Mulheres organizam rede para pagar boletos de trabalhadoras informais – Nina Lemos – [Blog da Solange Pereira]



No início da semana, a coach Camila Lima começou a ver todos seus eventos sendo cancelados (e com isso, os pagamentos). Além de tudo, ela é asmática, por isso faz secção do grupo de risco e não queria se expor durante a pandemia de Coronavírus. Foi quando teve contato com o grupo de Facebook “Boleto mais 1” e resolveu recontar sua situação.  Ela publicou, sem muita pretensão, um post em que explicava que tinha sido surpreendida pela pandemia e pedia ajuda para remunerar sua parcela mínima de cartão de crédito. Em menos de 48 horas, o verba estava na sua conta. 

“A gente se vira. Não esperava que isso fosse ocorrer, que os trabalhos fossem ser cancelados, aí começa a encolher um notório desespero. Vi que existia uma lisura ali, comecei a oferecer espaço de protecção e contei a minha história, que meus trabalhos tinham sido cancelados, que minha bicicleta tinha sido roubada. Estou impressionada com o espírito de solidariedade das mulheres. De ver sua história e entender. Chegou mais verba do que eu pedi, com o que sobrou, paguei contas de outras mulheres que estavam precisando. E uma vez que contei que minha bicicleta tinha sido roubada, deixaram até uma bike na minha porta, você acredita nisso?”, diz Camila em entrevista ao Blog.

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Agora, a coach retribui pedindo ajuda para outras mulheres e oferecendo seus serviços gratuitamente para quem precisa de orientação, seja nos negócios ou na vida, durante esses tempos difíceis. 

O grupo “Boleto mais 1” surgiu na segunda-feira, por iniciativa de um grupo de amigas durante uma conversa despretensiosa no Facebook. A história começou quando a atriz e professora Janaína Kremer postou em seu perfil que gostaria de fazer um pouco para ajudar mulheres que estavam sem trabalho durante a quarentena. Logo em seguida, a amiga Livia Paschoal criou o grupo. Hoje, as duas e mais três mulheres administram a página.

A teoria delas, que funcionou, era: fabricar uma rede de ajuda financeira e afetiva em tempo de pandemia e isolamento causado pelo Coronavírus. Para isso, elas decidiram que mulheres que passassem por urgência, com trabalhos cancelados, postassem ali o que precisavam, com número da conta. E quem pudesse, ajudasse. 

Quatro dias depois, o grupo já tinha mais de 10 milénio participantes e dezenas de mulheres ajudadas. “É emocionante. Uma coisa que a gente não podia imaginar, mas que só prova que têm realmente muitas mulheres, mães, em situação desesperadora. São pessoas que já estavam no limite, que trabalhavam para remunerar a conta de amanhã e que, agora, ficaram completamente sem zero”, diz Janaína. “Me sinto privilegiada porque sou contratada uma vez que professora em uma instituição pública, logo, tenho minha renda garantida. ” 

Conta de luz e botijão de gás

O grupo é um retrato de uma vez que está a situação de muitas mulheres com trabalhos informais no momento. Na tarde de sexta-feira, a modista Luana pedia ajuda para comprar mantimentos para os dois filhos. Ela explicava que trabalhava fazendo bicos e tinha sido dispensada para permanecer em moradia sem nenhuma remuneração. Menos de meia hora depois de sua postagem, outras mulheres já respondiam dizendo que tinham enviado verba para sua conta. . Muitos são os casos de sucesso, com contas totalmente  pagas. A faxineira Regisleine, por exemplo, mãe solteira, conseguiu verba para comprar gás. A roteirista Audrey, remunerar a conta de luz.

“Pensamos no formato de remunerar boleto por ser uma coisa urgente. Palato muito de falar sobre feminismo, filosofia. Mas têm mulheres precisando de ajuda urgente, mais do que nunca”, diz Janaína.

Mas, apesar da teoria mediano ser os boletos, o grupo se expandiu. Hoje existem mulheres oferecendo terapia, lição de dança e ioga para outras mulheres em quarentena, ou mesmo unicamente convidando quem não está muito para escadeirar um papo. “Cada um oferece o que pode dar, cada um aceita o que quer. A única coisa que não aceitamos é proclamação”

Por enquanto, só mulheres podem pedir ajuda para remunerar boletos ou comprar coisas básicas. “Evidente que tem muito varão artista precisando de ajuda. Sou atriz e sei uma vez que está difícil para o pessoal do circo, do teatro. Mas as mulheres são, em maioria, as grandes cuidadoras. Se não tem filhos, cuidam dos pais, de parentes.”

E, evidente, outros grupos uma vez que esse podem surgir, inclusive feito por homens, obviamente.  Fica a teoria.

Por , em 2020-03-21 04:00:00



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