Covid-19: Dois trabalhadores bolivianos de oficinas de costura morrem em SP – Leonardo Sakamoto – [Blog da Solange Pereira]




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Dois trabalhadores bolivianos que atuavam em oficinas de costura morreram em virtude da Covid-19, entre esta terça (7) e quarta, em Guarulhos (SP) e na capital paulista.

“Eles se sentiram mal. Por falta de informação, chegaram tarde ao hospital, quando não havia muito mais o que fazer. Entubaram, mas não resistiram”, afirma Roque Pattussi, coordenador do Meio de Base e Pastoral do Migrante (Cami).

“Nas oficinas de costura mais pobres, não há rádio ou televisão ligados para passar o mínimo de instrução sobre a doença. Eles acabam perdendo a vida por falta de informação adequada”, avalia. “Não sabem identificar os sintomas, quando devem ir a uma Unidade Básica de Saúde ou a um pronto-socorro de hospital.”

Roque Pattussi afirma que eles estão acompanhando o caso de outros trabalhadores estrangeiros pobres internados em estado grave com Covid-19 e sem perspectivas de melhora.

O Ministério da Saúde anunciou a confirmação de mais 133 óbitos por Covid-19 nas últimas 24 horas. Até agora, são 800 mortes no Brasil (428 unicamente em São Paulo) e 15.927 casos oficiais.

Diante da situação, há dois temores para as organizações da sociedade social que atuam junto a esse público. Primeiro que a infecção se prolifere. Depois, que as pessoas não tenham recursos para se sustentar durante a crise por serem estrangeiros sem documentos de permanência.

Os dois bolivianos trabalhavam em oficinas de costura quando tiveram seus primeiros sintomas – podem, portanto, ter transmitido para colegas quando estavam assintomáticos. O Cami está procurando essas pessoas para informá-las.

Vale lembrar que há oficinas em que o envolvente é insalubre, com muitas pessoas costurando lado a lado, sem ventilação ou higiene – contexto ideal para a proliferação do coronavírus. Uma vez que segmento delas opera irregularmente, trancam portas e janelas com susto da fiscalização.

Mas, da mesma forma, há oficinas que passaram por processo de regularização e operam dentro das normas fiscais e trabalhistas. O Cami informa que há uma rede que está contribuindo com os esforços de combate ao coronavírus e estão confeccionando máscaras e equipamentos de proteção individuais para empresas, redes de farmácias e hospitais.

“Há oficinas com trabalhadores migrantes, em situação protegida, para a produção de equipamentos essenciais para combater o coronavírus”, afirma o coordenador do Cami.

Quem quiser fazer encomendas a essas oficinas, pode entrar em contato, por WhatsApp, com o núcleo pelo número: (11) 96729-4238.

Renda básica emergencial

Com as oficinas de costura paradas, por conta da quarentena imposta pelo governo estadual, reduz-se a velocidade de contágio pelo coronavírus. Mas os trabalhadores informais ficam em uma situação econômica difícil porque não sabem se poderão acessar à renda básica emergencial.

Entidades da sociedade social solicitaram ao governo federalista um posicionamento quanto ao pagamento do favor a trabalhadores sem CPF ou documentos de autorização de residência e de trabalho no país.

“Fazendo as contas, chegamos a 24 milénio pessoas na informalidade completa, que trabalhavam também para oficinais informais. Uma vez que eles vão preencher o cadastro para receber a ajuda de R$ 600,00 por mês sem documentos?”, indaga Pattussi.

Questionado pelo UOL, o Ministério da Cidadania informou que é necessária a apresentação de um CPF regular para requerer o favor, de conformidade com a lei aprovada pelo Congresso Vernáculo – exceto para inscritos no Bolsa Família. E que mudanças na lei precisam passar pelo crivo de deputados e senadores.

“Os estrangeiros que chegam ao país em situação de risco social ou na quesito de refugiados são acolhidos nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), onde são inseridos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), para ter aproximação, por exemplo, ao favor do Bolsa Família. Lá também são orientados a fazer a documentação que lhes permita ter uma vida lícito no país”, afirmou o ministério à poste.

De conformidade com os técnicos do Cami, os trabalhadores informais de oficinas de costura serão os últimos a reconquistarem seus empregos. Passada a crise e reativada a prisão do vestuário, haverá trabalho para trabalhadores formais em três meses e, para os informais, em cinco, segundo eles, nesse setor. Por isso, precisam de aproximação ao favor uma vez que os brasileiros.

Vale ressaltar que são esses trabalhadores que produzem nossas roupas, não vasqueiro sub-remunerados, portanto o atendimento a eles em tempos de crise não é um obséquio.

Mais de 40 instituições bolivianas estão organizando, em parceria com o Cami, coletas de doações de víveres e logística para que cheguem às famílias que mais precisam.

Junto com os víveres, vão panfletos de informação sobre a prevenção ao coronavírus em português, espanhol e francesismo. Quem quiser doar víveres ou recursos, pode entrar em contato pelo mesmo número de WhatsApp supra.

Por , em 2020-04-08 17:37:00


Manancial noticias.uol.com.br



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