alguns que, uma vez que não têm condições, não estão a atender as pessoas uma vez que gostariam e, isso, é um problema que nos toca a todos. Comecei a pedir ajuda e já produzi uma grande encomenda”, revela, admitindo esperar descrever com a colaboração de mais membros da sua família no projeto solidário.

“Quantos mais, melhor, e, todos juntos, faremos uma força brutal. Vamos tentar chegar a mais costureiras da família e todos os que quiserem ajudar são bem-vindos”, sublinha, divulgando que “os moldes oficiais e aprovados pelos médicos estão disponíveis online no site da Maria Modista para qualquer pessoa, que queira ajudar, e poder fazer de combinação com as exigências certificadas.”

De quarentena em Torres Vedras, em vivenda dos sogros, a desportista portuguesa desdobra-se entre os cuidados com os dois filhos pequenos, Bartolomeu de quatro anos e Carolina de quatro meses, a preparação física diária, com treinos de uma hora e meia, e a máquina de costura. “Não tem sido fácil, é preciso muita disciplina e organizar o dia para dar conta de tudo. Os meus sogros vão ajudando, é preciso dar atenção às crianças, mas é sobretudo muita disciplina e alguma dor de cabeça também. Mas é para um muito maior e vale a pena”, frisa Lobato, que costura “em média quatro horas por dia, enquanto a recém-nascido faz as suas sestas.”

Tendo em conta que a iniciativa de confeção de material para os profissionais de saúde arrancou no último termo de semana, Lobato admite ainda não ter muito delineado o processo de entrega das encomendas. “Estou a gerir com algumas amigas e primas médicas para ver qual a melhor forma de fazer as entregas e quais são as prioridades nos vários sítios, sabendo que, por exemplo, no INEM há ambulâncias que não saem por não ter material e os profissionais não estão protegidos, o que é tremendo. Estamos a tentar ver prioridades para tentar colmatar algumas falhas. Sei que isto não tem um termo à vista, é sempre difícil chegar a todos, mas estamos a tentar fazer a nossa segmento”, sublinha.

A solidariedade por segmento das pessoas, conta, já se fez sentir, sobretudo “com imensas contribuições para a compra de material”, mas espera ainda uma maior mobilização, “porque isto é de todos e para todos.” “Não sou só eu. É com todos que conseguimos chegar a mais gente, a mais profissionais de saúde e a mais hospitais. Estando em vivenda, se tirarmos nem que seja uma hora por dia para destinar a isto, já faz a diferença. E temos de fazer a diferença neste momento”, defende a velejadora. que tenciona produzir pelo menos 500 cogulas. Para ter mais material, está criada também uma conta para angariação de donativos com oriente efeito.

No projecto desportivo, a velejadora participou nos Jogos Olímpicos em 2012, admite que tem “bastantes saudades” do mar. “Tenho conseguido treinar todos os dias e é uma segmento interessante definir o meu dia, por temos dias crianças. Entre fraldas, biberons, sestas e costurar, tenho conseguido treinar. Temos de estar mais por terreno e faço treinos diários, baseados em preparação fisica”, revela a O JOGO.

Mãe há quatro meses, a presença em Tóquio’2020 estava descartada, mas face ao procrastinação, Mariana abre a porta aos Jogos. “Pode ser uma possibilidade, mas não pensei nisso ainda. A prioridade é termos saúde”, diz.



Por , em 2020-04-08 06:13:04


Manadeira www.ojogo.pt



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