Análise – Bolsonaro em águas turvas: perde apoio militar e tese de impeachment ou renúncia gravita por Brasília – [Blog da Solange Pereira]




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O texto que, com toda a certeza, foi o mais lido e comentado sobretudo nas rodas políticas de setentrião a sul do Brasil, nesta quinta-feira (26), foi o da jornalista Maria Cristina Fernandes, publicado no reputado jornal Valor Econômico.

Sob o título “Missiva repúdio” e o sub-título “A costura de uma repúdio, porquê saída, passa pela anistia aos filhos”, o texto relata acontecimentos de bastidores que, sem incerteza nenhuma, pôs o presidente Jair Bolsonaro de Barbas de molho.

Esta pilar transcreve, na íntegra, o texto de Maria Cristina Fernandes, transcrito do Valor Econômico. Confiram:

“A Missiva renuncia
A costura de uma repúdio, porquê saída, passa pela anistia aos filhos
Por Maria Cristina Fernandes
A tese do solidão do presidente viralizou nas instituições. O combate à pandemia já havia unificado o país, do plenário virtual do Congresso Vernáculo ao toque de recolher das favelas. Com o pronunciamento em rede vernáculo, o presidente conseguiu convencer os recalcitrantes de que hoje é um empecilho para a guerra pela saúde da pátria. Se contorná-lo já não basta, ainda não se sabe porquê será provável tirá-lo do caminho e, mais ainda, que rumo dar ao poder em tempos de pandemia. A seguir a silabário do presidiário Eduardo Cunha, seu solidão unicamente se dará quando se encontrar esta solução. E esta não se resume a Hamilton Mourão.

Ao desafiar a unanimidade vernáculo, no uniforme de vítima de poderes que não lhe deixam agir para salvar a economia, Bolsonaro já sabia que não teria o endosso das Forças Armadas para uma façanha que extrapole a Constituição. Era o que precisaria fazer para flexibilizar as regras de confinamento adotadas nos Estados. Duas horas antes do pronunciamento presidencial, o Tropa colocou em suas redes sociais o vídeo do comandante Edson Leal Pujol mostrando que a farda hoje está a serviço da mobilização vernáculo contra o coronavírus.

Pujol falou porquê comandante de uma corporação que tem a tamanho de seus recrutas originários das comunidades mais pobres do país, hoje o foco de disseminação mais preocupante para as autoridades sanitárias. Disse que agirá sob a coordenação do Ministério da Resguardo. Em nenhum momento pronunciou o presidente. Moveu-se pela percepção de que uma tropa aquartelada hoje é mais segura que uma tropa solta. Na mão inversa do trem desgovernado do oração presidencial daquela noite.

Quando já estava evidente que descartara o papel de guarda pretoriana, Pujol reforçou a relevância do combate ao coronavírus: “Talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. Vinte e quatro horas depois, o vídeo ultrapassava 500 milénio visualizações, mais do que o duplo do efetivo do Tropa.

O distanciamento contaminou os ministros militares com assento no Palácio do Planalto. “Não quero ter minha do dedo nisso”, comentou um deles ao perceber o rumo provocativo que o pronunciamento da noite de quarta-feira teria. Deixou o Palácio antes da gravação, conduzida sob o comando dos filhos e da milícia do dedo do bolsonarismo.

A insistência do presidente na tese esticou a corda com os governadores e com o Congresso, que amanheceu na quarta-feira colocando rima na saída do ministro Luiz Henrique Mandetta. A pressão atingiu o pico do dia com o rompimento do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), com o presidente. Coligado de primeira hora de Bolsonaro, presença mais frequente, entre seus pares, nas solenidades do Palácio do Planalto, Caiado foi um dos principais padrinhos de Mandetta, um deputado do Mato Grosso do Sul que não disputou em outubro de 2018 porque temia não se reeleger.

O ministro negaria a exoneração numa entrevista em que citou Caiado, mas não Bolsonaro. O Congresso mantinha a aposta na saída de Mandetta porquê mais um tapume no isolamento do presidente quando João Doria, na reunião de governadores com o presidente, partiu para o confronto. O oração de varanda do governador de São Paulo não é unanimidade entre os envolvidos em procura de uma solução de consenso, mormente os da farda, mas sua ação deliberada para levar os governadores a recusar interlocução com o presidente, caiu porquê uma luva para a estratégia de levar Bolsonaro ao limite do isolamento.

Para viabilizar o enfrentamento dos governadores, o Congresso procura meios de manter o chegada dos Estados a recursos com os quais possam manter suas políticas de combate à doença, hoje confrontadas pelo Planalto. O pronunciamento acabou por frear a proposta de emenda constitucional com a qual se pretendia fabricar um orçamento paralelo para viabilizar as ações de Bolsonaro no combate à pandemia e emudecer a tecla com a qual o presidente se diz impedido de agir pelo Congresso. Cogitou-se até incluir nesta PEC instrumentos com os quais Bolsonaro poderia ter mais poderes sobre o confinamento e o confisco de insumos hospitalares, porquê meio de evitar o Estado de Sítio.

Ainda que Bolsonaro hoje não tenha nem 10% dos votos em plenário, um processo de impeachment ainda é de difícil de viabilidade. Motivos não faltariam. Os parlamentares dizem que Bolsonaro, assim porquê a ex-presidente Dilma Rousseff, já não governa. Se uma caiu sob alegado de que teria infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal, o outro teria infrações em série contra uma “lei de responsabilidade social”. Permanece sem solução, porém, o déficit de legitimidade de um impeachment em plenário virtual.

Vem daí a solução que ganha corpo, até nos meios militares, de uma saída do presidente por repúdio. O problema é convencê-lo. A troco de que entregaria um procuração conquistado nas urnas? O muito mais valioso que o presidente tem hoje é a liberdade dos filhos. Esta é a moeda em jogo. Repúdio em troca de anistia à toda tabuada: 01, 02 e 03. Foi logo que Boris Yeltsin, na Rússia, foi convicto a trespassar, alegam os defensores da solução.

Não faltam pedras no caminho. A primeira é que não há anistia para uma pena inexistente. A segunda é que ao fazê-lo, a legião de condenados da Lava-Jato entraria na fileira da isonomia, sob a cognome de um “Pacto de Moncloa” tupiniquim. A terceira é que o Judiciário, colérico com o bordão que viabilizou o impeachment de Dilma (“Com Supremo com tudo”), resistiria a embarcar. E finalmente, a quarta:

Quem teria hoje domínio para convencer o presidente? Cogita-se, à sua revelia, dos generais envolvidos na mediação do Rio, PhDs em milícia.

A única razão para se continuar nesta pedreira é que, por ora, não há outra saída. Na hipótese de se viabilizar, o capitão pode estar a caminho de fechar sua curso política porquê começou. Réprobo por ter atentado contra o decoro, a disciplina e a moral da curso militar, Bolsonaro foi absolvido em segunda instância. Em “O cadete e o capitão” (Todavia, 2019), Luiz Maklouff, esboça a tese de que a perdão foi a saída encontrada para o capitão deixar a corporação.

Em seguida, o Bolsonaro disputaria seu primeiro procuração porquê vereador no Rio. Trinta e quatro anos depois, a borracha está de volta para esfumaçar o pretérito. Desta vez, com o intuito de tirá-lo da política.”

 

Wellington Farias

PB Agora



Por , em 2020-03-26 20:00:00


Nascente www.pbagora.com.br



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