O trabalho artesanal virou nicho para quem busca realização pessoal. Conheça empreendedoras trilhando esse caminho – [Blog da Solange Pereira]



O mundo do trabalho vem sendo questionado e transformado. Muitas pessoas não querem mais passar 8 horas trabalhando única e exclusivamente em troca de salário. Querem também ter prazer no trabalho, realização pessoal, ajudar a erigir um mundo melhor, mais justo e sustentável…

E, muitas vezes, querem trabalhar menos (o que quase nunca acontece…).

Essa procura pelo propósito, pelo trabalho que faça sentido e que seja gostoso, tem levado pessoas a investir no nicho do “feito a mão”, criando produtos artesanais ou empreendendo pequenas empresas de produção (propositalmente) limitada.

As vendas acontecem principalmente online, muitas vezes pelas redes sociais, uma vez que o Instagram, ou em feiras e bazares que reúnem pessoas interessadas no consumo sustentável, em comprar diretamente de quem faz.

É um movimento que conversa com um novo perfil de consumidor, preocupado em consumir menos, com mais qualidade, e sabendo a origem do que está comprando.

“É um caminho sem volta. Investir no artesanal e no pequeno empreendedor é o caminho para crescer comunidades locais e com isso escoar o moeda para as minorias e preservar o meio envolvente”, diz Daniela Scartezini, cofundadora do Mercado Manual.

Realizado há cinco anos em São Paulo, no Museu da Moradia Brasileira, o evento reuniu 46 artesãos e 3 milénio visitantes em sua primeira edição. Hoje, segundo Daniela, são 110 artesãos e 10 milénio visitantes.

“O planeta não suporta mais e tanto as grandes marcas quanto o consumidor já sabem disso. A internet trouxe tudo à tona, as pessoas querem saber quem faz e de que forma. E mais: querem saber o propósito e, de preferência, contribuir para que aquela história prospere”

Trabalhar com o fazer manual é sedutor; o mercado, inclusive, está muito saturado. A fileira de espera para participar do Mercado Manual é de 3 milénio nomes. Por isso, para lucrar espaço é precisa trabalhar duro. E aí, aquela teoria de que viver do seu ofício vai ser mais fácil do que a vida corporativa pode ir por chuva inferior…

Para Juliana Segallio, consultora negócios e marketing do Sebrae SP, o principal repto destes empreendedores é lastrar a segmento criativa com a gestão do negócio.

“Por tendência, eles se empolgam na produção porque têm paixão pelo que fazem. Mas para se manter no mercado e viver disso não basta originalidade. É preciso um olhar de negócio”, diz.

Não tem jeito: destinar tempo (e moeda) para pensar no financeiro, marketing, controle de estoque e fluxo de caixa também precisa fazer segmento da rotina. A seguir, conheça alguns desses microempreendedores:

 

TOCAYA TORRADORES DE CAFÉ

Formada em Engenharia Agrícola, Juliana Ganan, 38, sempre gostou de moca. Seu pai (falecido em 2001) era produtor, torrefador e vendedor, mas o foco dele era o moca commodity, mais mercantil, que você encontra em supermercado.

Juliana Ganan, fundadora da Tocaya.

Durante o mestrado em Relações Internacionais nos Estados Unidos, ela descobriu o universo dos cafés especiais — naturalmente doces, sem retrogosto repugnante, e que recebem notas supra de 80 nas provas técnicas (cupping), segundo normas da Specialty Coffee Association, organização sem fins lucrativos que representa milhares de profissionais do setor.

Trabalhando em Washington, no BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, Juliana começou a fazer cursos ligados a moca e participando uma vez que voluntária em cuppings e em trabalhos no serviço de cafeterias.

Juliana Pegou paladar pela coisa e acabou largando o ofício para fundar, há quatro anos, a Tocaya, uma microtorrefadora de cafés especiais em Itajubá (MG).

“Até hoje a minha mãe não entende e acho que nunca vai entender”, diz a empreendedora (em 2018, ela contou sua transição em um Lifehackers cá no Draft).

“Eu não gostava do que eu fazia, via muitas coisas com as quais não concordava e isso ia me consumindo. Eu ia com paladar para os trabalhos com moca e desgostosa para o BID. A única coisa que eu gostava do meu trabalho era o salário. Foi quando percebi que não compensava viver assim”

Juliana voltou ao Brasil ainda uma vez que funcionária do BID por influência da sua director, o que ajudou na construção da Tocaya. O salário foi fundamental para o investimento de 130 milénio reais que deu partida no negócio.

Hoje, com duas funcionárias, seu trabalho é visitar as fazendas, selecionar os lotes de moca, fazer a prova, colocar o preço na saca, torrar o grão, embalar e vender. Todo esse processo de torra e embalagem é feito de forma artesanal e sob demanda.

“Para cada rancho é feita uma torra separada”, afirma. “Às vezes a mesma rancho tem lotes diferentes, mas nunca os misturamos.”

A Tocaya torra murado de meia tonelada de moca por mês; o faturamento fica entre 22 milénio e 40 milénio reais mensais. O resultado pode ser consumido em cafeterias parceiras de São Paulo, Brasília e Rio, e também comprado pelo site da empresa.

Um repto, diz Juliana, é fazer o consumidor entender a percepção de valor do moca.

“No Brasil, o moca é de perdão no restaurante por quilo…. Quando cobramos mais custoso por um resultado que tem um valor associado, o choque é muito grande”

Ela conta que poderia triplicar a operação “sem deixar de ser artesanal”, mas não quer crescer em ritmo veloz para não aventurar a qualidade. “Com muita pressa perde-se a núcleo. Sei que é totalmente contra as leis do negócio, mas sou meio louca”, brinca.

 

KÁTIA STRINGUETO

A joalheira Kátia Stringueto, 50, é também jornalista. Demitida em setembro de 2017 do missão de editora da revista Bons Fluidos, ela lançou, dois meses depois, a marca de joias artesanais que leva o seu nome. “A destituição foi o pontapé de que eu precisava”.

Kátia já estava se planejando para viver do “fazer manual” há murado de dois anos, quando começou a vigiar moeda para colocar em prática o Projecto B. Foi, segundo ela, o único planejamento feito. “E tive a rescisão, que me deu liberdade para não trespassar desesperada correndo detrás de frila”, diz. Todo o resto foi acontecendo.

Argola Trevo, de Kátia Stringueto.

Quando deixou o jornalismo, ela já produzia algumas peças em lar, mas ainda não tinha uma coleção. Foi aí que mostrou alguns desenhos de vegetação para a amiga Neide Rigo, que deu uma teoria: fazer uma coleção inspirada em PANC (Vegetais Alimentícias não Convencionais).

E assim surgiram as sete peças da primeira coleção de Kátia, que transformou prata, ouro e cobre em trevos, capuchinhas, malvavisco e major gomes, todas vegetação alimentícias não convencionais. A segunda coleção foi inspirada na jabuticaba (a fruta também é considerada uma PANC por motivo das formas pouco conhecidas de uso culinário).

O ateliê fica em São Paulo. Kátia já investiu murado de 70 milénio reais no negócio. O faturamento por ora permanece reles, murado de 3 milénio por mês, mas ela diz que está dentro do planejamento.

Cada peça passa por suas mãos. Uma ou outra que pode ser cortadas em maior quantidade, Kátia até manda para fundições parceiras. Porém, logo que chegam no ateliê, essas joias vão para a bancada para que a artesã faça o seu trabalho.

“Faço uma por uma, com exceção, por exemplo, das jabuticabas. Aí eu tenho um padrão e tenho uma vez que ter graduação, mandando fundir quantas peças eu quiser. Só que o resultado final é único, porque quando chega eu modifico, coloco mais bolinhas, dou uma torcidinha. Sinto que a joia não está pronta se não coloquei a minha mão ali”

As joias são feitas sob demanda, mas ela também têm peças pronta-entrega, já que produz diariamente.

Os desafios de se jogar na vida de empreendedora artesanal, diz, é vender a teoria e mostrar para o consumidor o valor das joias, que custam entre 200 e 1 200 reais.

“Sei quanto vale, portanto sei quanto tem que custar… Mas não basta saber isso porque tem a percepção do cliente de quanto aquilo vale.”

Kátia tem trabalhado no desenvolvimento de peças mais baratas, mas que continuem refletindo sua núcleo.

“Ainda não consegui fazer uma peça de 100 reais que me satisfaça. E leste é um pedido muito legítimo das pessoas. Acho que vou me completar quando conseguir o design de 100 reais.”

 

ATELIER JEZEBEL

Sara Sampaio, 40, e Ana Paula Felipe, 34, escolheram trabalhar com voga sustentável e artesanal. Juntas, elas tocam o Atelier Jezebel.

De 2009 a 2013, a empresa era uma loja multimarcas fundada por Sara em Salvador. O Jezebel renasceu no término de 2016, já em São Paulo, com a proposta de vender roupas produzidas artesanalmente e de forma sustentável.

Ana Paula e Sara, do Atelier Jezebel.

As sócias investiram 24 milénio reais no negócio, nesta segunda “encarnação”. Diferentemente do mundo da voga tradicional, o Jezebel trabalha com uma produção gradual e não possui coleção fechada. Outrossim, ellas compram os tecidos e aviamentos e fazem os pedidos semanalmente para evitar estoque parado e não precisar de liquidações.

Sara e Ana Paula desenvolvem dois novos modelos por mês — e produzem, inicialmente, unicamente dez peças. Se houver boa aprovação, partem para uma produção de 30 peças. E assim vão sentindo o mercado e fazendo os pedidos semanais às quatro costureiras que dão conta da produção, cada uma em seu ateliê doméstico.

“Assim podemos ter um retorno melhor do mercado do que lançar uma super coleção que não agrade e as peças fiquem encalhadas”, diz Sara.

A opção por trabalhar com costureiras independentes e não com oficinas tem a ver com a proposta de ser um negócio mais justo e sustentável. Ana Paula afirma:

“As oficinas só trabalham com grandes quantidades, normalmente supra de 100 peças, e tem também a questão da remuneração. Se pagarmos para a oficina, quanto vão remunerar para a modista? Sem intermediário, a modista sai ganhando porque fazemos o pagamento à vista”

É uma forma de trabalho mais face e trabalhosa, porém mais alinhada com o que elas acreditam ser o horizonte do consumo. “Acreditamos que as pessoas não precisam ter muitas roupas, e que essas roupas podem perseverar mais”, diz Sara.

O repto, neste caso, é orar essa proposta de valor para o novos consumidores. As peças do Atelier Jezebel custam entre 140 e 320 reais. Segundo Sara:

“Queremos ser uma marca sustentável e temos o compromisso de fazer isso de forma consciente, mas essa receita não existe ainda. O repto é ir se recriando sempre e não olvidar do ideal de quando criou a empresa. No processo é fácil se perder, até para vender mais, escadeirar meta e remunerar os custos”

As vendas são feitas pela internet e na loja física, inaugurada em 2018 (no bairro de Pinheiros, na Zona Oeste), quando o faturamento ficou em 518 milénio reais.

“A gente quer crescer, mas não quer ser uma super empresa, ter várias lojas… Buscamos o desenvolvimento em mais parceiros, uma vez que para marketing ou produção”, diz Ana Paula. “É um desenvolvimento para deixar as coisas mais fluidas, porque o pequeno produtor acaba se infiltrando muito no operacional e a geração pode permanecer um pouco de lado.”

 

4236 Totalidade Views 36 Views Today



Por , em 2020-03-10 14:11:08



Conheça o Super Kit de Bordados – Super kit com mais de 3 mil matrizes para bordados computadorizados. Aprenda a usar sua bordadeira Elna, Singer, Janome, Brother e outras. Acesse agora e ganhe matrizes grátis



Conheça o Super Kit de Moldes com mais de 60 moldes em tamanho real para você baixar e imprimir + Curso de Costura do Zero, curso para costureiras iniciantes aprenderem do básico. Acessando agora, ganhe mini-kit grátis com vários moldes e uma aula grátis!

Manancial www.projetodraft.com

Deixe um comentário