Assustados, lojistas em SP burlam decreto e mantêm portas abertas – [Blog da Solange Pereira]




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O temor de permanecer sem verba e a suspicácia de que os programas de auxílio emergencial chegarão às suas mãos têm levado comerciantes de todo o Brasil a buscarem alternativas para sobreviver. Muitos restaurantes estão apostando no sistema de delivery, por exemplo. Porém, outros serviços não possuem tal quesito. E, em meio à pandemia do novo coronavírus e às determinações de manter o negócio fechado, alguns lojistas têm se insurgido contra as orientações. Devido à falta de fiscalização, em nenhum outro lugar a cena de comerciantes que continuam trabalhando é mais geral do que em Diadema, na região do ABC Paulista.

À primeira vista, o movimento é menor, o número de pessoas circulando é aquém do normal e os serviços essenciais, porquê farmácias e supermercados, funcionam normalmente. O negócio não importante de Diadema, no entanto, não está totalmente parado. No núcleo da cidade, não é difícil encontrar um estabelecimento, que deveria permanecer completamente fechado, com as portas entreabertas, à espera de consumidores e sengo à circulação de vans e viaturas de fiscalização. Não deveria ser assim. Desde de 23 de março, um decreto assinado pelo governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), determina que escolas, lojas, shoppings, academias e parques fiquem fechados.

Em meio aos tecidos e agulhas necessários para entregar um pedido que havia feito de chegar, uma modista atendeu a reportagem de VEJA. “Lá em mansão é tudo exposto. Se eu paro de trabalhar cá, não vou ter do que viver.” Ela pretende continuar funcionando normalmente e,no que depender dela, todo serviço será tratado com enorme valor. “Enquanto tiver encomenda, eu vou trabalhar sim, preciso tirar meu sustento e ninguém vai remunerar minhas contas.”

A premência de manter as portas abertas, ou ao menos entreabertas, está na suspicácia das ajudas federais. O governo, por exemplo, aprovou a Renda Básica Emergencial, que ficou conhecida porquê ‘coronavoucher’. Porém, os 600 reais são insuficientes para manter a renda desses profissionais e as dificuldades de operacionalização — que pode deixar até 20 milhões de informais fora do programa — tiram dessas pessoas a perspectiva de segurança. Elas acreditam que precisam fazer a renda por si próprias, caso contrário, poderão passar miséria. “Esse verba dificilmente chega nas mãos de quem precisa”, afirmou o possessor de uma loja de eletrônicos, que também funcionava com as portas entreabertas. Com o olhar intrigado e sem muitas palavras, o lojista tentou explicar a situação. “Não me complica, não. Estou cá porque não posso permanecer sem trabalhar.”

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Ruas e praças vazias, brinquedos e academias ao ar livre sem as crianças e os frequentes usuários. Sem opções de lazer, a população permanece reclusa e fechada dentro de mansão. A quarentena que todo o estado de São Paulo está enfrentando é importante para evitar a propagação do novo coronavírus. Por outro lado, a tristeza dos comércios despovoados e a angústia dos lojistas com as mãos abanando são aspectos cruciais para a tomada de novas medidas por segmento dos governos.

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Por , em 2020-04-06 10:18:17


Nascente veja.abril.com.br



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