De figuras locais a super-heróis, bonecos atraem foliões a Atibaia – 25/02/2020 – Cotidiano – [Blog da Solange Pereira]



Cada um carrega  o super-herói que merece. Ladybug, Batman, rabi Yoda ou até mesmo, numa licença criativa típica desses dias de folia, o abestalhado Chaves.

Esses são alguns dos personagens incorporados pelos bonecões gigantes do tradicional desfile carnavalesco de Atibaia, no interno paulista. Ninguém pode negar: a lado dos bonecos é eclética e democrática, porquê defendem  seus foliões. Ela abre espaço a conhecidos da região e também a nomes que ajudaram a erigir a história e até mesmo os costumes da cidade.

Pegue porquê exemplos,  a travesti Maria do Carmo, o representante da colônia nipônica e os integrantes que fazem referência às congadas, um patrimônio cultural e religioso de Atibaia. Também são contempladas personalidades que tiveram, em qualquer momento, relação com o município paulista.

Um boneco foi levantado para o cantor e compositor carioca Sílvio Caldas. Ícone da MPB, ele se consagroucomo uma das maiores vozes do cancioneiro vernáculo. O artista  faleceu ali na cidade, no dia 

3 de fevereiro de 1998.

Outro que se despiu de nós naquela terreno cercada por montanhas foi Mário de Souza Marques Rebento. Assim batizado, ganhou glória com a cognome de Noite Ilustrada. Cantor, compositor  e violonista, morreu em 2003. Também é figura do Carnaval.

Os bonecões são uma tradição por lá desde a segunda dez do século pretérito, conta Galvão Rebento, 39, artesão da Caabem (Lar de Espeque Amigos do Muito), uma ONG que promove ações culturais e de inclusão social, primeiro do Folia dos Bonecões. 

“O desfile com esses personagens vem sendo moldado ao longo do tempo para dar rostro a uma solenidade familiar, voltada para as crianças”, explica o pai. Daí o elenco ser constituído por personagens de escorço entusiasmado.

O cortejo segue até a terça-feira gorda (25), sempre a partir das 16h. Ele secção do núcleo da Atibaia, cidade distante tapume de 60 km de São Paulo. É descerrado ao público e integra as ações de Carnaval da prefeitura, que informa ter investido R$ 480 milénio na sarau. Estima-se que um público, de 20 milénio pessoas aproximadamente, siga os bonecos.

Escoltado por uma margem de marchinhas, o cordão sai da terreiro da Matriz, segue no meio da poviléu até a igreja Nossa Senhora do Rosário e retorna para o coreto da terreiro, num trajeto de 1 km.

Ao todo, 56 bonecos, inspirados nos gigantes de Olinda (PE), desfilam. Na madrugada de sábado (22), eles integraram uma lado do desfile da Acadêmicos do Tatuapé, em São Paulo, escola que prestou uma homenagem a Atibaia.

A receita de elaboração dessas criaturas parece simples, mas o processo exige boa ração de paciência e tempo (em média, cada boneco morosidade oito meses para lucrar forma).

Veterano ou iniciante, o artesão precisa de cola, tapioca azedo, jornal e papel machê para dar rostro ao personagem.

A armação é feita de tela de arame —dentro dela, o condutor terá a visão do trajeto. A vestimenta exige mais esforço. Leva tecido com bordados, aplicações de adesivos e fitas. Algumas figuras usam capas, adornadas de plumas e paetês. As mãos são preenchidas por bolinha de isopor. Pronto, a bonecada está  arrumada para o desfile.

Ela mede de 1,65 m a 2,50 m. Pesa entre 15 kg e 25 kg. O dispêndio de cada boneco completo, incluindo aí a estrutura, assim porquê o traje, pode chegar a R$ 1.500.

“Foi muito esgotante deixá-los prontos, mas me encho de orgulho ao vê-los na aglomeração”, conta a modista  Conceição Barros, 74, que criou  a roupa de todos os bonecos.

Durante os últimos três meses, ela não soube muito muito enobrecer o dia da noite. “Passei madrugas inteiras em evidente costurando”, recorda-se.

A peça de Malévola foi, nas palavras de Conceição, a mais exaustiva, por exigir detalhes em excedente. Interpretada no cinema por Angelina Jolie, a jovem querida da pequenada, protetora do reino dos Moors, tem cornos e asas —e assim a modista a fez igualzinha.

Já na geração do garoto órfão Chaves, o estudante Gabriel Lozano Pelegrino, 11, diz que ficou feliz com o resultado, já que é fã do mexicano desde que se entende por gente.

“Olhem, não ficou perfeito?”, gaba-se o jovem, momentos antes de trespassar com a sua própria obra no sábado (22), na terreiro Matriz, posteriormente desfilar por quatro Carnavais consecutivos com uma fantasia emprestada. “Queria tanto ter o meu próprio boneco.”

Gabriel participou de uma oficina, ensejo aos moradores de Atibaia, que acontece de seis a oito meses antes da sarau do reinado de Momo. 

O último workshop reuniu artesãos dos 7 aos 82 anos. Exemplo? A aposentada Neyde Gaspar. Ela não desfilou, mas aprendeu a confeccionar e trabalhou duro na organização do desfile. “Dar origem aos bonecos mexe com nosso lado lúdrico e criativo.”

Para a artista plástica Márcia Silveira, 60, professora da oficina de bonecos, é procedente que os filhos levem os pais e os avôs para os cursos. “Um puxa o outro”, brinca. “Com muita paciência, a gente segue na missão de transformar notícia ruim de jornal em arte.”

Cá se faz necessário um triste registro: depois que o Carnaval passar, os bonecos vão permanecer esquecidos dentro de um galpão —não em um espaço descerrado à visitação. O sonho de quem faz e carrega os bonecões de Atibaia é que sua fantasia seja eterna.

Por , em 2020-02-25 05:00:00



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