Coronavírus: aos 87, idosa produz mil máscaras para doar no interior do MA – 05/04/2020 – [Blog da Solange Pereira]

A modista Bernarda Costa diz se assustar com o progresso do novo coronavírus pelo mundo por ser alguma coisa que nunca tenha presenciado em seus 87 anos de vida. Segmento do grupo de risco, a idosa viu que poderia fazer alguma coisa no combate à doença.

Ela, portanto, passou a confeccionar máscaras de proteção e entregar aos vizinhos, em Santa Quitéria do Maranhão (MA). A gentileza ganhou repercussão e uma rede com outras nove costureiras surgiu para produzir o item, beneficiando a cidade com a confecção, até agora, de milénio máscaras.

A teoria da doação surgiu com ajuda da neta, a professora Renata Costa, de 27 anos. Em meados de março, o Maranhão passou a ter os primeiros casos suspeitos de covid-19. No dia 20 do mesmo mês, houve a primeira confirmação. Com isso, as máscaras de proteção começaram a vanescer das prateleiras das farmácias.

Na quinta (3), o Ministério da Saúde começou a orientar a confecção das máscaras caseiras. A intenção é de que a indústria destine a sua produção para os profissionais que atuam no combate ao progresso do vírus.

Neta comprou tecidos

Vestindo máscara, dona Bernarda em frente a outras que costurou com a ajuda de nove amigas - Arquivo Pessoal

Vestindo máscara, dona Bernarda em frente a outras que costurou com a ajuda de nove amigas

Imagem: Registro Pessoal

Renata conta que os médicos de Parnaíba, cidade onde trabalha, também recomendaram a confecção de máscaras caseiras para proteção, principalmente para pessoas dos grupos de risco. A professora não pensou duas vezes e comprou tecido para confeccionar o resultado. Ela convidou Bernarda a ajudar a costurar.

“Eu tive a teoria e pedi para que a minha avó confeccionasse porque os médicos daqui já alertavam para isso. Eles ensinaram porquê era para fazer as máscaras, impermeabilizando o tecido”, diz Renata.

“Uma vez que vi que muita gente era vulnerável na cidade, fiquei com terror. Eu a convidei para costurar comigo. Ela aceitou, mas com a exigência de que a gente pudesse doar. Uma vez que ela não perde nenhum telejornal, sabia de tudo o que estava acontecendo”, relata.

De contrato com orientações do Ministério da Saúde

Segundo a neta de Bernarda, cada máscara tem 20 centímetros de largura e 17 centímetros de profundidade, o suficiente para tapulhar boca e nariz — o que é recomendado pelo Ministério da Saúde.

O material usado é o tecido chamado “TNT” — o tecido não tecido, por justificação de seu método de fabricação. O TNT é impermeabilizado a partir de uma mistura de álcool em gel, chuva e cola. A intenção é fabricar uma estrato para impedir que gotículas passem pelos poros, explica Renata, que é bióloga.

Rede solidária distribuiu 1 milénio máscaras

Renata publicou o primeiro vídeo de Bernarda costurando as máscaras em 21 de março. Ele viralizou nas redes sociais. A repercussão gerou pedidos de doação e, porquê consequência, uma sobrecarga maior para a produção.

Ao mesmo tempo, nove costureiras da cidade de 29,5 milénio habitantes se ofereceram para facilitar na missão. Com mão de obra e materiais, elas estabeleceram uma meta: produzir milénio máscaras para doação.

“Quando comecei a publicar nas redes sociais, muita gente começou a pedir. Também fomos procuradas para receber doações de tecidos. Não sabíamos que daria essa repercussão toda”, conta Renata.

A produção das milénio máscaras durou cinco dias. Elas foram doadas de porta a porta em Santa Quitéria com ajuda de demais moradores. Atualmente, unicamente Bernarda continua produzindo as máscaras. Ela faz em média de 20 a 30 por dia.

Preocupação com isolamento social

A preocupação com a comunidade é revérbero da informação que Bernarda faz questão de atualizar todos os dias — o que a convenceu a ser adepta ao isolamento social porquê melhor forma de prevenção.

“Assim porquê tem gente com terror, temos teimosos. A minha avó é muito preocupada. Ela assiste direto os telejornais, tanto que nem senta mais na frente de morada para não perder zero”, diz Renata. “Ela já chorou por justificação dessa pandemia e ficou muito assustada no início. Minha avó pede só que as pessoas orem e fiquem em morada”, conta.

“Não saiam de morada e que Deus proteja a todos nós. Não estou saindo de morada e estou me protegendo”, reforça Bernarda.

Por , em 2020-04-05 04:00:00


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