Moradora de Barros Filho, refugiada do Congo é cantora, costureira e trança cabelos em Madureira – [Blog da Solange Pereira]



Rio — Quando Sagrace Menga soltar a sua voz, por obséquio entenda que eis ali uma mulher nascida na República do Congo, refugiada, mãe, que, com o coração na boca e o peito desobstruído, canta as lutas da sua vida. Seja no palco, numa galeria em Madureira onde dá expediente trançando cabelos ou em lar, em Barros Fruto, lugar que hospeda também seu ofício de modista, essa africana, de 31 anos, carrega a dor de um dia ter desprezado a sua terreno natal em procura de uma novidade oportunidade e, ao mesmo tempo, a alegria de ter sido recebida de braços abertos no Brasil. O sentimento ao desembarcar no Rio, em outubro de 2015, era de esperança. E a cidade não a decepcionou. Até um sonho que parecia quase impossível, o de dar sequência à curso de cantora, aconteceu! Pelas mãos da percussionista Lan Lanh, sua parceria em composições e em shows que são uma explosão de ritmos, Sagrace está de volta às luzes da ribalta. 

— No Congo, eu já cantava, trançava cabelos e costurava. Mas a minha profissão primeira é a de cantora. No meu país, fazia shows e cantava com outros artistas. Saí de lá por justificação das injustiças sociais, dos maus-tratos do governo e porque o que eu e meu marido (o angolano Sergio Massamba Kembo) ganhávamos mal dava para manducar. Passei rafa, era muita coisa ruim. Vim para o Brasil prenhe e com a minha filha Joice, que agora está com 6 anos. Perdi meu bebê que tive cá com cinco meses, foi difícil passar por tudo isso sozinha, já que meu marido só conseguiu se mudar para cá depois. Não tínhamos quantia para virmos todos juntos. Apesar do sofrimento da perda do meu bebê, sou muito grata a esse país. Fui muito muito acolhida pelo Cáritas (Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio), onde conheci a Lan Lahn, esse criancinha na minha vida — elogia.

Leia:Lan Lahn faz show com Sagrace Menga

Antes de se reencontrar com os holofotes dos palcos, Sagrace saiu à procura de serviço. Sem fazer exigências, desde que fosse uma atividade honesta.

Lan Lahn é parceria musical de Sagrace Menga Foto: Nelson Faria
Lan Lahn é parceria músico de Sagrace Menga Foto: Nelson Faria

 

— Eu logo consegui trabalho nessa galeria em Madureira onde até hoje tranço cabelo. Nunca saio daqui com as mãos vazias, sempre consigo qualquer quantia para levar para lar. As costuras também ajudam no sustento. Uma vez que a família cresceu e meu marido está desempregado, estou correndo detrás. Já temos um rebento brasiliano, Josué, de 1 ano — orgulha-se.

Adaptada à rotina carioca, Sagrace não cogita a possibilidade de voltar a viver na República do Congo:

— Eu só penso em ir para lá de visitante e, se verosímil, para trazer para cá o restante da minha família. Meu lugar agora é cá. Estou legalizada, mas ainda não sou oficialmente brasileira. Quero ser!

A escolha por buscar refúgio no Brasil se deu, sobretudo, porque já tinha um pequeno conhecimento do linguagem:

— Uma vez que meu marido é angolano, ele fala português e eu já tinha uma pequena noção. Isso facilitou, sem relatar que sempre ouvi falar que os refugiados são muito muito acolhidos cá. É a mais pura verdade.

Sagrace Menga trança cabelos em Madureira Foto: Pedro Teixeira
Sagrace Menga trança cabelos em Madureira Foto: Pedro Teixeira

 

Gestos generosos não faltaram para Sagrace, que não teve dificuldade de encontrar trabalho e um lar. Mas um em próprio a tocou profundamente.

Leia mais: Refugiado sírio tenta trazer irmão para o Brasil

— Nunca vou olvidar a oportunidade que Lan Lanh me deu. Nós fomos apresentadas no Cáritas, cantamos juntas e eu gostei da simplicidade dela. Em 2016, ela me convidou para participar de um show no MAR (Museu de Arte do Rio). Eu pedi para Lan Lanh não olvidar de mim e ela não esqueceu. Fizemos duas músicas juntas no momento em que eu estava triste porque tinha completado de perder minha bebê. Seguimos cantando juntas e ela está produzindo um EP para mim. Quina na minha língua e em português — conta.

Lan Lanh não esconde a alegria de ter Sagrace uma vez que amiga e parceira músico:

— Nascente encontro é uma forma de voltar às origens, um retorno à ancestralidade da natividade da minha música, que é a cultura afro. Sagrace é a voz da África, rebuçado, ligeiro e potente, que reverbera nos tambores desta baiana percussionista que vos fala. Nosso encontro Bahia-Congo passa por cima de fronteiras, preconceitos e qualquer muro!

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Por , em 2020-02-07 05:00:00



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