Faça você mesmo e seja criativo sem sair de casa – Jornal CORREIO – [Blog da Solange Pereira]

O origami pode ser feito com qualquer pedaço de jornal ou revista que você não usa mais. A dica é da professora de artes e trabalhos manuais Mineco Hirai Okabe, 82 anos, também conhecida porquê Miriam. Filha de imigrantes japoneses, a paulista que mora em Salvador há mais de 50 anos aprendeu a técnica de dobradura em papel com 5 anos e garante: o trabalho com as mãos acalma e é coligado de quem quer passar o tempo.

“No origami, por exemplo, você tem que usar o raciocínio, que com a idade a gente vai perdendo. Se você faz sempre, usa aquela habilidade manual, não fica com a cabeça paragem”, defende Miriam, que também aprendeu a fazer todo tipo de trabalho em tecido: bordado, crochê, macramê… “Não faço com sublimidade, mas tenho o conhecimento”, pondera a artista dedicada dos quais foco é mesmo o origami.

Dona de moradia, além de professora, Miriam também aplica seu talento com as mãos na jardinagem. “Cuido do quintal todo também. É o hobby que tenho. Faço tudo em moradia, não tenho empregada”, conta, orgulhosa. E justifica a extensa “grade curricular” aos 82 anos com bom humor: “É bom, porque dá um incentivo. Uso a mão e a mente para não permanecer, porquê se labareda, ‘lelé da cabeça’”.

Para quem tem mais de 60 anos e acha está tarde para principiar, Miriam diz que basta “ter boa vontade”. “Todo mundo tem chance, é só querer. Às vezes a pessoa não tem habilidade, porque não está acostumada a usar as mãos, mas vai conseguir. Uma pessoa com idade morosidade mais de aprender, mas não deixa de aprender. É só pensar: ‘Eu posso fazer e vou fazer’. É logo que faço minhas coisas”, incentiva.

(Foto: Shutterstock)

Coragem
Foi pensando em ter uma ocupação depois de se reformar que a funcionária pública do IBGE Fernanda Bastos, 63, decidiu aprender a costurar. “Fiz cursos para ter uma terapia, justamente para não permanecer em moradia ociosa. Tinha o grupo do artesanato, o grupo do namoro e costura, e tudo isso vai enchendo nosso tempo para não deixar a cabeça vazia”, justifica.

Almofada, encosto de leito, roupas, bolsas, carteira de mão, artesanato com madeira e gesso fazem segmento de seu montão criativo. “Qualquer pedacinho de tecido que a pessoa tenha em moradia, pode fazer um fuxico”, exemplifica Fernanda, que há menos de uma semana começou a fazer máscaras em tecido. Bastam 20 cm de tecido e 17 cm de elástico, explica.

Sem transpor de moradia nas últimas semanas, Fernanda tem reaproveitado tecidos, caixas antigas e outros materiais encontrados ao seu volta. Antes, sua produção ficava presa aos dias do curso, mas agora tomou “coragem de fazer as coisas sozinha”. “O supremo que pode intercorrer é permanecer ruim e jogar fora (risos). Já estamos reaproveitando, logo vamos nessa! Botar a cabeça para funcionar e usar a originalidade para não enjoar”, conta, empolgada.

Terapia
Professora de namoro e costura, Sara Moura, 45, destaca que o trabalho manual convida a pessoa a se concentrar no momento, sem peso e com prazer. “É meio meditativo. Você está vivendo o presente, porque está prestando atenção no que está fazendo, mas não fica pensando nos problemas. Te auxilia a não pensar tanto no pretérito, nem no horizonte. Ainda mais agora, que a gente não sabe o que vai intercorrer no horizonte”, reflete Sara.

Em contato com o crochê desde que se entende por gente, porque a mãe sempre costurou, a dona de moradia Olga Kalil, 67 anos, vê no trabalho manual “a melhor terapia que existe”. “Não tem coisa melhor do que você produzir com as mãos. Eu sabor muito, minha cabeça fica a milénio. Uma hora faço crochê, outra hora bordo, pinto aqueles caderninhos… Não tem coisa melhor”, aprova.

Olga, que só foi pegar em uma agulha há 16 anos, quando perdeu o pai em um acidente de coche e acolheu sua mãe em moradia, conta que a produção ficou mais intensa nos últimos dias. Ela e a matriarca Dona Bete, que hoje tem 96 anos, estão passando o tempo da quarentena criando colchas, mandalas e cachecol. “Eu incentivo ela e ela me incentiva”, conta Olga, orgulhosa com o crochê em conjunto.

Paciência
Quem não tem o material em moradia, porquê as agulhas e linhas específicas do crochê, pode optar por aprender uma técnica de tecelagem mais versátil porquê o macramê. Dá para fazer peças com corda de varal, barbante, galho de árvore e palitinho de churrasco, por exemplo. “É muito simples. O objetivo é que a pessoa não tenha dificuldade”, incentiva a professora de artes têxteis, Jéssica Faust, 28.

Didática, Jéssica tem porquê lema a frase “Vou te ensinar a fazer tudo que sua vó não teve paciência”. Por isso, oferece cursos online para iniciantes no site www.bisaonline.com.br (o cupom “ficaemcasa” dá 50% de desconto), e tutoriais gratuitos no Instagram (@bisa.vo). O primeiro foi de pluma de macramê, que serve porquê chaveiro; o segundo foi um chaveiro em lesma; e o terceiro, que será publicado no sábado, provavelmente será de crochê.

“Tenho sempre o zelo de manifestar que o trabalho manual não é uma terapia, mas pode ser um coligado do processo terapêutico”, ressalta Jéssica. “Uma coisa para você se sentir útil, pensar ‘poxa, sei fazer alguma coisa’, ‘sou produtivo’, ‘sou auto-suficiente’. E pode ser educativo, sabe? Desenrola os pensamentos da vida”, completa. E para quem diz que não tem talento, Jéssica avisa: “Isso não existe. Insista um pouquinho, vá no seu tempo, sem pressão”.

Por , em 2020-04-05 07:07:44


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